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Happiness- A Guide To Developing Life's Most Important Skill



emocoes mindfulness
"A verdadeira e duradoura felicidade não é apenas possível, mas é um nosso direito inato."
#Livros


“Com compaixão, lógica incisiva e humor contagiante,
Matthieu Ricard expõe as falsas e limitadas premissas que
temos sobre o nosso potencial enquanto seres humanos e mostra-nos que a
verdadeira e duradoura felicidade não é apenas possível, mas é um nosso direito inato.
Este é um livro notável de um dos mais sábios e amigos espirituais mais confiáveis "
Richard Gere






Happiness - Table of Contents

Talking About Happiness
Is Happiness the Purpose of Life?
A Two-Way Mirror: Looking Within, Looking Without
False Friends
Is Happiness Possible?
The Alchemy of Suffering
The Veils of the Ego
When Our Thoughts Become Our Worst Enemies
The River of Emotion
Disturbing Emotions: The Remedies
Desire
Hatred
Envy
The Great Leap to Freedom
A Sociology of Happiness
Happiness in the Lab
Happiness and Altruism: Does Happiness Make Us Kind or Does Being
Kind Make Us Happy?
Happiness and Humility
Optimism, Pessimism, and Naivete
Golden Time, Leaden Time, Wasted Time
One with the Flow of Time
Ethics as the Science of Happiness
Happiness in the Presence of Death
A Path

Felicidade Interna Bruta


Há tantos séculos que a humanidade se debate com a questão da Felicidade, como objecto de reflexão e de estudo e em termos práticos pouco se tem alcançado, principalmente desde a década de 70 do século XX. Numa perspectiva transgeracional temos sido autores, actores, agentes e vítimas da ganância, avidez, ódio, egoísmo...
Perante uma das maiores crises temos a obrigação de mudar a nossa relação ética com tudo e todos que nos rodeiam e de pressionar quem governa.

Exemplos como o do Butão demonstram claramente que o caminho a seguir é simplesmente este:

O Butão é o primeiro país do mundo a pensar a felicidade como um indicador de orientação para políticas públicas. 

O Butão, país da Ásia entre a Índia e o Tibete, criou uma visão alternativa para medir as riquezas de um país na década de 1970. Em vez de somente medir  as riquezas materiais, passou a medir também a Felicidade, o Bem-Estar da população e o Desenvolvimento Sustentável. Criou então o índice Felicidade Interna Bruta (FIB), pois o Produto Interno Bruto (PIB) não dava mais conta
desses conceitos. Os Butaneses combinaram a espiritualidade Budista, com a prática meditativa, e a Economia num modelo único, que é um exemplo para muitas nações tidas como mais desenvolvidas


Vale a pena ver:





Pavan K. Verma , o embaixador da Índia no Butão e um importante comentador social, disse que a difusão da idéia do remoto Butão reflecte a inadequação da actividade económica como uma medida de sucesso.
"Há uma procura para além da realização material. Há muitos aspectos da vida social em países tão diversos como a China e o Reino Unido, que se estão a fragmentar, como as relações familiares e da vida da comunidade. Está-se a tornar um mundo atomizado e individualista..."


O cálculo do FIB inclui o padrão de vida económica, educação de qualidade, saúde, expectativa de vida e longevidade comunitária, protecção ambiental, acesso à cultura, bons critérios de governação, gestão equilibrado e bem-estar psicológico.







Por Vítor Bertocchini

Felicidade - Breve introdução história e científica


A procura da felicidade tem marcado e continua a marcar a história da humanidade. Apesar do seu estudo científico ser relativamente recente, a felicidade como tema de reflexão filosófica remonta até a antiga Grécia. Ryan e Deci (2001) referem que podem ser considerados dois eixos estruturantes em torno dos quais se tem realizado o estudo da felicidade. Um eixo composto pela Eudaimonia e um segundo pela Hedonia.

O Bem-Estar Eudemónico tem origem em Aristóteles e salienta a experiência de crescimento pessoal e a excelência de carácter, sendo o bem-estar considerado como consequência da realização do verdadeiro potencial de cada um (Haybron, 2000). Conceito similar pode ser encontrado no bem-estar psicológico de Ryff (1989; Ryff & Keyes, 1995).

Contrastando com a perspectiva anterior, a perspectiva Hedónica foi desenvolvida também há milhares de anos atrás e foca o sentimento subjectivo do bem-estar ou de prazer. De uma forma geral, o Hedonismo é a filosofia do prazer, a ideia de que o prazer é bom e a dor é negativa. Tem como protagonistas Aristipo (435–366 BCE) e Epicuro (342–270 BCE). Aristipo, rompendo com a tradição socrática, defendeu que o prazer sensorial era melhor do que qualquer outro, pois é mais intenso. Ao contrário de Aristipo, Epicuro preferia os prazeres de longo termo em detrimento dos prazeres imediatos, valorizando os prazeres psicológicos e dando mais atenção aos prazeres do descanso. Ele valorizou especialmente a Ataraxia, que era uma forma de alcançar a tranquilidade emocional e a felicidade através da diminuição da intensidade das paixões e dos desejos.


No século XX o estudo da Felicidade não suscitou grande interesse até ao final da década de 20 do século passado, voltando a ser esquecida a partir da 2ª guerra mundial (Seligman e Csikszentmihalyi, 2000). Somente a partir da década de 60 começaram a aparecer estudos que procuraram mensurar, desde uma perspectiva subjectiva, o bem-estar, a qualidade de vida, a satisfação, a felicidade ou aquilo que as pessoas pensavam que era a “boa vida” (Gurin, Veroff & Feld 1960; Bradburn & Caplovitz, 1965, Bradburn, 1969; Andrews & Withey, 1976; Campbell, Converse & Rodgers, 1976). Tais indicadores sociais subjectivos estariam não só intimamente associados com vários indicadores sociais “objectivos” (rendimento, o número de quartos por casa, saúde, etc.), mas também eram uma excelente forma independente de contribuir para a realização de políticas sociais.

Definição de Felicidade
De acordo com Seligman e Csikszentmihalyi (2000) o Bem-Estar Subjectivo (BES) é um termo mais científico para aquilo que as pessoas usualmente designam por Felicidade. Na perspectiva de Diener e seus colaboradores o BES pode ser considerado como um factor geral incluindo, pelo menos, três conceitos relacionados: (1) presença de afecto positivo; (2) satisfação com a vida e (3) ausência relativa de Afecto negativo (Diener, Scollon, & Lucas, 2003). O BES implica necessariamente uma apreciação subjectiva, pois baseia-se na avaliação da vida da pessoa; (2) dimensão global, pois inclui uma valoração ou juízo de todos os aspectos de sua vida; e (3) a necessária inclusão de medidas positivas, já que a sua natureza vai mais além da mera ausência de factores negativos.

Nesta perspectiva, A Felicidade será constituída por um factor cognitivo (satisfação com a vida) e outro factor emocional (diferença entre o Afecto Positivo e o Afecto Negativo).

Quer o factor cognitivo, quer o emocional podem ser modificados pela prática da meditação.



por Vítor Bertocchini

Mentes distraídas pertencem a pessoas infelizes


Os psicólogos da Universidade de Harvard, Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert utilizaram uma aplicação iPhone específica para "seguir a felicidade". Os resultados indicam que os participantes passaram pelo menos metade do seu tempo diário pensando em muito mais do que as suas actividades do momento, e essa distracção não os faz felizes.

Os seres humanos têm uma capacidade evolutiva única, um "pensamento estímulo-independente", que permite às pessoas aprender, raciocinar e planear. Simultaneamente, esta competência extraordinária possibilita, às nossas mentes distraídas, gastar muito tempo a pensar sobre o que não está acontecer ao nosso redor, mas contemplando eventos que aconteceram no passado e que poderão acontecer no futuro, ou que nunca vão acontecer. E isto acontece com um custo emocional.

Usando uma aplicação iPhone que mede a quantidade de vezes que uma pessoa se encontra distraída durante o dia, numa amostra de 5.000 pessoas, foram recolhidos 250.000 dados sobre pensamentos dos participantes, bem como os seus sentimentos e acções no seu quotidiano. Os voluntários que participaram neste estudo tinham idades compreendidas  entre os 18 e 88 anos, com 74% Americanos. Quando se perguntou sobre o que estavam a fazer, eles poderiam escolher entre uma lista de 22 actividades gerais, como andar, comer, assistir TV ou fazer compras. Os resultados indicam que os sujeitos gastaram 46,9 % do seu tempo, enquanto acordados, pensando em algo diferente daquilo que estavam a fazer, e esta divagação mental, tipicamente, é um bom preditor da infelicidade. 

“Esse estudo mostra que as nossas vidas mentais são preenchidas, a um nível impressionante, pelo não-presente”, diz Killingsworth, um dos psicólogos autores do estudo.




Muitas tradições filosóficas e religiosas ensinam que a felicidade pode ser encontrada ao viver o momento, onde os praticantes treinam a mente para resistir às distracções e às divagações, estando “aqui e agora."
A ênfase no momento presente é talvez a característica mais distintiva do Zen. Na relação ocidental com o tempo escolhemos compulsivamente o passado para aprender lições, para posteriormente projectarmos num futuro hipotético, o momento presente foi comprimido a uma pequena porção no relógio entre um passado vasto e um futuro infinito. Zen, mais do que qualquer outra coisa, é sobre a recuperação e expansão do momento presente.


por Vítor Bertocchini


Participar no seguir a felicidade
Artigo científico em pdf 

Idade, Felicidade e Meditação

A crise da “meia-idade” existe realmente? Às vezes parece uma desculpa para se fazer actos pouco normativos e mesmo selvagens, ou seguir uma vida mais solitária. O corpo começa a sentir mudanças físicas e, apesar de os níveis de energia puderem começar a declinar, muitas pessoas são atraídas para a actividade física. Mas estudos recentes têm mostrado que as mudanças da “meia-idade” não são apenas físicas. A pesquisa científica indica que a felicidade varia em função de muitas dimensões, sendo uma delas a idade. Uma descoberta surpreendente na relação entre a idade e a felicidade é que a progressão da idade não leva a um aumento da felicidade ou infelicidade de uma forma linear.


A curva da felicidade em forma de U

Uma descoberta surpreendente é que a felicidade aumenta até, aproximadamente, aos 30 anos de idade. Depois segue uma fase descendente na meia-idade e, em seguida, volta novamente para níveis mais elevados após os 50 anos. Esta curva da felicidade em forma de U permanece em diferentes contextos culturais. As pessoas são menos felizes entre os 40 e 50 anos, com o ponto global mais baixo aos 46 anos. Passada a meia idade a felicidade aumenta nos anos posteriores, independentemente do dinheiro, do estatuto ou filhos. Estes resultados são também confirmados pela pesquisa publicada em 2010 pelos psicólogos Stone, Schwartz e Broderick, que estudaram a distribuição da idade no bem-estar psicológico nos EUA, envolvendo uma pesquisa telefónica de 340.847 pessoas. Os resultados confirmaram a curva-U para o bem-estar global e identificaram mais claramente os sentimentos negativos ao longo da vida. Eles descobriram que, embora existam algumas diferenças na experiência de sentimentos negativos ao longo do tempo, no geral, parecem seguir a curva-U. Mais especificamente, as preocupações e o stress mostram um declínio nas idades dos 20 aos 30 anos. As preocupações aumentam depois dos 30 anos e são mais elevadas na “meia idade” e depois decresce. A tristeza permanece, em média, relativamente estável ao longo da vida.


O que explica a curva-U da felicidade ao longo da vida?

Por que motivos as pessoas mais velhas, apesar dos crescentes problemas de saúde e menos mobilidade, em média, são mais felizes do que as pessoas mais jovens?

Algumas teorias sugerem:
* Aumento da "sabedoria" em lidar com a vida.
* Menos aspirações e expectativas do Self.
* Sentimento de satisfação e realização.
* Maior apreço pela vida.
* Viver no momento, com menos preocupação relativamente ao futuro.
* A capacidade exclusivamente humana de reconhecer a nossa própria mortalidade e monitorizar os nossos próprios horizontes temporais . Porque as pessoas mais velhas sabem que estão mais perto da morte vivem a vida no momento presente. Eles tendem a focar-se em coisas que importam agora e menos em metas de longo prazo.
* Maior capacidade de regular as emoções do que as pessoas mais jovens
* Menos preocupação em agradar a todos o tempo todo.
* "Efeito" positivo, onde as pessoas mais velhas recordam menos memórias negativas do que os adultos mais jovens.
* Tendência geral para ver situações de forma mais positiva.



A meditação na "meia-idade"

Meditação é uma ferramenta importante para ultrapassar a crise da “meia-idade”, ajudando a cortar o problema pela raiz antes que se torne um sério problema.

Meditação e felicidade duradoura

Auto-consciência (mindfulness, atenção plena) é a chave para a mudança e para a felicidade duradoura.
O primeiro passo para mudar a maneira como criamos a nossa vida é a auto-consciência. Não se pode esperar mudar aquilo que não se está ciente. A auto-consciência proporciona, por exemplo, a clareza para escolher se expressamos emoções de amor ou de ódio. A auto-consciência oferece a possibilidade de pararmos momentos antes de dizer algo destrutivo, ou pensar e acreditar em pensamentos negativos. A auto-consciência é o meio para identificar os nossos padrões inconscientes e criá-los na nossa consciência para que eles possam ser alterados. É através da consciência de si que podemos identificar e alterar as crenças subjacentes que impulsionam comportamentos destrutivos e criar felicidade.


Auto-Consciência é diferente do conhecimento livresco

A auto-Consciência é principalmente uma função de percepção e observação. Ela não pode ser aprendida como disciplinas académicas que enchem a mente com o conhecimento. Ela não pode ser aprendida nos livros que nos dão mais informações para pensar. Aumentar a atenção plena tem mais a ver com o esvaziamento da mente, dos pensamentos tagarelas incessantes para que possamos ver-nos e ver a vida com mais clareza. A auto-consciência é desenvolvida através de exercícios e práticas. A Prática da atenção plena oferece-nos o aqui e o agora. Quando cultivamos a quietude, somos mais capazes de responder em vez de reagir, de libertar as nossas mentes dos pensamentos ruminativos. Deixamos de ir ao passado e permitimos que o futuro continue a ser um mistério. Abandonamos a necessidade de controlar e ficamos mais calmos, mais tranquilos, e mais capaz de ouvir as mais sábias vozes dentro de nós.


Stone, Arthur A., Schwartz, Joseph E., Broderick, Joan E., and Deaton, Angus (2011).
"A snapshot of the age distribution of psychological well-being in the United States." Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 17 May 2010.



por Vítor Bertocchini

Treino para a Felicidade


A prática da meditação pode ser perspectivada como um "treino para a felicidade". Independentemente da nossa idade, não há nunca um momento em que não desejemos ser felizes e livres de sofrimento. A felicidade e o sofrimento são opostos, como a luz e a escuridão. Quanto mais felizes nos tornamos, menos sofremos. A felicidade é parte de quem realmente somos, bem como uma competência que podemos cultivar.

De acordo com os ensinamentos de Buda, a felicidade é um estado de espírito e, portanto, as suas causas reais encontram-
se dentro da mente, não nos objectos externos. A felicidade não depende da pura sorte, nem é um favor divino concedido, por capricho, a alguns escolhidos. Não podemos comprar a felicidade, nem mesmo encontrá-la em qualquer lugar que exista fora da mente. No entanto, cada um de nós possui o potencial para ser feliz, e cada um de nós pode tornar-se feliz e ficar feliz. Como? Ao treinar a nossa mente para que ela seja sempre pacífica e positiva.

A meditação é o meio para encontrar e manter a felicidade na nossa mente, e se estamos felizes na nossa mente, estamos felizes em todos os lugares. A palavra tibetana para meditação é "gom", que literalmente significa "familiarizar."Com o que estamos a familiarizar? Com os estados que são benéficos: concentração, compreensão, compaixão correcta, paciência, humildade, perseverança, etc, ou seja, com os estados mentais positivos que nos fazem felizes. De acordo com essa explicação, a meditação não é algo que simplesmente se faça numa almofada, mas durante todo o curso das nossas vidas.

Como um médico, Buda identificou os estados da mente saudáveis, produtivos que nos fazem tranquilos, contentes, felizes, ou bem-aventurados e os estados insalubres, contraproducentes da mente (ou “delírios”) que nos fazem ansiosos, descontentes, infelizes e deprimidos. Exemplos de mentes positivas são o amor, a compaixão, paciência, bondade e sabedoria. Exemplos de ilusões são "os três venenos mentais" de raiva, apego e ignorância.


Sempre que a nossa mente está livre de “delírios” é naturalmente pacífica e clara. Estamos muitas vezes tão virados para nós mesmos e para os nossos problemas que não conseguimos ver que o padrão natural da nossa experiência é, de facto, ser feliz. Ao aprender a meditar, prestamos atenção às sementes da felicidade dentro de nós. Numa cacofonia urbana somos capazes de ouvir os acordes de uma música que gostamos, e por prestar atenção a essa música, ela torna-se mais alta e mais clara para nossos ouvidos. Da mesma forma, prestando atenção aos pequenos momentos de felicidade que já estão dentro de nós e à nossa volta, de forma gradual e sem forçar a nossa experiência de felicidade ela torna-se mais forte e mais intensa.


por Vítor Bertocchini

Neuroplasticidade: Implicações da Pesquisa Científica





Richard Davidson, PhD, relata a sua pesquisa sobre a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de mudar a sua estrutura e função em resposta à experiência. Baseado na pesquisa do Dr. Davidson com meditadores de longa data, da tradição budista tibetana, ele compara as respostas entre os monges e os não-praticantes. Ele também explora a pesquisa actual sobre felicidade e partilha a sua conclusão de que a nossa compaixão por outros seres humanos pode mudar a nossa biologia.

Alan Wallace sobre a Felicidade






Alan Wallace tem uma característica especial que o diferencia dos seus pares na área da física e da neurobiologia: foi durante 20 anos um monge budista,morou em Dharamsala, na Índia, traduziu mais de 30 livros do tibetano para o inglês, estudou com os mais altos mestres do Tibete e ainda ocupou o posto de intérprete oficial de sua santidade, o Dalai-Lama. Hoje, novamente como cientista e físico e autor de quarto importantes livros sobre ciência e práticas contemplativas, Wallace comanda um verdadeiro exército de neurocientistas, antropólogos, sociólogos e psicólogos no Instituto Santa Bárbara de Estudos da Consciência, na Califórnia.