Necessito fazer um retiro meditativo?


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Inúmeros estudos científicos têm demonstrado que a meditação implica enormes benefícios para a saúde . Ela afecta positivamente a química cerebral e corporal, pressão arterial, respiração e metabolismo e reduz a produção das hormonas do stresse.
O que é um Retiro de Meditação?
Um retiro meditativo é uma aventura pessoal. É um pequeno investimento de tempo que tem o potencial para afectar o resto da sua vida. É um espaço para silenciar o ruído e as distracções e ficar cara-a-cara consigo mesmo, criando-se a oportunidade para iniciar uma nova direcção.

Se procura um bom retorno do seu investimento, então a meditação é a solução perfeita. “Não faz nada” e é recompensado(a) com amplos benefícios. Então, imagine que recompensas podem advir não de uma sessão de meditação, mas de um período de tempo onde a prática meditativa é o foco principal da sua vida. Se o seu quotidiano é agitado/desconfortável ou sente que a vida tem algo mais a oferecer, então, um retiro de meditação pode ser algo a considerar.


Necessito de um Retiro de Meditação?
Um retiro de meditação é o 'melhor tempo'. Não há nada que se exija de si. Quando a vida decorre a um ritmo acelerado, com níveis incrementais de stresse, são poucas as oportunidades de pausar e permitir que o sistema nervoso recupere totalmente. Ir a um retiro permite sair da rotina diária, e oferece esse tempo que tanto precisa, a nível mental e físico.
Um conjunto de momentos para nos sentarmos em silêncio, aparentemente sem fazer nada. Nas culturas ocidentais, sentar em silêncio e não fazer nada pode ser visto como um desperdício de tempo. Como pode qualquer coisa significativa ser realizado por não fazer nada? Ou está realmente a não fazer-se nada?
As respostas a essas perguntas exigem uma mudança de perspectiva. Quando estamos dispostos a experimentar essa mudança um novo mundo de possibilidades abre-se.
Quando meditamos acabamos por diminuir todos os pensamentos habituais e actividades que preenchem as nossas vidas. À medida que aprendemos a acalmar os nossos pensamentos, começamos a perceber claramente uma nova perspectiva. Entramos em contacto com uma parte mais profunda de nós mesmos.

Somos recompensados  com a capacidade de estar totalmente presentes para o que está a acontecer no momento presente. Todos somos dotados de uma mente que é clara, pura e profunda. Isto é o que os mestres Budistas chamam de verdadeira natureza. Ela já está lá, dentro de cada um, mas geralmente não percebemos porque estamos sempre tão ocupados, sendo impelidos e levados pelos nossos pensamentos e desejos.


A Purificação da Mente e do Corpo
O que significa purificar? Na nossa vida diária experimentamos emoções diferentes, que vão desde o agradável ao desagradável​​. A mente não treinada lida com essas emoções com um sentimento de apego ou de rejeição. Isso resulta em desejo por experiências agradáveis ​​e aversão com as desagradáveis. Com o tempo, a felicidade das pessoas torna-se dependente de eventos externos. Quando atingem um determinado resultado que desejavam ficam felizes. Quando isso não acontece tornam-se infelizes. No entanto, estas são apenas ocorrências objectivas. Se algo acontecer, acontece. Se isso não acontecer, não acontece. A negatividade que geramos é realmente um produto da nossa própria mente.

Com base na tradição Vipassana toda a negatividade que geramos cria uma forma de impureza na mente e no corpo. Pouco a pouco, essas impurezas acumulam-se. Ao longo do tempo, essas impurezas manifestam-se exteriormente na forma de doenças físicas ou doenças psicológicas. A solução comum é a utilização dos medicamentos convencionais, mas isso é apenas lidar com o problema a um nível sintomático. Às vezes eles não funcionam; outras trazem benefícios. Quando não funcionam, os problemas físicos voltam novamente, uma vez que o quadro inicial da mente, gerador de impurezas (devido ao apego, desejo e aversão) nunca foi tratado.

Quando purificar a sua mente, o seu corpo começa a purificar-se também. Para fazer isso, tem que parar de gerar apego, desejos ou aversões. Ou seja, um estado completamente objectivo de espírito para tudo o que acontece - ou seja, a EQUANIMIDADE.

Vantagens de um retiro (mais longo)
Para além das mencionadas acima,  inúmeros estudos científicos têm demonstrado que a meditação implica enormes benefícios para a saúde . Ela afecta positivamente a química cerebral e corporal, pressão arterial, respiração e metabolismo e reduz a produção das hormonas do stresse. A maioria das pessoas ficaria radiante em possuir uma ferramenta que lhes permita ter o controlo dos seus níveis de stresse, não?
Um retiro de meditação pode ser o início deste processo. E tudo como resultado de “não fazer nada”!

Então, experiencial e naturalmente acontece:
- Desacelerar;
- Cura do aborrecimento (embora de início lhe possa parecer o contrário);
- "Não coçar onde faz comichão" (praticar a Aceitação);
- Fazer amizade com o seu sofrimento  (praticar a Aceitação);
- Praticar o comer mindful (em atenção plena);
- Obter uma boa dose de opiáceos naturais;
- Enamoramento pelo Planeta Terra;
- Sentir amor por todos os seres;
- Obter clareza sobre a sua vida;
- Controlar  a ansiedade e o stresse;
- Ser o seu próprio mestre;
- ...

O que acontece num Retiro mais longo?
Nos retiros mais longos que oferecemos poderão permitir entender muito mais sobre si do que provavelmente encontrá em muitos anos de procura. Aqui não serão necessárias competências especiais, porque tudo o que envolve é meditar, comer, contacto profundo com a natureza, dormir, partilhar e palestras diária. O que parece muito assustador de início, torna-se em algo incrivelmente libertador. O importante é entrar em sintonia com a sua própria mente e o seu corpo, mesmo que seja por curtos períodos, numa base regular, para que possa melhorar a sua consciência do momento e permitir a oportunidade de funcionar na sua plena capacidade de forma harmoniosa e saudável.

Nestes retiros não terá, certamente, que fazer coisas lhe pareçam estranhas ou difíceis ou mesmo impossíveis, como sentar-se de pernas cruzadas ou meditar por longos períodos de tempo. Há alternativas que se adaptam às necessidades de cada pessoa.

Resumindo
Um retiro prepara-o(a) para enfrentar os altos e os baixos da sua existência. Reduz a sua tensão, o medo e a preocupação. A inquietação recua e a paixão modera-se. As coisas começam a encaixar-se e a sua vida torna-se num fluir em vez de uma luta. Tudo isso acontece através da compreensão. A meditação aguça a sua concentração e o seu poder de pensar. A sua intuição apura-se. A precisão do seu pensamento aumenta, e, gradualmente, chega a um conhecimento directo das coisas como elas realmente são, sem preconceito e sem ilusão. Portanto, são estas razões suficientes para se preocupar? Dificilmente. Estas são apenas promessas no papel. Há apenas uma maneira para saber se a meditação vale a pena o esforço: aprender a praticá-la de forma correcta e a fazê-lo numa base regular.
Experimente por si mesmo(a)!

Mindfulness & Comunicação Consciente c/ Sagarapriya
Próximos retiros


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Auto-Compaixão: a alternativa ao cultivo da Auto-Estima

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Em contraste, a auto-compaixão não se baseia em julgamentos ou avaliações positivas, é uma maneira de se relacionar com consigo mesmo. As pessoas sentem auto-compaixão porque são seres humanos, não porque elas são especiais e acima da média
#Auto-Compaixão

A investigação sugere que a auto-compaixão é uma via mais saudável de se relacionar consigo mesmo, oferecendo os benefícios da auto-estima, sem as suas desvantagens.

No último artigo vimos que por muitos anos a auto-estima foi vista como um dos pontos chave para a saúde psicológica. No entanto, nas últimas décadas, os investigadores identificaram várias desvantagens associadas à auto-estima, como o narcisismo, a defesa do ego, as comparações sociais, e a contingência da auto-estima no sucesso.

Claro, ninguém quer sofrer pela sua auto-estima ser baixa, mas qual é a alternativa? 
Existe uma outra forma de se sentir bem consigo mesmo: a auto-compaixão. A auto-compaixão envolve ser gentil consigo mesmo quando a vida segue um caminho que não se deseja ou se percebe algo sobre nós mesmos que não gostamos, ao invés de ser frio(a) ou severamente auto-crítico(a). Ela reconhece que a condição humana é imperfeita, de modo que nos sentimos ligados aos outros quando falhamos ou sofremos em vez de nos sentirmos separados ou isolados. Envolve também mindfulness - a aceitação sem julgamentos de emoções dolorosas que possam surgir no momento presente. Ao invés de suprimir a nossa dor, ou então criar uma exagerada novela pessoal, vemos-nos a nós mesmos e a nossa situação de forma clara.

É importante distinguir a auto-compaixão de auto-estima. 
A auto-estima refere-se ao grau com que avaliamos a nós mesmos de forma positiva. Ela representa o quanto nós gostamos ou valorizarmos o nosso ego e as coisas que fazemos, e é muitas vezes baseada em comparações com outros. Em contraste, a auto-compaixão não se baseia em julgamentos ou avaliações positivas, é uma maneira de se relacionar com consigo mesmo. As pessoas sentem auto-compaixão porque são seres humanos, não porque elas são especiais e acima da média. A auto-compaixão enfatiza a interligação ao invés da separação. Isso significa que, com a auto-compaixão, não tem que se sentir melhor do que os outros para se sentir bem sobre si mesmo. Ela também oferece mais estabilidade emocional do que a auto-estima, porque está sempre consigo - quando está no topo do mundo e quando cair de cara no chão.

A investigação indica que a auto-compaixão oferece os mesmos benefícios que a auto-estima (menos depressão, mais felicidade, etc), sem as suas desvantagens. Em particular, num grande estudo realizado com mais de 3000 pessoas, incluindo várias facetas da vida, verificou-se que a auto-compaixão estava associada com sentimentos muito mais estáveis de auto-valorização (avaliada em 12 vezes diferentes durante um período de 8 meses) do que a auto-estima . Isso pode estar relacionado com o facto de que a auto-compaixão estar menos dependente de factores como a atracção física ou performances bem-sucedidas do que a auto-estima. Além disso, a auto-estima teve uma forte associação com o narcisismo, enquanto a auto-compaixão não revelou essa associação.



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Auto-Compaixão Vs. Auto-Estima

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Comparado a auto-estima global e a auto-compaixão em relação aos estados positivos de humor, verificou-se que os dois constructos foram preditores estatisticamente equivalentes na felicidade, no optimismo e no afecto positivo.

No artigo anterior referimos que a auto-estima elevada pode não ser algo desejável e que a auto-compaixão poderia ter um impacto positivo na saúde mental, superior ao da auto-estima.

Numa investigação (Self-Compassion Versus Global Self-Esteem: Two Different Ways of Relating to Oneself), com uma amostra de 3000 pessoas aproximadamente, Neff e Vonk (2009) analisaram a relação entre a auto-compaixão e a auto-estima e a forma como elas se relacionam com vários aspectos do funcionamento psicológico. A auto-compaixão implica tratar-se com brandura, reconhecendo a sua compartilhada humanidade, e estar plenamente atento ao considerar tantos os aspectos positivos, como negativos de si mesmo.

Verificou-se que a auto-compaixão predisse sentimentos mais estáveis de auto-valia do que a auto-estima e era menos depende de resultados pontuais. A auto-compaixão também tinha uma forte associação negativa com a comparação social, auto-consciência pública, a auto-ruminação, raiva e necessidade de isolamento cognitivo. A auto-estima (mas não a auto-compaixão) esteve positivamente associada com o narcisismo.

Comparado a auto-estima global e a auto-compaixão em relação aos estados positivos de humor, verificou-se que os dois constructos foram preditores estatisticamente equivalentes na felicidade, no optimismo e no afecto positivo. Os resultados deste estudo sugerem que a auto-compaixão pode ser uma alternativa útil para auto-estima global, quando se considera o que constitui uma auto-atribuição saudável. 

Os estudos actuais examinaram o funcionamento psicológico no que se refere a duas maneiras distintas de pensar e sentir sobre si mesmo, a auto-estima e a auto-compaixão.

Procura uma alta auto-estima? Pense melhor!

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Uma maneira de diminuir a divagação mental é através de práticas que melhoram a atenção plena, ou o estado de atenção sem julgamento, centrado no momento presente...


Porquê uma alta auto-estima pode ser negativa?

Numa sociedade com uma perda acelerada de valores e de referências muitos voltaram-se para a promoção da auto-estima, como forma de bem-estar. Ao longo dos anos tem havido literalmente milhares de livros e artigos de revistas que promovem a auto-estima - como obtê-la, elevá-la e mantê-la? A busca da auto-estima elevada tornou-se uma obsessão, mas a investigação indica que isso tem desvantagens graves. A nossa cultura tornou-se tão competitiva que precisamos de nos sentir especiais e acima da média para apenas para nos sentirmos bem acerca de nós mesmos (se estivermos na "média" é um insulto). A maioria das pessoas, por isso, sente-se compelidas a criar o que os psicólogos chamam de "viés de auto-melhoramento" – “elevando-nos” e colocando os outros “para baixo”, para que possamos sentir que somos superiores em comparação. No entanto, essa necessidade constante de se sentir melhor do que os outros leva a um sentimento de isolamento e de separação.

Então, uma vez que tenha conseguido uma alta auto-estima, como a mantém? Como estamos muito dependentes da validação social, ficamos presos numa montanha-russa emocional: subindo e descendo em função do nosso mais recente “sucesso” ou “fracasso”.

É compreensível que muitas pessoas pensem que uma alta auto-estima seja o antídoto para muitos problemas. Na vida em geral, se tem pouco dinheiro, o dinheiro é uma ideia muito atraente. Se não tem comida suficiente, um banquete é altamente apelativo. Mas será importante pensar sobre a auto-estima elevada de forma diferente. A auto-estima é mais como paracetamol - a quantidade certa irá ajudá-lo, mas muita será prejudicial.

Algumas características das pessoas com elevada auto-estima são:

1. Tendem a ser presunçoso(a)s e a imaginarem-se superiores;
2. Abusar dos relacionamentos, assumindo as suas necessidades vêm em primeiro lugar em qualquer situação. Se isso não acontecer, vão ficar com raiva e agem com intimidação;
3. Adoptam um ar de superioridade, simplesmente porque têm competência e/ou sorte numa determinada área da vida;
4. São (parcialmente) cegos para as suas próprias falhas e por isso não são susceptíveis de alterar comportamentos ou de melhorarem a si mesmos;
5. Tendem a ter problemas de controlo dos seus impulsos;
6. Há também agora uma riqueza de evidências ligando auto-estima elevada à criminalidade.

Os resultados da investigação científica têm associado a auto-percepção excessivamente positiva com aspectos positivos e negativos da saúde mental. Embora em geral se acredite que uma visão positiva de si mesmo ajude na saúde psicológica, alguns estudos sugerem que ter uma visão excessivamente positiva de si mesmo pode aumentar a risco da pessoa se engajar em comportamentos violentos ou agressivos e de outros aspectos negativos. Estes especialistas acreditam que ter uma avaliação excessivamente positiva de si mesmo, em relação à percepção dos outros, faz com que os indivíduos fiquem mais vulneráveis às ameaças do ego quando recebem feedback que contradiz a sua auto-percepção.

Sente que você não é tão bom quanto as outras pessoas?
Há alternativa ao cultivo da auto-estima?


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Livro | Porquê Meditar?



...É ao que eu me refiro quando digo "ser flexível" ao momento presente. Sim, com a meditação, pode experimentar um foco profundo ou um extraordinário sentido de graça...
Do livro "Como Meditar" por Pema Chödrön*.

Não meditamos para estarmos confortáveis. Ou seja, não meditamos para estarmos sempre bem. Talvez sinta alguma surpresa ao ler isto, porque muitas pessoas voltam-se para a meditação simplesmente para se "sentirem bem". No entanto, ficará contente em saber que o propósito da meditação não é sentir-se mal. Em vez disso, a meditação dá-nos a oportunidade de manter uma atenção aberta e compassiva a tudo o que ocorre.


O espaço de meditação é como o céu aberto: vasto, vasto o suficiente para acomodar qualquer coisa que surja. Na meditação os nossos pensamentos e emoções podem tornar-se numa espécie de nuvens que param e, em seguida, passam. O bom, o confortável, o agradável e o difícil e o doloroso: tudo isso vem e vai. Assim, a essência da meditação é trabalhar em algo algo que é bastante radical e certamente não é o nosso padrão usual, ou seja, estar com nós mesmos, não importa aconteça o que acontecer, sem colocar rótulos bons ou maus, certo ou errado, puro ou impuro. [...]




Ao meditarmos alimentamos cinco qualidades que começam a surgir ao longo dos meses e anos de prática. [...]

1. A primeira qualidade, que responde à pergunta: o que estamos a fazer quando meditamos - é a solidez: estamos a cultivar e a alimentar uma solidez com nós mesmos. [...] Através da meditação podemos desenvolver uma lealdade para com nós mesmos, o que se traduz imediatamente na fidelidade à experiência directa.

2. A segunda qualidade que geramos em meditação é a visão clara. Através da meditação adquirimos a capacidade de nos libertarmos quando nos vemos apegados a uma situação, endurecidos em determinadas circunstâncias ou com certas pessoas, ou fechados para a vida. Começamos a ver o início de uma cadeia de reacções neuróticas que limitam a nossa capacidade de sentir alegria ou de conexão com os outros.

3. A terceira qualidade é o cultivo gradual da coragem. (E aqui a palavra "gradual" é muito importante, pois pode ser um processo lento). Eventualmente, vai encontrar-se a desenvolver a coragem de experimentar o seu desconforto emocional, além de provas e problemas que a vida apresenta.

4. A quarta qualidade é a capacidade de despertar para a vida a cada momento, como ele é. É a verdadeira essência da meditação. Nós prestamos atenção a este preciso momento. [...] Portanto, aceitamos o momento presente, para a pessoa que quer acordar e abrir o seu coração e mente, é um lugar muito poderoso. O momento presente é o fogo gerador da nossa meditação, o que nos move em direcção à transformação. Ou seja, o momento presente é o combustível da nossa jornada pessoal. O facto de nos encontrarmos com o desconhecido do momento permite-nos viver a vida, e os seus relacionamentos e compromissos de forma mais detalhada. Isso é viver plenamente.

5. A última qualidade relacionada com o facto de porquê meditar é o que eu chamo de "não tem importância". É ao que eu me refiro quando digo "ser flexível" ao momento presente. Sim, com a meditação, pode experimentar um foco profundo ou um extraordinário sentido de graça, bênção ou uma grande transformação ou uma coragem recém-descoberta, mas, depois, não importa. Este foi um dos maiores ensinamentos de meu mestre, Chogyam Rinpoche Tungpa: Não é importante. Lembro-me de uma vez ter recorrido a ele com o que eu achava que era uma grande experiência de meditação. Eu estava animada, e enquanto eu estava a relatar, ele tinha um certo olhar... Era uma espécie de olhar indescritível, olhar muito aberto. Não foi possível considerar compaixão ou julgamento, ou qualquer coisa assim.

E enquanto eu estava a contar, ele tocou-me com a sua mão e disse-me: "não tem ... importância...". Não estava a dizer "mal", nem estava a dizer "bem". Ele estava a salientar: "Essas coisas acontecem, e pode transformar a sua vida, mas, ao mesmo tempo, não lhes dês tanta importância, pois isso leva-te à arrogância e ao orgulho ou a sentires-te especial." Assim, a meditação ajuda-nos a cultivar esse sentimento da não importância, não uma declaração cínica, mas cheia de humor e flexibilidade. Já viu de tudo, e isso permite que ame tudo.

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*Pema Chödrön é uma monja plena, que pratica na tradição do budismo tibetano. Foi uma discípula do Venerável Chögyam Trungpa Rinpoche, cujos ensinamentos ela continua a disseminar entre estudantes ocidentais do mundo inteiro.

Nascida na cidade de Nova York, em 1936, Pema tem 2 filhos adultos e 2 netos. Formada pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, foi professora primária por muitos anos, no Novo México e na Califórnia. Pema já havia passado dos 30 anos quando se ligou pela primeira vez aos ensinamentos budistas. Em 1971, ela viajou para os Alpes franceses, onde encontrou o Lama Chime Rinpoche, com quem estudou por muitos anos. Tornou-se uma noviça em 1974, enquanto estudava com Lama Chime, na Inglaterra.

Porquê a sua mente mente: 8 pontos

Os computadores podem analisar informações de forma imparcial, incansáveis e precisos, mas o mesmo não pode ser dito sobre os seres humanos. Estamos longe de ser perfeitos quando se trata de recolher informações sobre os outros e a fazer julgamentos sobre eles. Na realidade, é mais provável que seja mais a regra do que a excepção - os nossos julgamentos sobre os outros são imperfeitos. Afinal de contas, não somos exactamente imparciais nos julgamentos que fazemos. Os investigadores observaram que há vários erros que interferem na realização dos julgamentos precisos dos outros. Estes reflectem desvios sistemáticos nas maneiras de pensar sobre os outros em geral. Colectivamente, estas distorções  são referidas como distorções perceptivas. Conheça-as e aprenda a minimizá-las ou a aumentá-las nos outros!

1. Erro de atribuição fundamental
As pessoas não são igualmente predispostos a atingir julgamentos sobre causalidade interna e externa. Em vez disso, elas são mais propensas a explicar as acções dos outros em termos de causas internas ao invés de causas externas. Noutras palavras, estamos propensos a assumir que o comportamento dos outros é devido à forma como eles são, seus traços e disposições (por exemplo, "ela é apenas esse tipo de pessoa"). Assim, por exemplo, são mais somos mais propensos a assumir que alguém que chega ao trabalho tarde faz isso porque é preguiçoso e não porque ela ficou presa no trânsito. Esse enviesamento de percepção é tão forte que tem sido referido como o erro de atribuição fundamental.
Esta distorção particular decorre do facto de que é muito mais simples explicar algumas acções em termos das suas características do que reconhecer o padrão complexo de factores conjunturais que possam ter afectado as suas acções. Como pode imaginar, esta tendência pode ser bastante danosa. Especificamente, ela leva-nos a assumir prematuramente que as pessoas são responsáveis pelas coisas negativas que acontecem com elas (por exemplo, "ela destruiu o carro da empresa porque é descuidada"), sem considerar alternativas externas, aquelas que podem ser mais suaves (por exemplo, "um outro motorista foi o responsável pelo acidente"). Esta tendência leva a julgamentos imprecisos.

2. O Efeito Halo: Manter Percepções Consistentes
Alguma vez já ouviu alguém dizer algo como: "Ela é muito inteligente, então também deve ser trabalhadora "?Ou: "Ele não é muito inteligente, então  acho que ele é preguiçoso"? Se assim for, então já está consciente de uma distorção da percepção comum conhecido como "efeito Halo". Assim que formamos uma impressão positiva de uma pessoa tendemos a ver as coisas que ela faz em termos favoráveis, mesmo sobre aquilo que não temos conhecimento. Do mesmo modo, uma impressão geralmente negativa de alguém é susceptível de ser associada com avaliações negativas dos comportamentos da pessoa. Ambas estas tendências são referidas como efeitos de halo (mesmo o caso negativo, apesar da palavra "halo" ter conotações positivas).

3. O Efeito Semelhança-Proximidade (Se tu és como eu, então deves ser bom/mau)
Outro tipo comum de viés perceptual envolve a tendência das pessoas perceber mais favoravelmente os outros que semelhantes a elas do que aquelas que são diferentes. Essa tendência, conhecida como efeito “semelhança-proximidade”, constitui uma fonte potencial de distorção quando se trata de compreender e fazer atribuições das outras pessoas. De facto, a investigação demonstrou que os superiores hierárquicos classificam o desempenho dos seus subordinados mais alto se estes forem mais semelhantes a si, quanto maior semelhança maior a classificação que o superior tende a dar. Este efeito parece ser, em parte, o resultado da tendência das pessoas serem capazes de criar empatia e relacionarem-se melhor com outros semelhantes e para ser mais positivos em relação a eles. No entanto, parece também que os subordinados tendem a confiar mais em supervisores que eles percebem como semelhantes a si mesmos do que aqueles vistos como dissimilares

4. As Expectativas
A expectativa dos estímulos influenciam a nossa percepção e podem distorcer a nossa avaliação.
Tipos de expectativas:
Profecia Auto-Realizada;
Percepção Selectiva (ignorar algum aspecto e lembrar outro);
Defesa Perceptiva (moldar uma pessoa/situação a uma crença, percepção nossa).

4.1 Profecias “auto-realizadas”: o "efeito Pigmalião e o efeito Golem"
Dito de outro modo, a percepção pode influenciar a realidade! Esta é a ideia subjacente ao que é
conhecida como “profecia auto-realizada”, a tendência das nossas expectativas da realidade – mesmo estando erradas – pelo nosso comportamento, acabamos por as tornar verdadeiras. Um exemplo, é moldar o comportamento de alguém para se comporte de uma maneira consistente com essas expectativas.
As profecias “auto-realizáveis” podem assumir formas positivas e negativas. No caso positivo, mantendo altas expectativas do outro tendemos a perceber a pessoa de forma mais positiva. Isto é conhecido como o "efeito Pigmalião".
Os investigadores também descobriram que a "profecia auto-realizada" opera no sentido negativo, ou seja, baixas expectativas de sucesso levam a um desempenho menor. Isto é conhecido como o “efeito Golem”. é um efeito importante em contextos organizacionais e educativos.

4.2 Percepção Selectiva: Focando em algumas estímulos enquanto se ignora outros
Outra distorção perceptiva, conhecida como percepção selectiva, refere-se à tendência para os indivíduos se concentrarem em certos aspectos do seu ambiente, ignorando outros. Na medida em que operamos em ambientes complexos em que há muitos estímulos que exigem a nossa atenção, faz sentido sermos selectivos, estreitando os nossos campos perceptivos. Trata-se de um enviesamento na medida em que limita a nossa atenção a alguns estímulos, enquanto aumenta a nossa atenção a outros estímulos.

4.3. Erro das Primeiras impressões: Confirmando expectativas
Muitas vezes, a nossa forma de julgar alguém não se baseia apenas em quão boa a pessoa é ou desempenha no momento, mas sim nos nossos juízos iniciais acerca dessa pessoa, isto é, nas nossas primeiras impressões. Na medida em que as nossas impressões iniciais guiarem as nossas impressões subsequentes, seremos vítimas do erro das primeiras impressões.

5. Estereótipos: Colocando Pessoas em Categorias
O que vem à sua mente quando pensa sobre as pessoas que usam óculos? Elas são estudiosos?
Intelectuais? Embora não haja evidência de tal conexão, é interessante notar que para muitas pessoas esta imagem permanece nas suas mentes. Claro, isto é apenas um exemplo.
Provavelmente já teve a oportunidade de pensar em muitas outras crenças comuns sobre as características de pessoas pertencentes a grupos específicos. Tais declarações geralmente tomam a forma: "As pessoas de grupo X possuem Y característica”. Na maioria dos casos, as características descritas tendem a ser negativas. Hipóteses desse tipo são denominadas de estereótipos, crenças que os membros dos grupos específicos tendem a compartilhar características e comportamentos semelhantes. Felizmente, a maioria de nós aceitamos que os estereótipos que usamos são, pelo menos, parcialmente imprecisos.

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6 Mitos Sobre o Stress

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Concepções erradas sobre o stresse podem aumentar de forma dramática os seus níveis nas nossas vidas. A seguir estão seis pontos, oferecidos pela American Psychological Association, para ajudar a dissipar os mitos comuns sobre o stresse, e um pouco de orientação para ajudar a ter uma acção positiva e produtiva na redução do stresse geral na sua vida.

Mito # 1: O stresse é o mesmo para todos.

Não é verdade. Cada um de nós tem um limiar de resistência diferente e reagimos ao stresse diferencialmente. Algumas pessoas retiram-se; algumas pessoas experimentam ansiedade; outras tornam-se explosivas. Identificar o que nos faz “disparar” e o que tendemos a fazer sob stresse são os primeiros passos essenciais no desenvolvimento de uma rotina de gestão de stress com sucesso.




Mito # 2: O stresse é mau.

O stresse pode ser nefasto, mas nem sempre. De facto, em certas circunstâncias, o stresse pode ajudar a sobreviver a uma situação perigosa (a normal resposta de luta ou fuga). O stresse também pode ser um grande motivador para fazer as coisas. Se o stresse é "bom" ou "mau" depende mais da quantidade na sua vida e como o gere, do que uma simples valência positiva ou negativa.

Mito # 3: O stresse é omnipresente, então apenas temos que viver com ele.

Muitos aspectos do mundo actual (relações interpessoais, a fraca economia, longas horas de trabalho,  baixa renuneração, etc.) levam ao aumento do stresse em muitas pessoas. Mas o stresse não está em todo o lado não tem que simplesmente viver com ele. Pode moldar sua vida de tal maneira que tem tempo livre de stresse durante o dia. Também pode desenvolver estratégias eficazes para a gestão dessas experiências negativas na sua vida. Priorizando, quebrar tarefas complexas em projectos menores, mais simples, e estratégias eficazes de gestão do tempo são apenas algumas das maneiras de reduzir o stresse. Poderá também tentar praticar um pouco de meditação Mindfulness (ver aqui).

Mito 4: As estratégias mais populares para reduzir o stresse são as melhores.

Este é um mito perigoso, porque leva as pessoas a forçar-se a se envolver em actividades que "supostamente" servem para aliviar o stresse, mesmo que essas estratégias possam não ser eficazes para o seu estilo de vida e personalidade. Não há nenhum programa de gestão de stresse que se adapte a todas as pessoas. Muitas pessoas consideram o yoga extremamente stressante, enquanto outras não vivem sem a sua prática como uma forma de reduzir o stresse. O melhor plano de gestão do stresse é o único que se adapta às suas necessidades e interesses únicos. Se você tentar forçar rotinas de gestão de stresse na sua vida, porque elas parecem estar a funcionar tão bem para os outros, é provável que adicione mais stresse em vez de o diminuir.

Mito 5: Ausência de sintomas, sem stresse.

Não é verdade. A ausência de sintomas não equivale a uma ausência real de stresse. Com o tempo, o stresse crónico acabará por fazer com que o corpo e a mente começem a dar sinais de fadiga, perda de produtividade, esquecimento, dores de estômago, etc. Mas isso pode levar anos, às vezes décadas. Não ignore o stresse na sua vida, simplesmente porque não sofre ou sofre pouco agora. O desenvolvimento de rotinas de gestão de stresse saudáveis no início da vida irá ajudar quando os eventos mais difíceis surgirem.


Mito # 6: Somente os principais sintomas de stresse requerem atenção.

Os sintomas menores de stresse acabarão por se transformar em grandes sintomas se não forem geridos de forma eficaz. Considere os pequenos sinais de stresse (dores de cabeça, sensação de cansaço, etc.) como sinais de aviso.

Resumindo
Talvez a coisa mais importante a lembrar é que, embora existam muitas maneiras de reduzir o stresse, a chave para a sua gestão eficaz é não será, muito provavelmente, algum programa de sete dias ou de 30 dias que lhe diz o que fazer para relaxar ou como encontrar o equilíbrio (embora possam contribuir de forma muito positiva). A chave é descobrir o seu próprio programa de gestão de stresse, que funciona para si e no seu estilo de vida, em seguida, fazer o compromisso de incorporá-lo na sua vida.
Mesmo assim, na maioria dos casos, uma melhor gestão do stresse passa pela alteração dos estilos de vida e a implementação de uma certa disciplina na sua rotina diária.

Ver Gestão do stresse e prática de Meditação Mindfulness


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