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A Relação Mente-Corpo: Um Debate Ancestral



Dr. Strange, mais uma produção hollywoodesca, com as suas virtudes e defeitos, cujo excerto apresentado em baixo chama a atenção para o antigo debate sobre a relação mente-corpo - ou seja, como pode algo não material, um pensamento, uma emoção afetar o corpo material?




Este tema continua a desafiar filósofos e cientistas, o pressuposto implícito de que mente e corpo são entidades separadas.


Do 'Buda' Gautama a Plotino, de Nagarjuna até Spinoza, uma longa linhagem de pensadores através dos tempos propuseram que a mente e o corpo são duas faces da mesma moeda. No entanto, as suas preciosas contribuições foram remetidas para a filosofia ou para a religião o que, infelizmente, terá causado rejeição pelos académicos modernos. No entanto, as evidências científicas recentes de áreas tão diversas como a medicina, a psicologia social, a neurobiologia e a ciência cognitiva, demonstram claramente as vantagens da utilização das práticas de integração ‘mente-corpo’, como a meditação, o yoga, chi-kung, entre muitas outras.

Durante mais de um século, o modelo biomédico tem sido a força dominante na medicina ocidental, postulando que toda a doença é um produto de um defeito biológico, muitas vezes iniciado por um agente patogénico biológico. Este modelo é, obviamente, redutor, pretendendo explicar todas as doenças em termos biológicos. É também exclusivo, uma vez que quaisquer sintomas que não possam ser explicados em termos biológicos não são tidos em consideração. Isto levou ao dualismo corpo-mente em que "distúrbios mentais" são muitas vezes excluídos das principais preocupações da medicina ocidental, a menos que possa ser explicado por um problema somático subjacente.

No entanto, cada vez mais se preconiza um modelo caracterizado por utilizar uma abordagem holística do ser humano, permitindo contemplar não só a dimensão biológica da pessoa, mas também os seus aspetos mentais, emocionais e espirituais, juntamente com a consideração do seu ambiente social e cultural. Além disso, a otimização da saúde e a cura da pessoa estão diretamente relacionados ao que hoje é denominado de processo de crescimento e desenvolvimento humano. Trata-se então de uma abordagem salutogénica para a saúde, que incentive a promoção da mesma, concentrando-se em fatores de saúde, em vez de fatores de risco.





Meditação Mindfulness & Neurociência



1. Introdução

Como neurocientista mindful e praticante de meditação há vinte e cinco anos (desde 1991), acredito que estamos actualmente a viver momentos verdadeiramente excitantes. Recentemente, a comunidade neurocientífica internacional começou a interessar-se pela meditação mindfulness, demonstrando os seus benefícios nos praticantes.

Até há relativamente pouco tempo acreditava-se que o cérebro era um órgão não-regenerável. Por outras palavras, pensava-se que as células cerebrais (neurónios) não eram dotadas da possibilidade de se regenerar ou de se adaptar após trauma ou lesão, ou mesmo de mudar ao longo das nossas vidas. No entanto, investigação recente, incluindo estudos sobre mindfulness, demonstrou precisamente o oposto – que o cérebro tem, de facto, a capacidade de se adaptar e mudar, uma característica conhecida por “neuroplasticidade”.

Diversos cientistas concluíram que práticas contemplativas, tais como mindfulness, podem alterar a estrutura do cérebro e o seu funcionamento. Usando uma técnica não-invasiva de neuroimagiologia, conhecida por ressonância magnética funcional (functional magnetic resonance imaging (fMRI), na terminologia inglesa), os neurocientistas conseguem "olhar" para dentro dos nossos cérebros, e detectar eventuais alterações de forma e função.

Vários estudos mostram que, em praticantes experientes de meditação, as regiões cerebrais que ficam activas durante a meditação são, na realidade, diferentes daquelas que são activadas em não- praticantes. De facto, a prática regular de meditação parece dar origem a alterações em áreas específicas do cérebro, essenciais para funções cognitivas tais como atenção, aprendizagem, tomada de decisão, e regulação de emoções.

E a melhor notícia é que algumas destas alterações podem acontecer em apenas oito semanas – exactamente a duração do programa MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction, isto é, redução de stress baseada em mindfulness).


English Version

Mindfulness Meditation: Neuroscience

1. Introduction

As a mindful neuroscientist who has been meditating for twenty-five years (since 1991), I believe we are currently living truly exciting times. The international neuroscientific community has recently become interested in mindfulness meditation, and has already started showing its benefits.
Until not too long ago, the brain was believed to be a non-regenerable organ. In other words, brain cells (neurons) were thought not to have the ability to regenerate or adapt after trauma or injury, or even to change throughout the course of our lives. However, recent research, including studies on mindfulness meditation, has demonstrated precisely the opposite – that the brain has, in fact, the capacity to adapt and change, a feature known as “neuroplasticity”.

Scientists have concluded that contemplative practices, such as mindfulness meditation, may change brain structure and function. Using a non-invasive neuroimaging technique known as functional magnetic resonance imaging (fMRI), neuroscientists are able to look into our brains, and perceive eventual changes of form and function.
Several studies have shown that, in experienced meditation practitioners, brain regions that activate during meditation actually differ from those activated in non-practitioners. In fact, regular meditation practice seems to elicit changes in specific areas of the brain, which are essential for cognitive functions such as attention, learning, decision-making, and emotion regulation.
And the best news is that some of these changes may happen in as little as eight weeks – exactly the duration of the MBSR (Mindfulness-Based Stress Reduction) program.




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Simples intervenção de mindfulness melhora a atenção



Intervenção mindfulness de curto prazo reduz os efeitos negativos na atenção associados com o "media multitasking".

Introdução

Os dispositivos pessoais que nos permitem aceder a qualquer momento, em qualquer lugar à informação digital introduziram-nos ao fenómeno de "media multitasking", onde somos expostos a imensa informação digital em simultâneo. Criamos o hábito de estar constantemente a mudar a atenção entre os e-mails, mensagens de texto, atender telefonemas, navegação na web e ouvir música, tudo ao mesmo tempo e por vezes a trabalhar. A investigação demonstrou que as pessoas que se envolvem em grandes quantidades de "media multitasking" têm um desempenham significativamente mais baixo em medidas de capacidade da atenção do que aquelas que estão menos expostas.

Photo: Student with laptop wearing earbuds
Uma investigação recente mostra que os multitaskers de informação digital beneficiaram de um curto exercício de meditação, no qual os participantes sentaram-se calmamente contando as suas respirações.
Pessoas que frequentemente misturam o seu consumo de informação digital - mensagens de texto enquanto assistem TV, ou ouvirem música durante a leitura - são conhecidos por não serem capazes de dirigir eficazmente a sua atenção para uma tarefa. Mas aumentar o seu foco pode ser tão simples como respirar.

Foto: Jeff Miller


O Estudo

A investigação da Universidade de Wisconsin-Madison sugere que quanto maior for a exposição à informação digital em multitarefa, menor a nossa capacidade de prestar atenção. Uma solução pode ser um simples exercício de meditação.

De acordo com esta universidade, os estudos têm demonstrado que as pessoas que consumem mais informação digital em simultêno estão mais distraídas não só no momento, mas também na generalidade das suas vidas, o que pode afectar o desempenho académico, laboral e os relacionamentos.

A maioria de nós que estuda o “media multitasking" considera que a monitorazação de muitas fontes constantemente - em vez de dedicar-se apenas a um - induz um estado de atenção mais fragmentado
afirmou C. Shawn Green, um professor de psicologia na universidade e autor principal do estudo.

Mas Green e o co-autor do estudo Thomas Gorman descobriram que um simples exercício de meditação pode aumentar significativamente a capacidade das pessoas prestarem atenção, particularmente entre os usuários que frequentemente usam várias fontes de informação digital. Baseando-se em investigações anteriores da Wisconsin-Madison, mostrando que contar respirações (nove expirações e inspirações) tem uma série de benefícios, Green e Gorman testaram a “técnica” entre os grandes e pequenos utilizadores de “media multitasking".


Resultados

Os resultados mostraram que os grande utilizadores de “media multitasking" tiveram resultados mais baixos do que os pequenos utilizadores e ambos os grupos exibiram melhores resultados na atenção logo após contar as respirações. No entanto, os grandes utilizadores de “media multitasking" tiveram o maior incremento após o exercício respiratório.

Pensamos que esta tarefa de mindfulness pode ser particularmente útil para os utilizadores de “media multitasking", porque é, conceptualmente, um pouco o oposto do “media multitasking,
disse Green.

De salientar que o aumento da capacidade atencional não durou mais de um dia. No entanto, Green sugere o estudo mostra que as pessoas com mentes distraídas devido à multitarefa digital podem recuperar, e talvez treinar o seu alcance atencional. De acordo com Gorman, as mentes podem distrair-se durante o exercício e, como tal, requer prática activa no ajustamento e no recentrar da atenção.
"Ninguém pode manter o foco num único objecto indefinidamente", Afirmou Gorman.

Quando notar a sua atenção a vaguear, simplesmente traga-a de volta, uma e outra vez. Assim, está a praticar essa competência, reorientando a sua atenção.

O estudo, “Short-term mindfulness intervention reduces the negative attentional effects associated with heavy media multitasking”, foi publicado na revista Scientific Reports.


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Meditar parece ajudar a retardar o processo de envelhecimento

Um estudo realizado na Universidade de Zaragoza pelo Grupo de García Campayo (psiquiatra e investigador responsável do Grupo “Salud mental en atención primaria”) e publicado recentemente (03 de março de 2016) na prestigiosa revista Mindfulness em 22 de fevereiro de 2016, intitulado "Zen meditation, Length of Telomeres, and the Role of Experiential Avoidance and Compassion"?". Investiga-se o comprimento dos telómeros (proteínas situadas nas extremidades dos cromossomas e correlacionados com a expectativa de vida) em meditadores Zen (Comunidade Budista Espanhola de Soto Zen) com anos de prática de meditação e indivíduos saudáveis da mesma idade e sexo que nunca meditaram.


Mindfulness
Mindfulness refere-se a uma consciência atenta que emerge através da focalização intencional na experiência presente de uma maneira imparcial ou não julgadora. Evidências sobre a sua eficácia têm vindo a aumentar exponencialmente e investigações recentes sugerem que a prática de meditação está associada com maior comprimento dos telómeros. No entanto, os mecanismos psicológicos subjacentes a esta potencial relação são ainda largamente desconhecidos.

O estudo
Foram examinados os comprimentos dos telómeros de um grupo de 20 meditadores Zen experientes (com mais de 10 anos de prática, mínimo 1h diária de prática) e os telómeros de 20 participantes, grupo de controlo, com características semelhantes aos meditadores, mas que nunca meditaram anteriormente. Também foram avaliadas múltiplas variáveis ​​psicológicas relacionadas com a prática da meditação.


Conclusões
Embora as conclusões deste estudo devam ser consideradas com precaução, principalmente devido ao tamanho reduzido da amostra, confirmam que o comprimento dos telómetros é significativamente mais elevado nos meditadores. Apesar da relação de mindfulness e o comprimento dos telómeros permanecer pouco clara, de acordo com os resultados, é provável que a aceitação (avaliada como a ausência de evitamento experiencial), um processo que é especificamente promovido pela prática de mindfulness, na meditação geral e Zen em particular, desempenhe um papel fundamental.

Assim, parece que a ausência do evitamento da experiência emocional e pensamentos negativos é essencial para a ligação entre a meditação e o comprimento dos telómeros, sugerindo que a meditação regular pode prolongar a expectativa de vida.

"Medicina Mente-Corpo" pode reduzir os custos dos cuidados de saúde



Estudo revela como a medicina de integração "mente-corpo" pode reduzir os custos dos cuidados de saúde.
As práticas que treinam a resposta de relaxamento, como a meditação, yoga e a oração, podem reduzir a necessidade dos serviços de saúde em 43%, de acordo com um estudo do Massachusetts General Hospital (MGH), com afiliação a Harvard.O estudo está publicado na revista científica PLOS ONE . Vários estudos anteriores demonstraram que induzir a resposta de relaxamento - um estado fisiológico de repouso profundo - não só alivia o stress e a ansiedade, mas também afeta fatores fisiológicos, como a pressão arterial, frequência cardíaca e o consumo de oxigénio.

Os autores do estudou salientaram que as doenças relacionadas com o stress, como a ansiedade e a depressão, são a terceira maior causa de gastos com saúde nos Estados Unidos depois das doenças cardíacas e do cancro (que também são afetados pelo stress). O cenário em Portugal é semelhante!
O estudo, levado a cabo no MGH’s Institute for Technology Assessment and the Benson-Henry Institute (BHI) for Mind Body Medicine, descobriu que os indivíduos no programa da resposta de relaxamento recorreram menos aos serviços de saúde no ano após a sua participação em relação ao ano anterior.


As conclusões preliminares do nosso estudo indicam que os programas que treinam os pacientes para desencadear a resposta de relaxamento - especificamente aqueles ensinados no BHI - também podem reduzir drasticamente a utilização dos cuidados de saúde
disse James E. Stahl, o autor líder do estudo.

Estes programas promovem bem-estar e em alturas de grandes constrangimentos financeiros e de recursos limitados nos cuidados de saúde poderiam aliviar o fardo sobre os nossos sistemas de saúde a um custo mínimo e com nenhum risco real.

A resposta de relaxamento foi descrita pela primeira vez há mais de 40 anos atrás por Herbert Benson, professor na Harvard Medical School, fundador e diretor emérito do BHI e um dos co-autores deste estudo.

A resposta de Relaxamento

Esta resposta de relaxamento pode ser compreendida como uma capacidade natural dos organismos retornarem ao seu estado de equilíbrio, uma vez terminada a fonte de stress ou os estímulos adversos (internos e/ou externos), O oposto fisiológico da resposta de ‘luta ou fuga’. Benson salienta que a resposta de relaxamento não é mobilizada com tanta rapidez como ocorre com a resposta de ‘luta ou fuga’, e que pode ser potenciada e treinada por práticas e/ou técnicas terapêuticas tradicionais, tais como: técnicas de respiração, meditação de concentração e/ou de insight ou atenção plena (mindfulness), atividade física, oração, relaxamento muscular, yoga, entre outros, e tem sido demonstrada ser útil no tratamento de transtornos relacionados com o stress, que vão desde a ansiedade à hipertensão.


Benson afirma que:
Sentimos que as intervenções mente-corpo que são de baixo custo e essencialmente livres de risco  devem ser incorporadas nos cuidados preventivos regulares.
Benson acrescentou ainda que:
Desde o início, o nosso principal objetivo tem sido o de melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas mediante a neutralização dos efeitos nocivos do stress e aliviar muitas doenças que são causadas ou agravadas pelo stress. 
Agora, o desafio é divulgar estes resultados que sentimos que será de grande interesse para os prestadores e pagadores dos cuidados de saúde, tais como as companhias de seguros e os decisores políticos.

Adaptado do original por Vítor Bertocchini

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Em busca da felicidade: onde reside no cérebro?

Uma equipa de investigadores da Universidade de Kyoto (Japão) conseguiu mapear a fonte da felicidade no cérebro através do uso de exames de ressonância magnética e de um questionário de felicidade. O estudo revelou uma correlação positiva entre a matéria cinzenta numa zona do cérebro, conhecida como pré-cúneo, e se a pessoa se descreve ou não como feliz. A maior massa cinzenta nessa zona cerebral parece estar associada uma maior felicidade. Esta descoberta abre caminho em direção a uma forma de avaliar objetivamente a felicidade e também salienta que exercícios como a meditação podem aumentar o bem-estar.




O que é a Felicidade?

A procura da felicidade tem marcado e continua a marcar a história da humanidade. Apesar do seu estudo científico ser relativamente recente, a felicidade como tema de reflexão filosófica remonta até à antiga Na Psicologia, Grécia. Ryan e Deci (2001) referem que podem ser considerados dois eixos estruturantes em torno dos quais se tem realizado o estudo da felicidade. Um eixo composto pela Eudaimonia e um segundo pela Hedonia.

Eudaimonia

O Bem-Estar Eudemónico tem origem em Aristóteles e salienta a experiência de crescimento pessoal e a excelência de carácter, a ética, sendo a felicidade considerada como consequência da realização do verdadeiro potencial de cada um (Haybron, 2000).

Hedonia

Contrastando com a perspectiva anterior, a perspectiva Hedónica foi desenvolvida também há milhares de anos atrás e foca o sentimento subjectivo do bem-estar ou de prazer. De uma forma geral, o Hedonismo é a filosofia do prazer, a ideia de que o prazer é bom e a dor é negativa. Tem como protagonistas Aristipo (435–366 BCE) e Epicuro (342–270 BCE). Aristipo, rompendo com a tradição socrática, defendeu que o prazer sensorial era melhor do que qualquer outro, pois é mais intenso. Ao contrário de Aristipo, Epicuro preferia os prazeres de longo termo em detrimento dos prazeres imediatos, valorizando os prazeres psicológicos e dando mais atenção aos prazeres do descanso. Ele valorizou especialmente a Ataraxia, que era uma forma de alcançar a tranquilidade emocional e a felicidade através da diminuição da intensidade das paixões e dos desejos.


O Estudo

Num estudo recente, publicado na revista científica Scientific Reports, do grupo da revista Nature, neurologistas japoneses afirmam ter encontrado a sede da Felicidade no cérebro.



No estudo, Wataru Sato e o seu grupo de investigadores, reuniram um grupo de voluntários e compararam imagens de ressonância magnética do cérebro dessas pessoas com um questionário sobre o estado emocional e de satisfação com a vida de cada uma. Cruzando essas informações eles concluíram que a felicidade acontece quando as emoções positivas se combinam com uma sensação de satisfação pessoal numa área do cérebro conhecida como pré-cúneo, uma região no lóbulo parietal medial, que está relacionada com a memória episódica, a autorreflexão e a consciência.

Substrato neurológico da felicidade

A equipa de investigadores acredita que existe uma possível base neurológica da felicidade no pré-cúneo. Podemos sentir as emoções de forma diferente, mas deve haver uma base neurológica subjacente à experiência subjetiva de ser "feliz". Compreender esse mecanismo, de acordo com Sato, vai ser um grande avanço na quantificação dos níveis de felicidade objetiva.

Além disso, a mesma região mostrou uma associação com os níveis combinados entre a intensidade emocional (positiva e negativa) e o significado da vida. Estes resultados sugerem que o pré-cúneo medeia a felicidade subjetiva, integrando informação emocional e cognitiva.


Implicações para intervenções futuras


A descoberta de que a felicidade subjetiva está associada à estrutura do pré-cuneo tem várias implicações interessantes para os neurocientistas e psicólogos. Porque o pré-cúneo recebe projeções generalizadas de regiões corticais e subcorticais, será interessante investigar a dinâmica da rede neuronal (por exemplo, o pareamento pré-cúneo/amígdala) para aumentar a felicidade subjetiva. Construtos complexos como a felicidade raramente envolvem apenas uma região do cérebro.

Uma vez que os estudos estruturais/funcionais de neuroimagem anteriores indicam que o pré-cúneo está envolvido em vários outros construtos psicológicos, como a depressão, a auto-consciência, e a criatividade, pode haver conexões entre estes e a felicidade subjetiva.

Como alguns estudos de neuroimagem estrutural têm demonstrado que a Meditação aumenta o volume de matéria cinzenta no pré-cúneo, pode ser possível desenvolver programas de treino, baseados na evidência, focados na prática de Meditação e na análise da estrutura do pré-cúneo para se estudar a felicidade subjetiva.
acrescenta ainda Sato.


Referências bibliográfica:

- Haybron, D.M. (2000). Two Philosophical Problems in the Study of Happiness. Journal of Happiness Studies, Volume 1, Issue 2, 207 - 225.


-Ryan, R. M. & Deci, E. L. (2001). On happiness and human potentials: a review of research on hedonic and eudaimonic well-being. Annu. Rev. Psychol., 52, 141-166.

- Wataru Sato, Takanori Kochiyama, Shota Uono, Yasutaka Kubota, Reiko Sawada, Sayaka Yoshimura, Motomi Toichi (2015). The structural neural substrate of subjective happiness. Sci. Rep. 5, 16891; doi: 10.1038/srep16891.



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O Stress e Os Efeitos Negativos Na Sua Mente


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O que é o Stress?

De forma simples, o stress é uma resposta biológica e psicológica vivida no encontro daquilo que percebemos como ameaça.
Um agente gerador de stress é o estímulo (ou ameaça), que provoca o stress. Por exemplo, exame, divórcio, morte de um ente querido, mudança de casa, perda de emprego.
Numa primeira fase, julgamos a situação e decidimos se é ou não é ameaçadora. Esta decisão é tomada com base em estímulos sensoriais e de processamento (ou seja, as coisas que vemos e ouvimos na situação, e também em memórias armazenadas (ou seja, o que aconteceu na última vez que estivemos numa situação aparentemente similar).

Como é ativado?

Se a situação é julgada como sendo de ameaça é ativado o eixo HPA (Hipotálamo, Pituitária e glândulas Adrenais). O hipotálamo (na base do cérebro) é então ativado. O hipotálamo é responsável pelo início da resposta ao stress. Quando esta resposta é acionada são enviados sinais para outras duas estruturas: a glândula pituitária, e a medula adrenal, que desencadeiam um conjunto de reações em cadeia, também conhecida como resposta de luta, (congelamento) ou fuga.

O stress repentino e severo geralmente produz:
Aumento da frequência cardíaca;
Aumento da frequência respiratória;
Diminuição da actividade digestiva;
Glicose hepática libertada para energia

Como reação de emergência, o stress despoleta comportamentos imediatos, em certas ocasiões irracionais e frequentemente repetitivos. Lembre-se que existe uma padrão típico de reatividade pessoal.

Um certo nível stress é necessário

Se na vida não existissem desafios ela tornar-se-ia monótona. Todos nós temos stress e um nível razoável até é benéfico para o organismo – o eustress, que é diferente do stress negativo – o distress (vulgarmente denominado de stress).
Mesmo os eventos de vida positivos podem ser considerados geradores de stress. Por exemplo, a maioria das pessoas pensa que iniciar um novo emprego ou ter um filho como boas mudanças. E a maioria das pessoas acha que essas boas mudanças também são stressantes.

Assim, o stress tem também as suas vantagens: para além de nos retirar de situações de emergência vitais, ajuda-nos a melhorar o rendimento e a termos uma maior atenção e mais energia em certas situações. Mas isto é apenas verdade até certo ponto, pois a partir de um determinado nível de stress não há aumento dos aspetos positivos, pelo contrário. Pode ser esquematizado num gráfico em forma de sino: à medida que o stress aumenta, o rendimento melhora até ao ponto de corte, a partir do qual se inverte o processo.

O Stress Crónico - uma bomba relógio!

Quando é stress é continuado, o tipo que a maioria de nós enfrenta dia após dia, ele realmente começa a mudar o seu cérebro e a ter um impacto altamente negativo no seu organismo. O stress crónico, como estar sobrecarregado ou ter discussões familiares ou no trabalho, pode afetar o tamanho do cérebro, a sua estrutura e a sua função, até mesmo ao nível dos seus genes.
Quando o eixo HPA é ativado, são segregadas as denominadas hormonas do stress, como a adrenalina e o cortisol, por exemplo.


Altos níveis de cortisol durante longos períodos de tempo podem danificar o seu cérebro. O stress crónico aumenta o nível de atividade e o número de conexões neuronais na amígdala, o centro do medo do seu cérebro. E com os níveis de cortisol elevados, os sinais elétricos no seu hipocampo, a parte do cérebro associada à aprendizagem, memórias, e controlo do stress deterioram-se.

O hipocampo também inibe a atividade do eixo HPA. Assim, quando o hipocampo fica mais enfraquecido, o mesmo acontece com a sua capacidade de controlar o seu stress. Isso não é tudo. O cortisol pode literalmente fazer com que seu cérebro diminua de tamanho, resultado da perda de conexões sinápticas entre os neurónios e a diminuição do seu córtex pré-frontal, a parte do seu cérebro os regula comportamentos como a concentração, tomada de decisão, julgamento e interação social. Isso significa que o stress crónico pode tornar mais difícil o seu processo de aprendizagem e e de recordar, e também prepara o cenário para problemas mentais mais sérios, como a depressão e, eventualmente, a doença de Alzheimer.


atualmente áreas com forte interesse são a Epigenética e a Herança Epigenética.


Trata-se da ideia de como a nossa informação genética transmite mais informações do que a própria sequência de letras codificadas nos seus pares de bases do ADN. Foi demonstrado que vários tipos de stress induziram essas mudanças epigenéticas, mas os mecanismos subjacentes envolvidos permanecem desconhecidos.

Resumindo, os efeitos do stress podem também impacto no ADN do seu cérebro e eventualmente passar essa informação para as próximas gerações.


Há várias formas de reverter aquilo que o stress faz ao seu cérebro.

As atividades com maior impacto são a atividade física e a Meditação.

Controle os seus níveis de stress antes que o stress controle a sua vida.




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Mindfulness Melhora a Qualidade de Vida dos Pacientes com SII


Um estudo recentemente publicado na revista Journal Inflammatory Bowel Diseases revelou que o treino de técnicas baseadas em mindfulness, como a meditação, pode oferecer melhorias duradouras na qualidade de vida e saúde mental aos pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII). O estudo intitula-se "A Controlled Study of a Group Mindfulness Intervention for Individuals Living With Inflammatory Bowel Disease”.

A SII é uma doença inflamatória crónica do tracto gastrointestinal que tem sido associada com uma diminuição da qualidade de vida, ansiedade e depressão. Tal sofrimento psíquico pode agravar os sintomas da doença DII e contribuir para o desencadear de crises.

No estudo os investigadores avaliaram a eficácia, a aceitabilidade e a viabilidade de uma intervenção de redução de stress baseada em mindfulness para pacientes com SII em comparação ao tratamento convencional. No total, 60 pacientes com SII (idade média de 36 anos) foram incluídos no estudo, dos quais 33 foram submetidos a uma intervenção baseada em mindfulness de oito semanas e 27 constituíram o grupo de controlo, com tratamento convencional. A intervenção baseada em mindfulness consistiu em sessões em grupo semanais e uma sessão intensiva de um dia conduzido por um instrutor experiente, e ofereceu meditações guiadas, discussões em grupo e exercícios destinados a melhorar a atenção plena na vida diária.

Os investigadores descobriram que, em comparação ao tratamento convencional, os pacientes do grupo da intervenção baseada em mindfulness tiveram melhorias significativamente maiores em relação a ansiedade, depressão, mindfulness, e qualidade de vida após a intervenção. Estas melhorias ainda foram observados seis meses após a intervenção, e os pacientes relataram estar muito satisfeitos com a intervenção mindfulness.

"Este trabalho reforça a interação entre aspectos físicos e mentais e sublinha a importância de abordar ambos os aspectos em todos os nossos pacientes", observou o autor sénior do estudo, David Castle, um psiquiatra no St. Vincent Hospital, Melbourne, Austrália, num comunicado à imprensa."

A equipa de investigação concluiu que uma intervenção baseada em mindfulness em pacientes com SII é uma prática eficaz, viável e bem aceite que oferece benefícios clínicos e duradouros em matéria de qualidade de vida, estado de mindfulness e sofrimento psíquico do paciente.

"O nosso estudo suporta a viabilidade, aceitabilidade e eficácia de uma intervenção em grupo baseada em mindfulness para pacientes com SII, concluiu a equipa de investigação."

Referência:

Kate Neilson, Maria Ftanou, Kaveh Monshat, Mike Salzberg, Sally Bell, Michael A. Kamm, William Connell, Simon R. Knowles, Katherine Sevar, Sam G. Mancuso, David Castle. A Controlled Study of a Group Mindfulness Intervention for Individuals Living With Inflammatory Bowel Disease. Inflammatory Bowel Diseases, 2015; 1 DOI: 10.1097/MIB.0000000000000629





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Melhorar a Saúde Mental Pode Ser Tão Fácil Como Caminhar na Natureza

budismo mindfulness
Mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas, e esta tendência irá continuar, estimando-se que em 2050 será cerca de 70%. Assim como a urbanização e a desconexão da natureza têm crescido dramaticamente, também os transtornos mentais como a depressão.

Sente-se "em baixo"? Dê uma caminhada na natureza.

Um novo estudo encontrou evidências quantificáveis ​indicando que caminhadas na natureza poderão levar a um menor risco de depressão. Especificamente, o estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Science, descobriu que as pessoas que caminharam por 90 minutos numa área natural, em oposição aos participantes que andaram num ambiente urbano de alto tráfego, apresentaram atividade diminuída numa região cérebro do associada com um fator-chave na depressão.

Stanford Woods Institute for the Environment


Ao longo da última década existe uma discussão acesa sobre as causas do aumento dramático em diagnósticos psiquiátricos de transtornos mentais. Como observam os autores;
existem muitos benefícios na urbanização, no entanto, estima-se que em 2050 cerca de 70% mundial viverá em ambientes urbanos e as implicações do estudo são importantes para compreender como tratar a epidemia da doença mental. Na verdade, os moradores da cidade têm um risco 20% maior de transtornos de ansiedade e um risco de 40% maior de transtornos de humor em comparação com pessoas em áreas rurais. As pessoas nascidas e criadas em cidades são duas vezes mais propensas a desenvolver esquizofrenia.

O estudo revela um caminho que preconiza a experiência da natureza, melhorando o bem-estar mental e sugerindo que áreas naturais acessíveis dentro de contextos urbanos podem ser um recurso crítico para a saúde mental no nosso mundo em crescente e rápida urbanização.

Está a exposição à natureza associada à saúde mental? Se assim for, os investigadores perguntam quais são impactos da natureza sobre as emoções e o humor? A exposição à natureza pode ajudar a 'amortecer' contra a depressão?


Oportunidade de contato com a natureza e muito mais:
MINDFULNESS-BASED STRESS REDUCTION (MBSR)


adaptado por Vítor Bertocchini de: http://news.stanford.edu/news/2015/june/hiking-mental-health-063015.html
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A Meditação Altera a Estrutura do Hipocampo e de Forma Diferente em Homens e Mulheres

hipocampo mindfulness
As análises mostraram que as dimensões do hipocampo eram superiores, tanto nos meditadores do sexo masculino como do sexo feminino quando comparados ao sexo e controlos pareados por idade.

Em média, o hipocampo humano mostra diferenças estruturais entre os meditadores e os não-praticantes de meditação, bem como entre homens e mulheres. No entanto, há uma falta de investigação que explore possíveis efeitos do género sobre a anatomia do hipocampo no âmbito da meditação.

Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Psychology recorrendo à ressonância magnética procurou estudar o impacto das práticas de meditação de longo prazo na anatomia do hipocampo. Estudos de neuroimagem que remontam a 2008 até aos dias de hoje têm demonstrado que a meditação altera a composição do hipocampo (; , , ,; ; ). Por exemplo, o hipocampo de uma pessoa que pratica a meditação é maior e tem conexões celulares internas mais densas. Os níveis de matéria cinzenta no hipocampo são também superiores em pessoas que têm uma rotina meditativa.

O hipocampo é um pequeno órgão situado dentro do lóbulo temporal central do cérebro e é uma parte importante do sistema límbico, a região que regula as emoções. O hipocampo é associado principalmente com a memória, em particular memória a longo prazo. O órgão igualmente tem um papel importante na navegação espacial.

O Estudo
Neste novo estudo os investigadores esperavam ver diferenças anatómicas entre o hipocampo de homens e mulheres experientes na pratica meditativa. Neste sentido, foram obtidos dados de ressonância magnética de alta resolução de 30 praticantes de longo prazo de meditação (15 homens / 15 mulheres) e 30 indivíduos do grupo de controlo (15 homens / 15 mulheres - Não praticam meditação) para avaliar se se manifestavam efeitos específicos no hipocampo de forma diferencial nos cérebros do sexo masculino e femininos.

Resultados
As análises mostraram que as dimensões do hipocampo eram superiores, tanto nos meditadores do sexo masculino como do sexo feminino quando comparados ao sexo e controlos pareados por idade. Ou seja, os resultados de estudos anteriores foram confirmados pela observação do hipocampo de homens e mulheres que meditam era maior e mais pesado e com mais matéria cinzenta do que os do grupo de controlo.

No entanto, os efeitos da meditação diferiram em magnitude entre homens e mulheres, lateralidade, e localização na superfície do hipocampo. A alteração na densidade nos homens, no entanto, foi "lateralizada", e afecta ambas as extremidades do hipocampo, mas com as alterações observadas no hemisfério esquerdo. Por outro lado, nas mulheres foi observado, mais especificamente, alterações no hemisfério direito do hipocampo.

Tais resultados divergentes para a variável sexo podem ser devido a diferenças genéticas (inatas) ou adquiridas entre cérebros masculinos e femininos nas áreas envolvidas na meditação e/ou sugerir que os hipocampos dos homens e das mulheres são diferencialmente receptivos às práticas de mindfulness.

Quais os mecanismos específicos meditativo ou específicos de cada sexo contribuem para o desenvolvimento destas diferenças anatómicas ainda são desconhecidos, esperando-se que futuros estudos investiguem esta e outras questões.
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Alterar a química cerebral pode influenciar a compaixão

budismo mindfulness
Este estudo descobriu que prolongar os efeitos da dopamina no cérebro faz com que as pessoas sejam mais sensíveis à desigualdade.

Como a química do cérebro influencia a compaixão.

A biologia está fortemente relacionada com o nosso comportamento, especialmente em situações sociais. E isso significa que as nossas interações sociais podem ser manipuladas por um comprimido.

Isto é o que um novo estudo, publicado na revista Current Biology, sugere. Um grupo liderado por investigadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade da Califórnia em San Francisco mostra que através da manipulação de um neurotransmissor do cérebro (dopamina), as pessoas podem tornar-se mais compassivas e agir de formas pró-sociais para equilibrar as diferenças entre elas e os outros.

Um novo estudo descobriu que dando uma droga que altera o equilíbrio neuroquímico no córtex pré-frontal faz com que exista uma maior vontade de as pessoas se envolverem em comportamentos pró-sociais, tais como assegurar que os recursos são divididos de forma mais igualitária.

Os investigadores também afirmam que estudos futuros podem levar a uma melhor compreensão da interação entre mecanismos alterados da dopamina cerebral e doenças mentais, como a esquizofrenia ou as adições, e potencialmente iluminar o caminho para possíveis ferramentas de diagnóstico ou tratamentos para estas desordens.


Neste estudo, publicado online em 19 de março na revista Current Biology, os participantes em duas visitas separadas receberam um comprimido contendo um placebo ou tolcapone, uma droga que prolonga os efeitos da dopamina, uma substância química do cérebro associada com a recompensa e a motivação no córtex pré-frontal. Os participantes, em seguida, jogaram um jogo de economia simples em que eles dividiram o dinheiro entre si e um destinatário anónimo. Depois de receber tolcapone, os participantes dividiram o dinheiro com os estranhos de uma maneira mais justa, mais igualitária do que depois de receber o placebo.

Pensamos na imparcialidade como uma característica estável, parte da nossa personalidade", disse Hsu. "O nosso estudo não rejeita essa noção, mas mostra como essa característica pode ser sistematicamente afetada pela intervenção em vias neuroquímicas específicas no cérebro humano.

Neste estudo duplo-cego com 35 participantes, incluindo 18 mulheres, nem os participantes nem os membros da equipa do estudo sabiam que comprimidos continham o placebo ou o tolcapone, um medicamento aprovado pela FDA utilizado para tratar pessoas com a doença de Parkinson, uma doença neurológica progressiva que afeta o movimento e o controlo múscular.


A modelação computacional mostrou a Hsu e aos seus colaboradores que, sob a influência do tolcapone, os jogadores eram mais sensíveis e menos tolerantes à desigualdade social, o fosso económico relativo percebido entre um participante do estudo e um estranho. Conectando-se a estudos anteriores que mostram que a desigualdade económica é avaliada no córtex pré-frontal, uma área central do cérebro que é afetada pela dopamina, este estudo leva os investigadores para mais perto da identificação de como os comportamentos pró-sociais, como a justiça, são iniciados no cérebro.

Demos um passo importante para aprender que a nossa aversão à desigualdade é influenciada pela nossa química cerebral, disse o primeiro autor do estudo, Ignacio Sáez, investigador de pós-doutoramento na Haas School of Business. Estudos na última década lançaram luz sobre os circuitos neuronais que determinam como nos comportamos em situações sociais. O que mostramos aqui é 'switch' num cérebro que podemos modificar.



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O altruísmo é mais simples do que se pensava, mostra um estudo ao cérebro

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Talvez sem surpresa a maioria das pessoas tende a ser gananciosa, mas o modelo também explica outro enigma: às vezes até mesmo os participantes mais egoístas tomam decisões generosas...

Um novo modelo computacional de como o cérebro faz escolhas altruístas é capaz de prever quando uma pessoa vai agir generosamente num cenário que envolve a perda de dinheiro. A investigação, liderada pelos cientistas do California Institute of Technology, apareceu no dia 15 de julho na revista Neuron. Este estudo também ajuda a explicar que ser generoso, às vezes, parece tão difícil.

A razão pela qual as pessoas agem de forma altruísta é controversa entre os académicos. Alguns argumentam que as pessoas são naturalmente egoístas e que a única maneira de substituir as nossas tendências gananciosas é exercitar o autocontrolo. Outros têm uma perspetiva mais positiva, acreditando que os seres humanos consideram naturalmente a generosidade gratificante e que só agem de modo egoísta quando fazem uma pausa para pensar sobre isso. O "modelo Caltech" sugere que "no meio é que está a virtude"; tanto a generosidade, como o egoísmo podem surgir de forma rápida e sem esforço. Mas isso depende da pessoa e do contexto.

"Adotámos um modelo de escolha muito simples, que tem sido desenvolvido para prever as decisões perceptivas - como se um ponto está a mover-se para a esquerda ou para a direita - sendo adaptado para entender a generosidade", diz a principal autora Cendri Hutcherson, que fez esta investigação inserida num pós-doutoramento do California Institute of Technology e agora dirige a Decision Neuroscience Lab na Universidade de Toronto.

Com este modelo simples somos capazes de explicar uma enorme variedade de padrões anteriormente confusos sobre como as pessoas fazem escolhas altruístas.

"Descobrimos que o que importa não é se a pessoa pode exercer autocontrolo, mas simplesmente quão fortemente cada um de nós considera as necessidades dos outros em relação às suas próprias", afirma a autora.
Se considerar mais as necessidades da outra pessoa ser generoso é fácil. Se considerar mais as suas necessidades a generosidade requer um grande esforço.

Hutcherson também considera que este modelo lança luz sobre os debates relativos a se o simples ato de nos comportarmos com generosidade é gratificante. "Os investigadores têm observado que se uma pessoa agir com generosidade, então é possível observar uma maior atividade em áreas do cérebro que representam um valor de recompensa, e por isso concluíram que a generosidade é um ato intrinsecamente gratificante - mas, na verdade, o nosso modelo sugere que se pode obter essa mesa atividade cerebral apenas através da forma como essas regiões constroem uma decisão ", diz ela. "Iríamos ver mais ativação em áreas relacionadas com a recompensa simplesmente porque a decisão é complexa e por isso requer mais processamento cerebral."


O modelo é baseado em imagens do cérebro de 51 homens à medida que eles tomaram decisões numa versão modificada do "jogo do ditador". Para jogar este jogo, cada participante foi emparelhado com um estranho que ele nunca conheceu, sendo questionado se estaria disposto a sacrificar quantidades diferentes de dinheiro de modo a que o estranho pudesse obter um pagamento significativamente maior (por exemplo, o próprio perdem €25 e que a outra pessoa recebe um extra de €100). O dinheiro era real e cada participante teve que fazer um total de 180 decisões.


Os scans ao cérebro sugerem que diferentes áreas cerebrais representam os interesses próprios e de terceiros. Valores auto-orientados correlacionaram-se com a atividade no ventral estriado, uma área associada com o processamento baseado na recompensa. Valores orientados para os outros correlacionaram-se com a ativação da junção temporo-parietal, que tem sido implicada na empatia. Hutcherson acredita que esta é uma evidência de que as pessoas são mais propensas a doar recursos se elas já tiverem em mente em como a sua doação vai beneficiar alguém.

Talvez sem surpresa a maioria das pessoas tende a ser gananciosa, mas o modelo também explica outro enigma: às vezes até mesmo os participantes mais egoístas tomam decisões generosas. Os investigadores vêem essas escolhas não como evidência de auto-controlo, como se pensava anteriormente, mas simplesmente como erros, um momento em que o benefício para o Self foi acidentalmente subvalorizado. Estes erros sugerem que a pressão do tempo poderia ser uma forma de levar as pessoas a se desviarem dos seus comportamentos normais de dar, mas isso, provavelmente, não será uma estratégia de sucesso de longo prazo para captação de recursos.

"Os nossos resultados indicam que as pessoas são mais felizes quando a generosidade por engano/erro não acontece," afirma Hutcherson. "Mas se pudermos aumentar o foco das pessoas nos pensamentos e nas experiências dos outros podemos diminuir os erros e aumentar as doações de caridade, tornando o altruísmo muito mais fácil."

adaptado de Cellpress

Referência

Cendri A. Hutcherson, Benjamin Bushong, Antonio Rangel. A Neurocomputational Model of Altruistic Choice and Its Implications. Neuron, 2015; 87 (2): 451 DOI: 10.1016/j.neuron.2015.06.031
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O exercício mental, como a meditação, pode mudar as nossas mentes!

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Usando ressonância magnética funcional, Davidson mostrou que a meditação na compaixão, mesmo em praticantes de curto prazo, induziu alterações significativas nos padrões de actividade funcional do cérebro.
Richard Davidson, um dos principais cientistas do cérebro do mundo, acredita que o exercício mental, especificamente a meditação, pode literalmente mudar as nossas mentes.

"Os dados das investigações mostram que a prática mental pode induzir mudanças duradouras no cérebro", disse Davidson, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Wisconsin-Madison.

A sua pesquisa científica surpreendente sobre o impacto da meditação no funcionamento do cérebro e tem implicações que vão além do plano físico. Os monges budistas acreditam que os atributos mentais e as emoções positivas como a compaixão, a bondade e empatia são competências que podem ser cultivadas. A ciência tem comprovado isso mesmo.

Health: Mental exercise like meditation can literally change our minds

Usando uma rede de sensores geodésica de 128 canais, O monge Budista Matthieu Ricard senta-se num quarto à prova de som e prepara-se para um electroencefalograma (EEG) na Universidade de Wisconsin-Madison. Ricard é um participante de longa data do estudo em curso liderado por Richard J. Davidson que monitoriza as ondas cerebrais dos participantes durantes várias formas de meditação, includindo a meditação na compaixão. Davidson é o director dos laboratórios Waisman for Brain Imaging and Behavior (WLBIB) e do William James e Professor universitário de  Psicologia e de Psiquiatria.

Photografia por: Jeff Miller,  University of Wisconsin-Madison University.

Davidson começou a meditar em 1974, quando era um estudante de doutoramento em Harvard. Naquela época, a meditação era vista como uma importação oriental, algo exótico e estranho. Foi quando conheceu o Dalai Lama, em 1992, que Davidson "decidiu sair do armário o seu interesse na meditação". Ficou animado com a possibilidade de aplicar o estudo científico rigoroso na prática da meditação.

"Fiz um compromisso de fazer o meu melhor para levar os instrumentos tão bem afinados em estudar o medo e a ansiedade e aplicá-los na investigação da bondade e da compaixão."

Davidson começou um estudo, que ainda está em curso, do cérebro de monges budistas, os chamados "atletas olímpicos" da meditação, cada um dos quais haviam realizado pelo menos 10.000 horas de meditação. "O trabalho foi enquadrado na pesquisa sobre a neuroplasticidade, segundo a qual o cérebro muda em resposta à experiência", disse Davidson.


Usando ressonância magnética funcional, Davidson mostrou que a meditação na compaixão, mesmo em praticantes de curto prazo, induziu alterações significativas nos padrões de actividade funcional do cérebro.
Davidson, que publicou as suas descobertas sobre a meditação nas mais prestigiadas revistas científicas do mundo, acredita que mesmo o chamado " set-point da felicidade" (a ideia de cada pessoa tem um determinado nível de felicidade determinada geneticamente) de cada pessoa pode ser modificado positivamente.

As aplicações potenciais incluem intervenções não-farmacológicas ou tratamento complementar para a depressão, bem como questões comportamentais e relacionada ao stress.

Davidson pensa que em 2050 o treino mental será entendido como sendo tão importante quanto o exercício físico.

Adaptado de:http://www.vancouversun.com/sports/health+mental+exercise+like+meditation+literally+change+minds/2035205/story.html ~

Treino na Compaixão e a Mente Errante

emocoes mindfulness
Uma maneira de diminuir a divagação mental é através de práticas que melhoram a atenção plena, ou o estado de atenção sem julgamento, centrado no momento presente...

A meditação na compaixão cultiva pensamentos benevolentes em relação a si mesmo e em relação a todos os seres. É diferente neste aspecto de outras formas de meditação, no sentido de que os participantes são "guiados" através de pensamentos compassivos. Os resultados da investigação "A Wandering Mind is a Less Caring Mind", publicada recentemente no Journal of Positive Psychology, é o primeiro estudo que demonstra que o treino formal de compaixão diminui a tendência para a mente vaguear, enquanto aumenta o comportamento cuidador, não só para com os outros, mas para consigo mesmo, disse James Doty, um co-autor do estudo, neurocirurgião em Stanford e fundador e diretor do Stanford's Center for Compassion and Altruism Research and Education.

A "Mente errante" é a incapacidade de ter os seus pensamentos num único tópico por muito tempo. Investigações anteriores sugerem que as pessoas gastam até 50% das suas horas no período de vigília na divagação mental, muitas vezes sem o perceber. Doty afirmou que Mindfulness, ou Atenção Plena, é extremamente útil no mundo de hoje, com a miríade de distracções, tornando difícil e responder às tarefas necessárias.



Ao fechar os olhos e envolver-se no treino da atenção através de uma prática de mindfulness não só diminuiu os efeitos fisiológicos negativos da distracção, que podem resultar em ansiedade e medo, mas aumenta a capacidade de atender às tarefas importantes e não ter uma resposta emocional ao diálogo, muitas vezes negativo, que é frequente em muitos indivíduos, disse Doty.

Cultivar mindfulness

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Uma maneira de diminuir a divagação mental é através de práticas que melhoram a atenção plena, ou o estado de atenção sem julgamento, centrado no momento presente, disseram os investigadores. Distinta de outras formas de meditação, o treino de meditação compassiva envolve o reconhecimento e o desejo de aliviar o sofrimento dos outros e o seu próprio. Assim, há uma ênfase da sua atenção sobre uma determinada pessoa, objeto ou situação, em vez de se engajar em meditação sem nenhum objecto específico.

Como os investigadores notaram, a compaixão é definida como uma tomada de consciência do sofrimento, pela preocupação empática, pelo desejo de ver o alívio desse sofrimento, e uma capacidade de resposta ou de prontidão para ajudar a aliviar esse sofrimento.

O estudo em questão examinou 51 adultos durante um programa de meditação compassiva, medindo vários estados da mente-errante (tópicos neutros, agradáveis ​​e desagradáveis), e comportamentos cuidadores para si e para os outros. Os participantes participaram num programa secular de formação em meditação compassiva, desenvolvido na Universidade de Stanford, que consiste em nove sessões de duas horas com um instrutor certificado.

Eles foram incentivados a meditar pelo menos 15 minutos diariamente e se possível 30 minutos. Em vários intervalos de tempo os participantes foram convidados a responder a perguntas tais como: "está a pensar em algo diferente do que está a fazer no momento?" e "Já fez alguma coisa hoje que seja cuidador de si mesmo e, em seguida, de alguém?
Os investigadores também deram aos participantes exemplos de "comportamentos cuidadores ou bondosos" - tais como visitar pessoas num lar de idosos, ajudar uma criança com os trabalhos de casa ou em aprender algo novo, e dizer a um amigo, familiar ou colega de trabalho o quanto os valoriza.

Resultados

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Os resultados deste estudo indicaram que a meditação na compaixão diminuiu a mente-errante para os temas neutros e aumentou os comportamentos cuidadores para consigo mesmo. Além disso, quanto mais os participantes praticaram meditação na compaixão maiores as suas reduções na mente-errante para os temas desagradáveis ​​e aumentos na mente que vaguea para temas agradáveis, ambos os quais foram relacionados ao aumento nos comportamentos de cuidar de si e dos outros, de acordo com o estudo.




A mente vaguear nem sempre é problemático
Os investigadores afirmaram que este estudo é o primeiro a fornecer um suporte inicial para o treino formal na compaixão, indicando que pode reduzir a divagação mental e aumentar os comportamentos cuidadores de si e dos outros. Doty observou que, por si só, a mente vaguear pode não ser necessariamente negativo. Ao contrário da divagação mental que derivou para temas negativos ou neutros, os investigadores não encontraram uma diminuição nos comportamentos cuidadores de si e dos outros quando a mente vagueava para os tópicos positivos.
As pessoas permitem que as suas mentes 'ande sem destino' por escolha ou por acidente, porque às vezes produz recompensas concretas - tais como uma visão intelectual ou mesmo a sobrevivência física. Por exemplo, pode ser relevante reler uma linha de texto três vezes porque a nossa atenção se afastou, se essa mudança de atenção produziu um insight chave ou um tema agradável. Isto contrasta com a divagação mental que desencadeia, por exemplo, uma avalanche de ansiedade e de medo.
Doty observou que um dos traços evolutivos da espécie humana é a capacidade de monitorizar possíveis ameaças e imediatamente concentrar a atenção sobre nessa ameaça.

"Se existirem muitas dessas ameaças ou, no caso de viver numa grande cidade com tantos estímulos, pode levar que o nosso sistema interno analise tais estímulos como ameaças e pode levar-nos à sensação de opressão, ansiedade e exaustão", afirmou ele. Doty acrescentou ainda que a divagação mental pode ser reflexo desta realidade à medida que a nossa atenção continua a ser desviada.
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21 razões cientificamente validadas para a prática da Meditação


Pensa que a meditação é uma atividade solitária? Pode ser (a menos que medite num grupo), mas esta prática realmente aumenta o seu sentido de conexão com os outros. A grande maioria dos 'ocidentais' não praticam meditação. No entanto, nos últimos anos, a meditação tem ganho largos milhares de praticantes, ajudando-os a tornarem-se melhores pessoas e a resolver/aliviar muitos problemas da sua vida.
Qualquer condição que seja causada ou agravada pelo stresse pode ser aliviada através da meditação. Tem sido aceite como uma terapia útil para a ansiedade e a depressão há mais de uma década. Está a ser utilizada nas escolas, equipas desportivas profissionais e unidades militares para melhorar o desempenho, e é uma forma de ajudar as pessoas que sofrem de dor crónica, dependências, entre outros problemas de saúde. Existe ainda alguma evidência de que a atenção plena pode ajudar com os sintomas de certas condições físicas, tais como a síndrome do intestino irritável, cancro e VIH.
Nos últimos 20 anos, centenas de estudos científicos foram realizados. Aqui ficam 21 razões, cientificamente validadas, para que criar motivação e começar hoje a sua prática.


Reforça a sua saúde

1 - Aumenta a função imunológica - ver em psychosomaticmedicine e sciencedirect
2 - Diminui a dor - ver em pmc
3 - Diminui a inflamação a nível celular - ver em sciencedirectsciencedirect e sciencedirect
4- Melhora a saúde do seu coração - ver em Heart Health Association


Aumenta a sua felicidade

5 - Aumenta as emoções positivas - ver em psychosomaticmedicine e apa
6 - Diminui a depressão - ver em springer, thelancet e CAMH
7 - Diminui a ansiedade - ver em liebertpub e psychiatryonline e sciencedirect
8 - Diminui o stress - ver em apa e psychosomaticmedicine


Reforça a sua Vida Social

Pensa que a meditação é uma atividade solitária? Pode ser (a menos que medite num grupo), mas esta prática realmente aumenta o seu sentido de conexão com os outros:

9 - Aumenta a conexão social e inteligência emocional - ver em apa e apa
10 - Permite elevar os níveis da sua compaixão - ver em psycologicalsciencestanfordsagepub e daviddesteno
11 - Diminui o sentimento de solidão - ver em sciencedirect


Aumenta o seu Auto-Controlo

12 - Melhora a sua capacidade de regular as suas emoções - ver em stanford
13 - Melhora a sua capacidade de introspecção - ver em berkeley

Altera o seu Cérebro (para melhor)

14 - Aumenta a massa cinzenta - ver em sciencedirect
15 - Aumentos de volume em áreas relacionadas com a Regulação Emocional, Emoções Positivas e Auto-Controlo - ver em sciencedirect e psychosomaticmedicine
16 - Aumenta a espessura cortical em áreas relacionadas com a atenção - ver em ncbi


Aumenta a sua Produtividade (sim, não fazendo nada)

17 - Aumenta o seu foco e a sua atenção - ver em springeracmplosbiology e sciencedirect
18 - Melhora a sua capacidade de multitarefa - ver em acm
19 - Melhora a sua memória - consultar em sciencedirect
20 - Melhora a sua capacidade de ser criativo e pensar "fora da caixa" - ver a investigação de J. Schooler (ucalifornia-sb)

21. Torna-o mais Sábio
Não no sentido intelectual, mas permite-lhe ter perspetiva: Ao observar a sua mente, percebe que não tem que ser escravo dela. Percebe que faz birras, fica mal-humorado, ciumento, feliz e triste, mas que não tem que se identificar com esses estados mentais. A meditação é simplesmente um processo de higiene mental: limpar o lixo, ajustar os seus talentos, e entrar em contato consigo mesmo. Pense nisso, toma banho todos os dias para limpar o seu corpo, faz, provavelmente, algum tipo de atividade física, mas já o que faz com a sua mente? Para além de a sobrecarregar com milhares de estímulos diariamente?

Como consequência da prática meditativa vai sentir-se mais calmo, sereno, com a forte possibilidade de ver as coisas com maior perspetiva. "A qualidade da nossa vida depende da qualidade da nossa mente", escreve Sri Sri Ravi Shankar.

Não podemos controlar o que acontece do lado de fora, mas temos uma "palavra a dizer" sobre a qualidade da nossa mente. Não importa o que está acontecer, se a sua mente está ok, tudo pode estar melhor. Agora!

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Meditação e Saúde do Coração

Reservar alguns minutos para relaxar todos os dias pode ajudar a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares. É uma ideia preconizado pela Associação Americana do Coração (Heart Health Association).

A meditação é uma prática - muitas vezes usando a respiração profunda, contemplação silenciosa ou foco sustentado em algo relativamente neutro, como a cor, a frase ou som - que ajuda a diminuir o stresse e a sentir-se em paz, mantendo um estado mental relaxado.

"Pense na prática da meditação como férias do stresse da sua vida durante 20 a 30 minutos", afirmou Richard A. Stein, professor de medicina e director do Programa de Exercício e Nutrição no Centro da Universidade de Nova York para Prevenção de Doenças Cardiovasculares.

A resposta ao stresse  (distress) é o sistema de alarme natural do seu corpo. Ela é responsável pela libertação de várias hormonas, como por exemplo a adrenalina, que faz com que, por exemplo, a sua respiração acelere e a sua frequência cardíaca e pressão arterial subam.

Mas essa resposta de "luta ou fuga" pode cobrar uma factura alta ao seu corpo, se for mantida por muito tempo ou se acontecer repetidas vezes. "Quando éramos homens das cavernas a adrenalina ajudou-nos a estar prontos para fugir dos perigos, como por exemplo um ataque de um tigre" disse Stein. "Hoje, todos os tigres estão nas nossas cabeças."

Para as pessoas com doença cardiovascular, a meditação proporciona uma técnica para reduzir o stresse e se concentrarem em coisas que podem fazer para serem mais saudáveis, afirmou Stein. "A meditação é uma forma de permitir que venha a equilibrar a sua vida e também pode ajudá-lo a dormir melhor, que é uma parte muito importante de restauração da saúde física."

Estudos recentes têm oferecido resultados promissores sobre o impacto da meditação na redução da pressão arterial. Um estudo de 2012 mostrou os afro-americanos com doença cardíaca que praticavam regularmente meditação transcendental tinham menos 48 por cento de probabilidade de ter um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral ou de morrer em comparação com os afro-americanos que participaram de uma aula de educação de saúde ao longo de mais de cinco anos.

Embora a meditação pode oferecer uma técnica para diminuir o stresse e o risco de doença cardíaca, Stein salienta que não pode substituir outras mudanças de estilo de vida importantes, como comer de forma mais saudável, a perda ou a gestão de peso, redução de sal ou praticar atividade física regular. Também não é um substituto para a medicação com o seu médico possa ter prescrito como parte de um plano de tratamento.

A meditação deve ser um complemento de medicamentos prescritos e programas de dieta e exercício, não uma substituição, afirmou Stein.

Aprenda a gerir o Stresse

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A Meditação em contexto médico

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Mindfulness é um aspecto da experiência meditativa que reflete a capacidade humana básica fundamental para prestar atenção a aspectos relevantes da experiência, numa forma mental não julgadora e não reactiva, que por sua vez cultiva o pensamento claro, a equanimidade, a compaixão e a abertura do coração.

A prática da meditação em contexto médico tem demonstrado ser uma excelente terapia coadjuvante para muitas doenças e um meio essencial e primordial de manutenção da saúde holística e bem-estar.
Ao invés de ser um conceito marginal, a meditação é agora amplamente conhecida e aceite como uma prática mente-corpo benéfica, quer pela população em geral quer pela comunidade científica.

A já extensa investigação demonstra os benefícios da prática da meditação para uma ampla variedade de condições médicas. São necessários mais esforços para operacionalizar e aplicar a prática da meditação em contextos educacionais, clínicos e médicos, de forma a que seja prática, eficaz e significativa.



O que é a meditação?
Encontrada em culturas, tradições espirituais e sistemas de cura em todo o mundo, especialmente no oriente, a meditação é uma prática mente-corpo com muitos métodos e variações, que se fundamentam na atenção plena no silêncio e na quietude, no não julgamento e na ênfase no momento presente.

Embora as práticas de meditação contemplativa estejam enraizadas nas tradições espirituais do mundo, a prática da meditação não exige crença em qualquer sistema religioso ou cultural específico. O aumento da pesquisa e familiarização da meditação mindfulness nos campos da neurociência , psicologia e medicina têm levado a uma maior compreensão da consciência e a melhorar o tratamento em muitos problemas de saúde.


Mindfulness é um aspecto da experiência meditativa que reflete a capacidade humana básica fundamental para prestar atenção a aspectos relevantes da experiência, numa forma mental não julgadora e não reactiva, que por sua vez cultiva o pensamento claro, a equanimidade, a compaixão e a abertura do coração. De acordo com o fundador do Centro para Mindfulness da Universidade de Massachusetts, Jon Kabat-Zinn, a meditação é muito simples. É sobre parar e estar presente. Isso é tudo.

O objectivo declarado da atenção plena é manter a consciência fluída num processo experiencial, momento a momento, que ajuda a libertação do forte apego a crenças, pensamentos e emoções de uma forma que gera maior sentido de equilíbrio emocional e bem-estar (Ludwig & Kabat-Zinn, 2008). Esta simples afirmação, ainda que radical tem o potencial de grande alcance benéfico terapêutico nos desafios que os cuidados de saúde enfrentam actualmente, como a redução de recursos e o aumento de doenças crónicas influenciadas pelo estilo de vida.

Razões para Meditar
A prática de meditação prescrita pode conduzir ao bem-estar físico e à estabilidade mental, provendo uma base para a saúde e bem-estar, já que eles influenciam diretamente a capacidade da pessoa para enfrentar os desafios decorrentes do stress, a exaustão e a doença. Para a maioria das pessoas, a doença traz à tona sentimentos de confusão, ansiedade, medo, e raiva.

Choque, isolamento, depressão, medo e impotência são algumas experiências comuns que os pacientes enfrentam quando padecem de doença crónica.


De acordo com a experiente professora de meditação Charlotte Joko Beck (1989) "A prática da meditação proporciona competências que dão um maior sentido de auto-determinação - a capacidade de cultivar e utilizar recursos internos para ajudar a enfrentar todas as circunstâncias com equanimidade e clareza".
Sentindo-se fora de controlo pode dar origem a uma reactividade mental e corporal que leva a um aumento da dor e do sofrimento. Aplicando a simples prática de uma consciência que não julga, ao momento presente e viver com esse processo, pode dramaticamente influenciar a sua relação com os agentes geradores de stress quotidianos e esta é uma forma em que a prática da meditação aborda a epidemia das aflições mente-corpo que se expressam fisicamente em insónias, ataques de pânico, refluxo gastroesofágico, enxaquecas, dores de cabeça , dores lombares , pernas inquietas , fibromialgia , fadiga crónica, intestino irritável, e muitas outras condições. Estas e outras condições sobrecarregam desproporcionalmente os sistemas de saúde e, muitas vezes, não respondem ao tratamento convencional.

A Meditação formal é processo com uma orientação para o interior, para a prática da auto-capacitação que pode estimular o processo de cicatrização e ajudar os pacientes e os profissionais de saúde a melhor navegarem através das experiências inquietantes e turbulentas.


Referências bibliográficas

- Ludwig D.S., Kabat-Zinn J. (2008). Mindfulness in medicine. JAMA, 300(11),1350–1352.
- Beck C.J. (1989). Everyday zen. New York: Harper Collins.