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Mindfulness: uma excelente forma de aliviar a ansiedade






Vivemos uma grande parte da nossa vida com preocupações inúteis. Pequenas tensões aqui e ali que se vão acumulando em stress e por vezes transformando-se numa ansiedade debilitante. Imaginamos os piores cenários sobre o futuro, a agenda sobrelotada, as questões financeiras e recordamos o passado com nostalgia. Permitimos ser consumidos por um frenesim desnecessário.

Seria interessante que em vez de sermos arrastados por esses pensamentos 'negativos', pudessemos estar conscientes (Mindful). Esta situação é possível pela prática de Mindfulness.
Mindfulness é uma prática que nos permite estar plenamente presentes no momento, com o que está a acontecer, 'bom' ou 'mau' ou 'neutro'.

A ansiedade é um desperdício de tempo?

A ansiedade, na sua essência, é uma forma irracional de medo. Capturados pelo medo tendemos a pensar que algo mau pode acontecer a qualquer momento, que não somos bom o suficiente, ou que alguém pode estar a pensar negativamente acerca de nós.

O mundo da ansiedade é um mundo de ficção. Para os nossos antepassados o medo constante era uma necessidade. Quando só os fortes sobreviviam, estar sempre vigilante ao perigo era necessário. Esta capacidade contribuiu para a continuidade da espécie, permintindo lutar/fugir com/dos predadores, procurar abrigo, comida e água.

Nas sociedades contemporâneas, felizmente, as nescessidade básicas estão satisfeitas. Não precisamos de nos preocupar com ameaças à espreita em cada esquina. No entanto, certas partes primitivas do nosso cérebro ainda são fortemente propensas a produzir medo e ansiedade. E agora, o medo é activado não por ameaças reais, tal como no passado remoto, mas por ameçadas percepcionadas. Isto significa que temos a capacidade de transformar um evento real, não ameaçador, num evento altamente nocivo para a nossa saúde mental e física.



Reconhecer a Ansiedade

É fácil entendermos que a ansiedade é contraproducente, mas isso não nos ajuda, por si só, a não senti-la ou a não sermos afetados. A ansiedade inevitavelmente descobre caminhos para nos encontrar, mas em vez de permitir que ela se multiplique devemos ser rápidos a reconhecê-la e a procurar uma 'cura'.


Entrando no modo de Mindfulness

Embora haja uma abundância de estratégias que podemos usar para aliviar a ansiedade, Saliento uma prática, altamente eficaz: mindfulness.

Se usado correctamente, Mindfulness é quase infalível para ajudar a aliviar o stress e as preocupações.

Então o que é?
Mindfulness é uma actividade consciente. É uma proposta para fazer o oposto daquilo que as nossas mentes fazem naturalmente. Ou seja, no quotidiano as nossas mentes vagueiam sem controlo, pensando numa míríade de coisas, saltando de assunto em assunto. Quando praticamos estar conscientes trabalhamos activamente este fenómeno. Procuramos foco na tarefa presente e no momento presente.


A necessidade da prática

Actualmente, com a sobrestimulação sensorial as capacidades de estar consciente e atento estão absolutamente fragmentadas. Tal como a maioria das competências, Mindfulness deve ser desenvolvida e refinada. No entanto, mindfulness é incrível, porque podemos praticá-la quando quisermos, onde quisermos, pelo tempo que desejarmos.

Inicialmente descobrimos que a nossa mente divaga a uma velocidade alucinante. É difícil acalmar a torrente dos pensamentos e das emoções. Isto é completamente natural e expectável. Procuramos seguir a nossa respiração e as sensações que ela tem no nosso corpo por um período de tempo que pode ir de alguns segundos até o tempo que desejar. Suegere-se iniciar com sessões curtas, de alguns minutos várias vezes ao dia. Com o tempo aumentamos as sessões e diminuimos a frequência para uma a duas vezes por dia.

Podemos ver tudo como uma oportunidade para estar consciente. Podemos praticar mindfulness durante as caminhadas e em todas as tarefas rotineiras. Uma vez iniciado o processo ele tornara-se-á mais fácil de praticar, conseguindo períodos de atenção focada cada vez maiores e uma paz e tranquilidade também crescentes.

Procure praticar seguindo uma das meditações guiadas em:
Ver práticas guiadas


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O Stress e Os Efeitos Negativos Na Sua Mente


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O que é o Stress?

De forma simples, o stress é uma resposta biológica e psicológica vivida no encontro daquilo que percebemos como ameaça.
Um agente gerador de stress é o estímulo (ou ameaça), que provoca o stress. Por exemplo, exame, divórcio, morte de um ente querido, mudança de casa, perda de emprego.
Numa primeira fase, julgamos a situação e decidimos se é ou não é ameaçadora. Esta decisão é tomada com base em estímulos sensoriais e de processamento (ou seja, as coisas que vemos e ouvimos na situação, e também em memórias armazenadas (ou seja, o que aconteceu na última vez que estivemos numa situação aparentemente similar).

Como é ativado?

Se a situação é julgada como sendo de ameaça é ativado o eixo HPA (Hipotálamo, Pituitária e glândulas Adrenais). O hipotálamo (na base do cérebro) é então ativado. O hipotálamo é responsável pelo início da resposta ao stress. Quando esta resposta é acionada são enviados sinais para outras duas estruturas: a glândula pituitária, e a medula adrenal, que desencadeiam um conjunto de reações em cadeia, também conhecida como resposta de luta, (congelamento) ou fuga.

O stress repentino e severo geralmente produz:
Aumento da frequência cardíaca;
Aumento da frequência respiratória;
Diminuição da actividade digestiva;
Glicose hepática libertada para energia

Como reação de emergência, o stress despoleta comportamentos imediatos, em certas ocasiões irracionais e frequentemente repetitivos. Lembre-se que existe uma padrão típico de reatividade pessoal.

Um certo nível stress é necessário

Se na vida não existissem desafios ela tornar-se-ia monótona. Todos nós temos stress e um nível razoável até é benéfico para o organismo – o eustress, que é diferente do stress negativo – o distress (vulgarmente denominado de stress).
Mesmo os eventos de vida positivos podem ser considerados geradores de stress. Por exemplo, a maioria das pessoas pensa que iniciar um novo emprego ou ter um filho como boas mudanças. E a maioria das pessoas acha que essas boas mudanças também são stressantes.

Assim, o stress tem também as suas vantagens: para além de nos retirar de situações de emergência vitais, ajuda-nos a melhorar o rendimento e a termos uma maior atenção e mais energia em certas situações. Mas isto é apenas verdade até certo ponto, pois a partir de um determinado nível de stress não há aumento dos aspetos positivos, pelo contrário. Pode ser esquematizado num gráfico em forma de sino: à medida que o stress aumenta, o rendimento melhora até ao ponto de corte, a partir do qual se inverte o processo.

O Stress Crónico - uma bomba relógio!

Quando é stress é continuado, o tipo que a maioria de nós enfrenta dia após dia, ele realmente começa a mudar o seu cérebro e a ter um impacto altamente negativo no seu organismo. O stress crónico, como estar sobrecarregado ou ter discussões familiares ou no trabalho, pode afetar o tamanho do cérebro, a sua estrutura e a sua função, até mesmo ao nível dos seus genes.
Quando o eixo HPA é ativado, são segregadas as denominadas hormonas do stress, como a adrenalina e o cortisol, por exemplo.


Altos níveis de cortisol durante longos períodos de tempo podem danificar o seu cérebro. O stress crónico aumenta o nível de atividade e o número de conexões neuronais na amígdala, o centro do medo do seu cérebro. E com os níveis de cortisol elevados, os sinais elétricos no seu hipocampo, a parte do cérebro associada à aprendizagem, memórias, e controlo do stress deterioram-se.

O hipocampo também inibe a atividade do eixo HPA. Assim, quando o hipocampo fica mais enfraquecido, o mesmo acontece com a sua capacidade de controlar o seu stress. Isso não é tudo. O cortisol pode literalmente fazer com que seu cérebro diminua de tamanho, resultado da perda de conexões sinápticas entre os neurónios e a diminuição do seu córtex pré-frontal, a parte do seu cérebro os regula comportamentos como a concentração, tomada de decisão, julgamento e interação social. Isso significa que o stress crónico pode tornar mais difícil o seu processo de aprendizagem e e de recordar, e também prepara o cenário para problemas mentais mais sérios, como a depressão e, eventualmente, a doença de Alzheimer.


atualmente áreas com forte interesse são a Epigenética e a Herança Epigenética.


Trata-se da ideia de como a nossa informação genética transmite mais informações do que a própria sequência de letras codificadas nos seus pares de bases do ADN. Foi demonstrado que vários tipos de stress induziram essas mudanças epigenéticas, mas os mecanismos subjacentes envolvidos permanecem desconhecidos.

Resumindo, os efeitos do stress podem também impacto no ADN do seu cérebro e eventualmente passar essa informação para as próximas gerações.


Há várias formas de reverter aquilo que o stress faz ao seu cérebro.

As atividades com maior impacto são a atividade física e a Meditação.

Controle os seus níveis de stress antes que o stress controle a sua vida.




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21 razões cientificamente validadas para a prática da Meditação


Pensa que a meditação é uma atividade solitária? Pode ser (a menos que medite num grupo), mas esta prática realmente aumenta o seu sentido de conexão com os outros. A grande maioria dos 'ocidentais' não praticam meditação. No entanto, nos últimos anos, a meditação tem ganho largos milhares de praticantes, ajudando-os a tornarem-se melhores pessoas e a resolver/aliviar muitos problemas da sua vida.
Qualquer condição que seja causada ou agravada pelo stresse pode ser aliviada através da meditação. Tem sido aceite como uma terapia útil para a ansiedade e a depressão há mais de uma década. Está a ser utilizada nas escolas, equipas desportivas profissionais e unidades militares para melhorar o desempenho, e é uma forma de ajudar as pessoas que sofrem de dor crónica, dependências, entre outros problemas de saúde. Existe ainda alguma evidência de que a atenção plena pode ajudar com os sintomas de certas condições físicas, tais como a síndrome do intestino irritável, cancro e VIH.
Nos últimos 20 anos, centenas de estudos científicos foram realizados. Aqui ficam 21 razões, cientificamente validadas, para que criar motivação e começar hoje a sua prática.


Reforça a sua saúde

1 - Aumenta a função imunológica - ver em psychosomaticmedicine e sciencedirect
2 - Diminui a dor - ver em pmc
3 - Diminui a inflamação a nível celular - ver em sciencedirectsciencedirect e sciencedirect
4- Melhora a saúde do seu coração - ver em Heart Health Association


Aumenta a sua felicidade

5 - Aumenta as emoções positivas - ver em psychosomaticmedicine e apa
6 - Diminui a depressão - ver em springer, thelancet e CAMH
7 - Diminui a ansiedade - ver em liebertpub e psychiatryonline e sciencedirect
8 - Diminui o stress - ver em apa e psychosomaticmedicine


Reforça a sua Vida Social

Pensa que a meditação é uma atividade solitária? Pode ser (a menos que medite num grupo), mas esta prática realmente aumenta o seu sentido de conexão com os outros:

9 - Aumenta a conexão social e inteligência emocional - ver em apa e apa
10 - Permite elevar os níveis da sua compaixão - ver em psycologicalsciencestanfordsagepub e daviddesteno
11 - Diminui o sentimento de solidão - ver em sciencedirect


Aumenta o seu Auto-Controlo

12 - Melhora a sua capacidade de regular as suas emoções - ver em stanford
13 - Melhora a sua capacidade de introspecção - ver em berkeley

Altera o seu Cérebro (para melhor)

14 - Aumenta a massa cinzenta - ver em sciencedirect
15 - Aumentos de volume em áreas relacionadas com a Regulação Emocional, Emoções Positivas e Auto-Controlo - ver em sciencedirect e psychosomaticmedicine
16 - Aumenta a espessura cortical em áreas relacionadas com a atenção - ver em ncbi


Aumenta a sua Produtividade (sim, não fazendo nada)

17 - Aumenta o seu foco e a sua atenção - ver em springeracmplosbiology e sciencedirect
18 - Melhora a sua capacidade de multitarefa - ver em acm
19 - Melhora a sua memória - consultar em sciencedirect
20 - Melhora a sua capacidade de ser criativo e pensar "fora da caixa" - ver a investigação de J. Schooler (ucalifornia-sb)

21. Torna-o mais Sábio
Não no sentido intelectual, mas permite-lhe ter perspetiva: Ao observar a sua mente, percebe que não tem que ser escravo dela. Percebe que faz birras, fica mal-humorado, ciumento, feliz e triste, mas que não tem que se identificar com esses estados mentais. A meditação é simplesmente um processo de higiene mental: limpar o lixo, ajustar os seus talentos, e entrar em contato consigo mesmo. Pense nisso, toma banho todos os dias para limpar o seu corpo, faz, provavelmente, algum tipo de atividade física, mas já o que faz com a sua mente? Para além de a sobrecarregar com milhares de estímulos diariamente?

Como consequência da prática meditativa vai sentir-se mais calmo, sereno, com a forte possibilidade de ver as coisas com maior perspetiva. "A qualidade da nossa vida depende da qualidade da nossa mente", escreve Sri Sri Ravi Shankar.

Não podemos controlar o que acontece do lado de fora, mas temos uma "palavra a dizer" sobre a qualidade da nossa mente. Não importa o que está acontecer, se a sua mente está ok, tudo pode estar melhor. Agora!

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Um Coração Grato é Um Coração Mais Saudável

emocoes mindfulness
Reconhecer e agradecer os aspectos positivos da vida pode resultar na melhoria mental, física e, finalmente, na saúde dos pacientes com insuficiência cardíaca assintomática, de acordo com a investigação publicada pela American Psychological Association.

Descobrimos que maior gratidão nestes pacientes foi associado com melhor humor, melhor sono, menos fadiga e níveis mais baixos de marcadores inflamatórios relacionados com a saúde cardíaca, disse o principal autor Paul J. Mills, PhD, professor de medicina familiar e de saúde pública da Universidade da Califórnia, San Diego, num comunicado apresentado pela Newswise.



A gratidão é parte de uma perspectiva mais ampla sobre a vida e que envolve perceber e apreciar os aspectos positivos da vida. Ela pode ser atribuída a uma fonte externa (por exemplo, um animal de estimação), ou a uma entidade não-humana (por exemplo, Deus). Também é habitualmente um aspecto da espiritualidade, referiu Mills. Porque a investigação anterior mostrou que pessoas que se consideravam mais espirituais tiveram maior bem-estar geral, incluindo saúde física, Mills e seus colaboradores examinaram o papel de espiritualidade e da gratidão em marcadores de saúde potenciais em pacientes.

Estrutura do Estudo
O estudo envolveu 186 homens e mulheres que tinham sido diagnosticados com insuficiência cardíaca, assintomática (Fase B), há pelo menos três meses. A fase B é composta por pacientes que desenvolveram doença cardíaca estrutural (por exemplo, ter tido um ataque cardíaco que danificou o coração), mas não mostram sintomas de insuficiência cardíaca (por exemplo, falta de ar ou cansaço). Este estágio é uma importante janela terapêutica para travar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida, já que os pacientes na fase B estão em alto risco de progressão para insuficiência cardíaca sintomática (Fase C), onde o risco de morte é cinco vezes maior, de acordo com Mills.

Usando testes psicológicos padronizados, os investigadores obtiveram pontuações para gratidão e bem-estar espiritual. Eles então compararam essas pontuações com resultados dos pacientes na gravidade dos sintomas depressivos, qualidade do sono, fadiga, auto-eficácia (crença na capacidade de um para lidar com uma situação) e marcadores inflamatórios. Eles encontraram que resultados mais elevados na gratidão foram associados com melhor humor, sono de melhor qualidade, mais auto-eficácia e menos inflamação. A inflamação, muitas vezes pode agravar a insuficiência cardíaca.

Resultados
O que surpreendeu os investigadores, porém, foi que a gratidão, total ou parcialmente, foi responsável pelos efeitos benéficos do bem-estar espiritual.
Descobrimos que o bem-estar espiritual foi associada com melhor humor e sono, mas dentro da espiritualidade, a gratidão foi o aspecto com mais impacto nesses efeitos positivos, e não a espiritualidade em si, disse Mills.

Para testar ainda mais as suas conclusões, os investigadores pediram a alguns dos pacientes que escrevessem três coisas pelas quais eram gratos a maioria dos dias da semana, durante oito semanas. Ambos os grupos continuaram a receber atendimento clínico regular durante esse tempo.

Descobrimos que os pacientes que mantiveram diários de gratidão nessas oito semanas demonstraram reduções nos níveis sanguíneos de vários biomarcadores inflamatórios importantes, bem como um aumento na variabilidade da frequência cardíaca, enquanto escreviam. A variabilidade da frequência cardíaca melhorada associada a menor risco cardíaco, disse Mills.
Parece que um coração mais grato é de facto um coração mais saudável, e que expressar a gratidão é uma maneira fácil para apoiar a saúde cardíaca.
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Referência Bliográfica:
Paul J. Mills, Laura Redwine, Kathleen Wilson, Meredith A. Pung, Kelly Chinh, Barry H. Greenberg, Ottar Lunde, Alan Maisel, Ajit Raisinghani, Alex Wood, Deepak Chopra. The role of gratitude in spiritual well-being in asymptomatic heart failure patients. Spirituality in Clinical Practice (2015).
DOI: 10.1037/scp0000050.

A solução para muitos dos problemas de sono: Mindfulness



Sono - um desafio

Obter uma boa noite de sono pode ser um desafio, especialmente à medida que envelhecemos. Cerca de metade de todos os adultos mais velhos relatam dificuldades em dormir. Isso pode torná-los mais propensos a experimentar problemas de saúde física ou mental, problemas de memória, e quedas, devido à falta de equilíbrio.
Os adultos mais velhos também têm um menor sono profundo do que as pessoas mais jovens e o seu sono é mais facilmente interrompido. À medida que envelhecemos, o nosso relógio biológico ou "ritmos circadianos" mudam. Vamos mudando para um padrão menos diferenciador entre o sentir sonolento ou acordado. Também nos sentimos mais sonolentos mais cedo à noite e tendemos a acordar mais cedo pelas manhãs.

Certas condições médicas comummente sentidas na idade mais avançada e os medicamentos usados para as tratar também podem interferir com o sono. Os tratamentos para dificuldades em dormir incluem medicação para o alívio de curto prazo e tratamentos psicológicos como a terapia cognitivo-comportamental (TCC). A TCC ajuda as pessoas a mudar os pensamentos inúteis e comportamentos que contribuem para a falta de sono. Enquanto que a TCC é muito eficaz para a insónia diagnosticada clinicamente, as pessoas com mais leves dificuldades em dormir podem não precisar de um tratamento desta natureza. Para algumas delas a qualidade do sono pode ser melhorada através de relaxamento e da aprendizagem da redução da tensão física e das preocupações.

Outra abordagem que tem exibido promessas na qualidade do sono é Mindfulness.
Mindfulness é um temo que tem sido traduzido para o Português como Consciência Plena ou mais frequentemente como Atenção Plena. Pode ser considerado como um processo de auto-regulação da atenção, com o objectivo de trazer uma qualidade da consciência não-elaborativa ao momento presente, dentro de uma orientação de curiosidade, abertura experiencial e aceitação.

Mindfulness envolve o foco deliberado no que estamos a viver, pensando ou sentindo no momento presente, sem julgar negativamente as nossas experiências. Podemos aprender mindfulness, tornando-nos mais conscientes de onde focamos a nossa atenção.
Mindfulness é o oposto de distracção ou estar no piloto automático, como quando lê um livro e percebe que não prestou atenção ao que estava escrito nas últimas páginas, porque estava distraído com o planeamento das actividades do dia seguinte.
Mindfulness também envolve a concentração deliberada em coisas que normalmente não presta muita atenção. Por exemplo, pode ter já experimentado mindfulness enquanto ouvia atentamente uma peça de música favorita e deliberadamente focou a sua atenção para o som de apenas um instrumento.

MINDFULNESS - O QUE É? - Ver mais informação


Como pode Mindfulness melhorar a qualidade de sono?


Os resultados de uma investigação publicada recentemente, no JAMA Internal Medicne, liderada por David Black, da Universidade do Sul da Califórnia, sugerem que a prática de mindfulness pode ser particularmente útil para melhorar a qualidade do sono em adultos com idades entre os 55 ou mais anos, com dificuldades leves para dormir.


O PROGRAMA
Para o estudo, os investigadores incluiram 49 pessoas, com pelo menos 55 anos de idade, com perturbação de sono moderada. Após uma entrevista telefónica e presencial, elas foram aleatoriamente distribuídas em dois grupos. Com um instructor certificado, um grupo frequentou  6 sessões de 2h semanais de um curso de Práticas Mindfulness para a vida quotidiana, incluindo meditação, comer, caminhar, movimentos e práticas amistosas e compassivas. O outro grupo frequentou um curso de 6 semanas de educação de estratégias de "higiene do sono", onde aprenderam sobre perturbações do dormir, biologia do stresse e redução de stresse, auto-monitorização, comportamento promotores do sono, métodos de relaxamento para melhor o sono e, semanalmente, estratégias de "higiene de sono".
Os investigadores descobriram que os adultos que completaram um programa estruturado de mindfulness apresentaram maiores melhorias na qualidade do sono do que os adultos que completaram um programa que lhes ensinou bons hábitos de "higiene do sono".
Paradoxalmente, a forma como a atenção plena pode influenciar o sono não é directamente através do relaxamento, porque mindfulness relaciona-se com o despertar do corpo e da mente. Ao aprender a tornar-se mais consciente das experiências do momento presente, aprende a não reagir a pensamentos e preocupações que podem interferir com o sono.
Nós ainda não sabemos exactamente quanto e que tipo de prática da atenção plena é necessária até que uma pessoa sinta melhorias no seu sono. Mas a investigação sugere que a prática regular activa as partes do cérebro que nos ajudam a experimentar o nosso ambiente através dos nossos sentidos e não através de pensamentos e preocupações.


Este estudo é louvável porque os distúrbios do sono são muito comuns entre os adultos mais velhos, de acordo com Adam Spira da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em Baltimore.
"Acontece que alguns dos tratamentos mais utilizados são, na verdade, potencialmente prejudiciais", disse Spira, que escreveu o editorial que acompanha o estudo.
Medicamentos sedativos psicoactivas, como as benzodiazepinas têm sido associados a maus resultados de saúde para os idosos, incluindo declínio cognitivo, quedas e "nebulosidade"/confusão geral, afirmou ainda.
A meditação mindfulness não é o mesmo que a terapia cognitivo-comportamental, mas com base neste estudo parece melhorar o sono, disse ele, acrescentando que não é clara a forma como o "método" funciona.

A meditação mindfulness é particularmente promissora, pois poderá ser objecto de ampla disseminação através da comunidade, e poderá mesmo estar disponível para as pessoas com deficiências físicas, para quem práticas baseadas em movimento pode não ser uma opção, disse ele.

Isto é definitivamente algo que vale a pena continuar a investigar", disse Spira. "Estou um pouco relutante em fazer recomendações neste momento, mas se as pessoas têm interesse em mindfulness será provavelmente bom tentarem.



Dicas para praticar Mindfulness

- Ouvir um CD de meditação mindfulness, áudio ou um app de mindfulness.
ex:  Prática de Meditação Guiada Completa | Mindfulness - 15m
- Participar em actividades que incentivem mindfulness como workshops, retiros, yoga, caminhadas, entre outras. O Programa de Redução de Stresse Baseado em Mindfulness (MBSR) conta com mais de 30 anos de pesquisa, sugerindo imensos benefícios para a saúde física e mental.
- Realizar actividades diárias como escovar os dentes ou lavar a louça de forma consciente, incidindo a atenção sobre a experiência de fazer a actividade.
- Aproveitar a experiência de comer de uma forma consciente, usando todos os seus sentidos e manter a atenção na comida.
- Tentar não pressionar-se a si mesmo na prática de mindfulness. Esta prática procura o não julgar as suas experiências. Se observar que a sua atenção se desvia pode gentilmente trazê-la para a âncora que está a utilizar, como por exemplo a respiração.
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MBCT promete ser tão eficaz como os antidepressivos

hipocampo mindfulness
A investigação sugere que Mindfulness pode beneficiar todas as pessoas e não apenas as pessoas com história de depressão grave.

A Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness pode ser tão eficaz como os medicamentos na dimiuição das recidivas após recuperação de grandes crises de depressão, assim parecem indicar os resultados do estudo publicado no prestigiado jornal médico The Lancet.
Os investigadores queriam saber se um tipo de terapia conhecida como Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT) poderia ser um tratamento alternativo eficaz aos antidepressivos para as pessoas com depressão major, com alto risco de recaída.
A principal medida de sucesso foi o momento da recaída ou recorrência da depressão, com os pacientes a serem acompanhamento em cinco intervalos de tempo separados ao longo de dois anos. As medidas secundárias de sucesso foram o número de dias livres de depressão, os sintomas depressivos residuais, a comorbidade psiquiátrica e médica, qualidade de vida, e relação custo/eficácia.
O MBCT é um programa manualizado, em grupo, de oito semanas, que incorpora exercícios de Mindfulness, incluindo yoga, consciência corporal, trabalho de casa diário - comer ou fazer tarefas domésticas em atenção plena, momento a momento. O protocolo deriva do Programa de Redução de Stresse Baseado em Mindfulness (Mindfulness-Based Stress Reduction de Jon Kabat-Zinn), inclui elementos da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e dirigido a pessoas com história prévia de depressão.

O estudo analisou 424 adultos de áreas urbanas e rurais no Reino Unido. Todos tinham um diagnóstico de transtorno depressivo major recorrente (actualmente em remissão), tiveram três ou mais episódios depressivos major anteriores, e estavam a tomar antidepressivos de manutenção para evitar novas recaídas.
para receber uma intervenção de oito semanas ou continuar em antidepressivos de manutenção (212 em cada grupo). a recorrência da depressão foi avaliada durante o período de dois anos após o início da intervenção.



Num ensaio clínico de dois anos, os participantes foram aleatoriamente distribuídos para 2 grupos num programa de MBCT com o objectivo de reduzir ou parar a medicação (grupo 1), ou foram convidados a continuar apenas com os antidepressivos (grupo2). Com o apoio dos seus médicos de família e terapeutas, cerca de 70% do grupo de Mindfulness foi capaz de parar de tomar antidepressivos.
O ensaio sugere que o MBCT pode ajudar algumas pessoas com depressão recorrente na redução ou mesmo no corte da sua medicação. No entanto, no estudo, entre quatro a cinco pessoas em cada 10 recaíram dentro de dois anos, independentemente do seu tratamento.

Dependendo do seu ponto de vista, os tratamentos foram igualmente bons ou igualmente maus. A investigação sugere que Mindfulness pode beneficiar todas as pessoas e não apenas as pessoas com história de depressão grave.


Conclusões
Este estudo demonstrou que a Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness permitiu a muitas pessoas com depressão, com alto risco de uma recaída, interromper os seus medicamentos, e alcançar níveis semelhantes de recaída durante um período de dois anos.
A principal medida de sucesso foi o momento da recaída ou recorrência da depressão, com os pacientes a serem acompanhamento em cinco intervalos de tempo separados ao longo de dois anos. As medidas secundárias de sucesso foram o número de dias livres de depressão, os sintomas depressivos residuais, a comorbidade psiquiátrica e médica, qualidade de vida e relação custo/eficácia.

Já outro estudo tinha revelado resultados semelhantes

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A Meditação Pode Diminuir O Envelhecimento Cerebral

Apesar da esperança de vida ter vindo a aumentar, o cérebro humano inicia a sua deterioração após as três primeiras décadas de vida e continua a “degradar-se” com o aumento da idade. Tem-se verificado amplamente que o volume do peso do cérebro e/ou o seu peso declina com a idade, a uma taxa de cerca de 5% por década após os 40 anos (Svennerholm, Boström, Jungbjer, 1999), com a taxa de declínio possivelmente a aumentar particularmente depois dos 70 anos de idade (Scahill, Frost, Jenkins et al., 2003). A maneira pela qual este declínio ocorre é menos clara. Assim, são desejáveis formas de diminuir o impacto negativo do envelhecimento no cérebro. A investigação existente, embora escassa, sugere que a meditação poderá ser um candidato relevante na procura de um “remédio” eficaz acessível e barato.


Os autores do estudo publicado na revista Frontiers in Psychology (Forever Young(er): potential age-defying effects of long-term meditation on gray matter atrophy) mediram o volume de matéria cinzenta do cérebro inteiro e massa cinzenta numa região específica através de exames de ressonância magnética de 50 meditadores (idade média = 50) Com uma média de 19 anos de experiência de meditação Zen, Vipassana, ou Shamatha - práticas semelhantes às utilizadas em intervenções mindfulness base e aos cursos que a Sociedade Portuguesa de Meditação tem promovido.

Eles, então, compararam os volumes de matéria cinzenta dos meditadores com os de 50 controlos pareados por idade e extraídos de uma base de dados de ressonância magnética padrão de adultos normais.

Resultados
A idade foi significativa e negativamente correlacionada com o volume de substância cinzenta do cérebro completo para o grupo de controlo (r = -0,77) e meditadores (r = -0,58), mas a descida foi mais acentuada para os as pessoas que não praticam meditação (grupo de controlo), com os meditadores a exibirem uma menor relação entre a idade e atrofia. As diferenças entre os controlos e os meditadores foram visíveis nos lobos frontais, parietais e temporais, o mesencéfalo e cerebelo.

Explicações
Há uma grande variedade de possíveis explicações para estes resultados, incluindo um crescimento dendrítico e sináptico melhorado ou uma degradação relacionada com o stresse mais reduzida nos meditadores, e também as diferenças pré-existentes entre as pessoas que escolhem tornarem-se meditadores de longo prazo e aqueles que não.

Resultados
Os resultados deste estudo apoiam os resultados anteriores que sugerem que a meditação pode retardar a atrofia do cérebro associada com o envelhecimento, mas havia falta de evidência que permitisse sugerir que a meditação pode reverter a atrofia. No entanto, investigação longitudinal é necessária para examinar/confirmar se estes resultados são causados realmente pela prática da meditação ou se apenas se correlacionam com ela.
Estes resultados permitem apontar para a existência de uma menor atrofia cerebral relacionada com a idade no grupo dos praticantes de meditação.

Mindfulness associado com melhor saúde

emocoes mindfulness
As pessoas que prestam mais atenção aos seus sentimentos e experiências tendem a ter uma melhor saúde cardiovascular.

Coração e Mindfulness

Apesar da extensa literatura científica sobre mindfulness, mais recentemente tem-se considerado avaliar a associação entre maiores índices de mindfulness e factores de risco relacionados com a saúde cardiovascular. Contrariando esta tendência, os investigadores da Universidade de Brown, publicaram no International Journal of Behavioral Medicine um estudo que demonstra que há uma associação significativa entre mindfulness e melhor saúde cardiovascular.

Em particular, este estudo encontrou uma associação significativa entre algo denominado mindfulness dispositional auto-relatado (uma característica presente nas pessoas, tal como um traço de personalidade) e níveis mais elevados em quatro dos sete indicadores de saúde cardiovascular. De acordo com a American Heart Association, esses indicadores referem-se a: pressão arterial; colesterol; glicemia; peso; altura e circunferência da cintura; além de hábitos alimentares e de exercício. Este é o primeiro estudo a considerar mindfulness e esses factores associados com a saúde do coração.

Mindfulness disposicional pode ser desenvolvido através da prática da meditação e outros exercícios conscientes e é a capacidade de estar ciente dos seus pensamentos, sentimentos e acções a qualquer momento do dia. Às vezes, é descrito como "estar em contacto consigo mesmo". As Pessoas que não estão em contacto com os seus sentimentos, reacções emocionais e experiências diárias exibem baixa inteligência emocional e têm uma maior propensão para agir e reagir de forma menos adequada às situações que enfrentam, e isso pode ser causa do aumento do stresse. Entrando numa espiral descendente, o aumento do stresse pode levar a comportamentos insalubres ou inadequados, como comer alimentos açucarados, comer compulsivamente, fumar, não exercitar o corpo (ou muito exercício), ira e essas acções simplesmente resultarem em mais stresse.

Algumas pessoas são naturalmente mais dispostas a estarem num estado de Atenção Plena, outras menos, mas todas beneficiam da prática meditativa regular.

"Mindfulness tem sido principalmente associado com a saúde mental e o tratamento da dor, mas cada vez mais os investigadores estão a incluir factores de risco cardiovascular, como obesidade, tabagismo e pressão arterial", disse Eric Loucks, principal autor do estudo e professor assistente da epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Brown, num comunicado de imprensa.

Loucks e a sua equipa pediram a 382 participantes para classificarem, num questionário de seis opções, variando de "quase sempre" para "quase nunca", 15 declarações da “Mindful Attention Awareness Scale” (MAAS), incluindo "Acho que é difícil manter o foco no que está a acontecer no presente "e" tendo a não perceber as sensações de tensão física ou desconforto até que elas realmente agarram a minha atenção. Enquanto isso, os participantes também realizaram testes relacionados com o coração para aferir os indicadores supra mencionados.

Os resultados? 
Os participantes que pontuaram mais alto na MAAS tiveram 83% de maior prevalência de saúde cardiovascular em comparação com aqueles que obtiveram as menores pontuações. Havia, especialmente, grandes diferenças no índice de massa corporal, actividade física, glicose, e tabagismo.
Curiosamente, a qualidade da dieta, medida pelo consumo de frutas e vegetais também mostrou uma associação positiva com maior pontuação na MAAS.
Loucks sugeriu que ser/estar mais “mindful” ajuda na gestão dos vários desejos que prejudicam a saúde, desde alimentos açucarados aos cigarros, leva a melhoria da saúde cardiovascular. Os próximos passos do investigador vão no sentido de testar se melhorar o estado/traço de mindfulness pode aumentar os indicadores de saúde cardiovascular e se os efeitos são duradouros.
O que é realmente interessante é que a prática de mindfulness pode ser realizada de forma simples, acessível e todos os dias. Não requer seminários frequentes ou longas horas, ou mesmo yoga (embora seja uma opção saudável a considerar). Ann S. Williams, professora assistente de investigação da Escola de Enfermagem de Frances Payne Bolton, diz que beber chá é uma maneira muito simples de praticar mindfulness: "Uma pessoa tomando chá pode estar ciente de segurar o copo, sentindo o aroma antes do primeiro gole, e o sabor do primeiro gole", disse ela.

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Meditação e Saúde do Coração

Reservar alguns minutos para relaxar todos os dias pode ajudar a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares. É uma ideia preconizado pela Associação Americana do Coração (Heart Health Association).

A meditação é uma prática - muitas vezes usando a respiração profunda, contemplação silenciosa ou foco sustentado em algo relativamente neutro, como a cor, a frase ou som - que ajuda a diminuir o stresse e a sentir-se em paz, mantendo um estado mental relaxado.

"Pense na prática da meditação como férias do stresse da sua vida durante 20 a 30 minutos", afirmou Richard A. Stein, professor de medicina e director do Programa de Exercício e Nutrição no Centro da Universidade de Nova York para Prevenção de Doenças Cardiovasculares.

A resposta ao stresse  (distress) é o sistema de alarme natural do seu corpo. Ela é responsável pela libertação de várias hormonas, como por exemplo a adrenalina, que faz com que, por exemplo, a sua respiração acelere e a sua frequência cardíaca e pressão arterial subam.

Mas essa resposta de "luta ou fuga" pode cobrar uma factura alta ao seu corpo, se for mantida por muito tempo ou se acontecer repetidas vezes. "Quando éramos homens das cavernas a adrenalina ajudou-nos a estar prontos para fugir dos perigos, como por exemplo um ataque de um tigre" disse Stein. "Hoje, todos os tigres estão nas nossas cabeças."

Para as pessoas com doença cardiovascular, a meditação proporciona uma técnica para reduzir o stresse e se concentrarem em coisas que podem fazer para serem mais saudáveis, afirmou Stein. "A meditação é uma forma de permitir que venha a equilibrar a sua vida e também pode ajudá-lo a dormir melhor, que é uma parte muito importante de restauração da saúde física."

Estudos recentes têm oferecido resultados promissores sobre o impacto da meditação na redução da pressão arterial. Um estudo de 2012 mostrou os afro-americanos com doença cardíaca que praticavam regularmente meditação transcendental tinham menos 48 por cento de probabilidade de ter um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral ou de morrer em comparação com os afro-americanos que participaram de uma aula de educação de saúde ao longo de mais de cinco anos.

Embora a meditação pode oferecer uma técnica para diminuir o stresse e o risco de doença cardíaca, Stein salienta que não pode substituir outras mudanças de estilo de vida importantes, como comer de forma mais saudável, a perda ou a gestão de peso, redução de sal ou praticar atividade física regular. Também não é um substituto para a medicação com o seu médico possa ter prescrito como parte de um plano de tratamento.

A meditação deve ser um complemento de medicamentos prescritos e programas de dieta e exercício, não uma substituição, afirmou Stein.

Aprenda a gerir o Stresse

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Potenciando estados de relaxamento e emoções positivas em médicos através de um programa de treino da mente: estudo de um ano

Um estudo publicado na revista científica Psychology, Health & Medicine apresenta mais resultados positivos do impacto do Programa de Redução de Stresse baseado em Mindfulness na saúde mental e física. A amostra alvo do estudo foi constituída por Médicos.

Introdução
As investigações anteriores sobre mindfulness têm-se concentrado principalmente nos sintomas negativos relacionados com o stresse e os efeitos de curto prazo. Em contraste, o este artigo tem como foco o impacto do Programa de Redução de Stresse baseado em Mindfulness (MBSR; Mindfulness-Based Stress Reduction) na melhoria do bem-estar (ou seja, estados de relaxamento e emoções positivas relacionadas) num estudo longitudinal, por um período de um ano. Utilizou-se um ensaio clínico aleatório controlado com uma amostra de 42 médicos. O grupo de intervenção participou num programa de 8 semanas de MBSR, com um período de manutenção de 10 meses adicionais e completou medidas de mindfulness e de “relaxamento” na pré-intervenção, pós-intervenção e depois de 10 meses. Medidas de frequência cardíaca foram também obtidas.


Resultados
Comparando-se o grupo controlo (sem intervenção) com o grupo experimental (realizou o programa de MBSR) foi possível observar melhorias significativas, após oito semanas, nos níveis de atenção e relaxamento, incluindo estados emocionais positivos, tais como a estabilidade/paz, vivacidade, energia, optimismo, alegria, aceitação, e transcendência.

Notavelmente, mudanças das magnitudes (tamanho dos efeitos) aumentaram significativamente no final do período de manutenção depois de um ano, especialmente para mindfulness e energia positiva. Isto significa que no final do estudo, passados 12 meses, o impacto da prática da meditação aumentou. Além disso, o ritmo cardíaco diminuiu significativamente no grupo de intervenção e manteve-se um ano após o início do tratamento.

Conclusões
Os resultados são relevantes em termos das consequências práticas para a melhoria da saúde e do bem-estar da classe médica e também em termos de custo-eficiência da intervenção.
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Meditação mindfulness associada com níveis mais reduzidos de stresse

shamatha mindfulness
A ideia de que podemos treinar as nossas mentes de uma forma que promove hábitos mentais saudáveis e que esses hábitos podem ter um impacto nas relações mente-corpo não é nova, tem sido já milhares de anos em várias culturas e ideologias."

As perseverações cognitivas que incluem preocupação e ruminação sobre eventos passados ou futuros podem prolongar a libertação de cortisol, uma hormona do stresse, que, por sua vez, que pode contribuir para trajetos de pré-doença e prejudicar a saúde física e mental. O Treino de meditação pode aumentar o mindfulness auto-relatado, o que tem-se associado a reduções da perserverança cognitiva.


A investigação do Projeto Shamatha, da Universidade da Califórnia, em Davis, sugere que focar no presente, ao contrário de deixar a mente vaguear, pode ajudar a diminuir os níveis do cortisol.
A capacidade de concentrar recursos mentais na experiência imediata é um aspecto de mindfulness (atenção plena), e que pode ser melhorada através do treino meditativo.
Este é o primeiro estudo a mostrar uma relação direta entre o cortisol, avaliado em situação de descanso, e pontuações numa escala de mindfulness
afirmou Tonya Jacobs, uma investigadora de pós-doutoramento na UC Davis Center for Mind and Brain e primeira autora de um artigo, publicado na revista Health Psychology.


Altos níveis de cortisol, uma hormona produzida pelas glândulas adrenais, estão associados com o stresse físico e/ou emocional. A libertação prolongada desta hormona contribui para efeitos adversos sobre uma série de sistemas fisiológicos e psicológicos.

O Projeto Shamatha, um estudo global de longo prazo com grupos-controlo pretende avaliar os efeitos do treino de meditação sobre a mente e o corpo.
Liderados por Clifford Saron, investigador associado ao Centro de UC Davis Center for Mind and Brain, o Projeto Shamatha tem chamado a atenção de cientistas e estudiosos budistas, incluindo o Dalai Lama, que aprovou o projeto.

No novo estudo, Jacobs, Saron e colaboradores usaram um questionário para medir aspectos de mindfulness entre um grupo de voluntários antes e depois de um retiro intensivo de meditação de três meses. Eles também mediram os níveis de cortisol na saliva dos voluntários.

Durante o retiro, o académico Budista e professor B. Alan Wallace, do Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, treinou os participantes em competências atencionais, como por exemplo mindfulness na respiração, observar os eventos mentais, e observar a natureza da consciência. Os participantes também cultivaram estados mentais benevolentes, incluindo bondade, compaixão, alegria empática e equanimidade.


Resultados

A nível individual, verificou-se uma correlação entre uma alta pontuação em mindfulness e menores níveis de cortisol, tanto antes como depois do retiro. As pessoas cuja pontuação de mindfulness aumentou após o retiro apresentaram uma diminuição no cortisol.

"Quanto mais uma pessoa relatou ter direccionado os seus recursos cognitivos para a experiência sensorial imediata e para as tarefas no momento presente, menor o cortisol em situação de descanso", disse Jacobs.

A investigação não apresentou uma causalidade direta (causa-efeito), Jacobs enfatizou. Ela observou que este efeito poderia ser nos dois sentidos – níveis reduzidos de cortisol podem levar a um estado mais profundo de mindfulness, ou ao contrário. As pontuações no questionário de mindfulness aumentaram da pré para a avaliação pós retiro, enquanto os níveis de cortisol, em geral, não se alteraram.

Segundo Jacobs, o treino da mente na concentração na experiência imediata pode reduzir a propensão a ruminar sobre o passado ou a preocupar-se com o futuro, os processos de pensamento que têm sido associadas à libertação de cortisol.

"A ideia de que podemos treinar as nossas mentes de uma forma que promove hábitos mentais saudáveis e que esses hábitos podem ter um impacto nas relações mente-corpo não é nova, tem já milhares de anos em várias culturas e ideologias", disse Jacobs. "No entanto, essa ideia está apenas a ser integrada na medicina/psicologia ocidental à medida que a evidência objetiva se acumula. Felizmente, estudos como este contribuem para esse esforço."

Saron notou que neste estudo os autores usaram o termo "mindfulness" para se referirem a comportamentos que estão presentes num questionário de mindfulness particular, que foi a medida utilizada no estudo.
"O questionário avaliou a propensão dos participantes a largarem os pensamentos angustiantes e a atender a diferentes domínios sensoriais, tarefas diárias, e aos conteúdos atuais das suas mentes. No entanto, esta escala, pode refletir apenas um subconjunto de qualidades que compõem a qualidade mais elevada de mindfulness, tal como é concebida em várias tradições contemplativas", disse.

Estudos anteriores do Projeto Shamatha têm demonstrado que um retiro de meditação tem efeitos positivos sobre a percepção visual, atenção prolongada, bem-estar sócio-emocional , abrandamento da atividade cerebral e da atividade da telomerase, uma enzima importante para a saúde a longo prazo das células do corpo.


Bibiografia
University of California Davis (UCD). (2013, March 28). Mindfulness from meditation associated with lower stress hormone.

ScienceDaily. Retrieved December 15, 2014 from www.sciencedaily.com/releases/2013/03/130328142313.htm

Mindfulness é tão eficaz quanto a Terapia Cognitivo-Comportamental na Depressão e Ansiedade

saúde mindfulness
sto significa que o tratamento mindfulness em grupo deve ser considerado como uma alternativa para a psicoterapia individual, especialmente em centros de cuidados primários de saúde ...

Mindfulness é tão eficaz quanto a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)  individual  em pacientes com depressão e ansiedade, de acordo com um novo estudo da Universidade de Lund, na Suécia e na Região de SkÃ¥ne. Este é o primeiro estudo aleatório controlado a comparar o tratamento Psicológico utilizando Mindfulness em grupo e a TTC individual em pacientes com depressão e ansiedade em cuidados de saúde primários.

Na primavera de 2012 os pacientes com depressão, ansiedade ou reações ao stresse graves foram aleatoriamente distribuídos para o grupo de tratamento mindfulness com cerca de 10 pacientes ou para o tratamento tradicional (TTC, essencialmente individual). Os pacientes também receberam um programa de treino privado e foram convidados a gravar os seus exercícios num diário. O tratamento durou 8 semanas. O praticante e instrutor de mindfulness Ola Schenström projetou o programa de treino de mindfulness para formar os instrutores.


Um total de 215 pacientes foram incluídos no estudo. Antes e após o tratamento, os pacientes do grupo de mindfulness e do grupo de tratamento tradicional responderam a questionários que estimaram a severidade da sua depressão e ansiedade. Verificou-se que os sintomas auto-relatados de depressão e ansiedade diminuíram em ambos os grupos durante o período de tratamento de 8 semanas. Não houve diferença estatística entre os dois tratamentos.

Os resultados do estudo indicam que o tratamento mindfulness em grupo, conduzido por instrutores certificados, em cuidados de saúde primários, é um método de tratamento tão eficaz como a TCC individual para o tratamento da depressão e ansiedade, afirma Jan Sundquist. 
Isto significa que o tratamento mindfulness em grupo deve ser considerado como uma alternativa para a psicoterapia individual, especialmente em centros de cuidados primários de saúde que não podem oferecer terapia individual para todos.

Publicação:
Mindfulness group therapy in primary care patients with depression, anxiety, and stress and adjustment disorders: A randomized controlled trial
Jan Sundquist, Åsa Lilja, Karolina Palmér, Ashfaque A. Memon, Xiao Wang, Leena Maria Johansson, Kristina Sundquist
British Journal of Psychiatry, publicado online Novembro 27, 2014

a meditação (MBSR) pode ser o caminho para o alívio das enxaquecas

De acordo com um novo estudo realizado pelos investigadores do Wake Forest Baptist Medical Center a meditação pode ser o caminho para o alívio das enxaquecas.
O stresse é um factor despoletador conhecido nas dores de cabeça e a investigação tem apoiado os benefícios gerais das intervenções mente-corpo para as enxaquecas, mas não tem havido muita investigação para avaliar as intervenções específicas, padronizadas de meditação, disse Rebecca Erwin Wells, médica, professora assistente de neurologia da Wake Forest Baptist e principal autora do estudo publicado na edição online da revista Headache.
O estudo foi desenhado para avaliar a segurança, viabilidade e efeitos de uma intervenção padronizada de meditação e de yoga, denominada de Redução de Stresse Baseada em mindfulness (MBSR; Mindfulness-Based Stress Reduction) em adultos com enxaqueca.

Dezanove adultos foram divididos aleatoriamente em dois grupos e com 10 elementos a receberam a intervenção MBSR e nove a receberem atendimento médico padrão/”normal”. Os participantes que realizaram as oito aulas semanais para aprender e experimentar as técnicas de MBSR foram orientados a praticar 45 minutos em casa, pelo menos cinco dias por semana.

Os participantes do estudo foram avaliados antes e após o período experimental usando medidas objectivas de incapacidade, auto-eficácia e mindfulness (atenção plena). Eles também mantiveram registos das dores de cabeça durante todo o período experimental para captar a frequência, gravidade e duração das suas enxaquecas.

Descobrimos que os participantes do programa de MBSR apresentaram menor número de enxaquecas e estas eram menos graves", disse Wells. "Os efeitos secundários incluíram dores de cabeça que eram mais curtas de duração e menos incapacitantes, e os participantes tiveram aumentos em mindfulness e auto-eficácia - um sentimento de controlo pessoal sobre as suas enxaquecas. Além disso, não se registou eventos adversos e a adesão foi excelente.
Com base nestes resultados, a equipa de investigação concluiu que o programa de MBSR é uma terapia segura e viável para adultos com enxaqueca. Embora o tamanho da amostra deste estudo piloto tenha sido muito pequeno para detectar alterações estatisticamente significativas na frequência das enxaquecas ou a sua gravidade, outros resultados demonstraram que esta intervenção teve um efeito benéfico sobre a duração da dor de cabeça, a incapacidade, auto-eficácia e mindfulness.
Estudos futuros, com amostras de maior dimensão, devem ser considerados para melhor avaliar o impacto e os mecanismos desta intervenção em adultos com enxaqueca, disse Wells.
"Para os 36 milhões de americanos que sofrem de enxaqueca há grande necessidade de estratégias de tratamento não farmacêuticas e os médicos e os pacientes devem saber que o programa de MBSR é uma intervenção segura que poderá diminuir o impacto da enxaqueca", afirmou Wells.

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Mindfulness e Grupos de Suporte: nova evidência para a conexão mente-corpo

O Impacto da meditação, grupos de apoio foi observado ao nível celular em sobreviventes de cancro de mama.

Num estudo publicado na revista Cancer investigadores Canadienses descobriram que a prática de meditação mindfulness ou estar envolvido num grupo de apoio tem "um impacto físico positivo" a nível celular em sobreviventes de cancro da mama.

Os autores do estudo, nos Serviços de Saúde do Centro de Cancro Tom Baker, em Alberta, e na Universidade de Calgary, no departamento de Oncologia, demonstraram que os telómeros (marcadores celulares do envelhecimento e longevidade) mantem o seu comprimento em sobreviventes de cancro de mama que praticam meditação ou estão envolvidos em grupos de apoio, enquanto que os telómeros encurtam noutro grupo de sobreviventes de comparação, mas sem qualquer intervenção.


Nós já sabemos que as intervenções psicossociais, como a meditação mindfulness ajudam as pessoas a se sentirem melhor mentalmente, mas agora temos provas de que podem, também, influenciar aspectos chave da sua biologia", diz Linda E. Carlson, PhD, investigadora principal e directora de investigação no Departamento de Recursos Psicossociais no Centro de Cancro Tom Baker.

"Foi surpreendente ver diferenças no comprimento dos telómeros em todo o período de estudo de três meses", diz Carlson, que também é professor na Faculdade de Medicina Cumming, e um membro do Instituto do Cancro de Alberta do Sul. "Mais pesquisas são necessárias para melhor e quantificar estes benefícios de saúde potenciais, mas esta é uma descoberta excitante que proporciona uma notícia encorajadora".

Um total de 88 sobreviventes de cancro de mama, que tinham completado os seus tratamentos por pelo menos três meses, estiveram envolvidos na duração do estudo. A idade média foi de 55 anos e a maioria das participantes tinha terminado o tratamento dois anos antes. Para ser elegível, elas também tinham que ter passando por níveis significativos de stress emocional.

No grupo de Recuperação de Cancro Baseada em Mindfulness (Mindfulness-Based Cancer Recovery), as participantes assistiram a oito sessões oito semanais de grupo de 90 minutos que forneceram instruções sobre a meditação mindfulness e hatha yoga suave, com o objetivo de cultivar a consciência não julgadora do momento presente. As participantes também foram convidados a praticar meditação e yoga em casa por 45 minutos diários.

No grupo de Terapia Expressiva de Suporte, As participantes reuniram-se durante 90 minutos semanais, durante 12 semanas e foram encorajadas a falar abertamente sobre as suas preocupações e os seus sentimentos. Os objetivos foram construir o apoio mútuo e para orientar as mulheres na expressão de uma ampla gama das emoções difíceis e também positivas, em vez de suprimi-las ou reprimi-las.

As participantes colocadas aleatoriamente no grupo de controlo participaram num seminário de seis horas de gestão de stress. Através das análises ao sangue de todas as participantes, antes e depois das intervenções, foi possível avaliar o comprimento dos telómeros.

Os cientistas mostraram um efeito a curto prazo destas intervenções sobre o comprimento dos telómeros em comparação com um grupo controlo, mas não se sabe se os efeitos são duradouros. Carlson afirma que futuras investigações poderão averiguar se as intervenções psicossociais utilizadas neste estudo têm um impacto positivo para além dos três meses avaliados.


Referência:
Linda E. Carlson, Tara L. Beattie, Janine Giese-Davis, Peter Faris, Rie Tamagawa, Laura J. Fick, Erin S. Degelman, Michael Speca. Mindfulness-based cancer recovery and supportive-expressive therapy maintain telomere length relative to controls in distressed breast cancer survivors. Cancer, 2014; DOI: 10.1002/cncr.29063

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O que a Meditação Mindfulness faz ao seu Cérebro?

budismo mindfulness

A imagem que temos é que a prática de mindfulness aumenta a nossa capacidade de recrutar regiões do córtex pré-frontal, de ordem superior, com o objectivo de regular a actividade cerebral de ordem inferior...

A investigação científica tem revelado alguns efeitos extraordinários sobre os cérebros daqueles que praticam meditação (mindfulness ou atenção plena) regularmente. Talvez por isso cada vez mais pessoas têm procurado esta prática.
Originalmente uma antiga técnica de meditação budista, nos últimos anos a atenção plena evoluiu para uma variedade de terapias seculares e cursos, a maioria deles focada em estar consciente do momento presente e simplesmente perceber sentimentos e pensamentos como eles vêm e vão., como surgem e como desaparecem.

Tem sido aceite como uma terapia útil para a ansiedade e a depressão há mais de uma década. Está a ser utilizada nas escolas, equipas desportivas profissionais e unidades militares para melhorar o desempenho, e é uma forma de ajudar as pessoas que sofrem de dor crónica, dependências, entre outros problemas de saúde. Existe ainda alguma evidência de que a atenção plena pode ajudar com os sintomas de certas condições físicas, tais como a síndrome do intestino irritável, cancro e VIH.

No entanto, até recentemente, pouco se sabia sobre como algumas horas de reflexão silenciosa por semana poderia levar a uma gama tão intrigante de efeitos físicos e mentais. Agora, à medida que a popularidade de mindfulness cresce, as técnicas de imagiologia cerebral revelam que esta prática milenar pode alterar profundamente a forma como as diferentes regiões do cérebro comunicam umas com as outras - e, portanto, a forma como pensamos – de forma estrutural.


A prática de mindfulness está associada a uma diminuição do volume de massa cinzenta na amígdala (a vermelho), uma região-chave na resposta ao stresse. (Imagem - cortesia de Adrienne Taren)
Sem medo
Exames de ressonância magnética mostram que após um curso de oito semanas de prática da mindfulness a amígdala, o centro cerebral da "luta ou fuga", diminui. Esta região primitiva do cérebro, associada ao medo e às emoções, está envolvida na iniciação da resposta do organismo ao stresse. Como a amígdala diminui, o córtex pré-frontal - associado com as funções cerebrais de alta ordem, como a consciência, a concentração e a tomada de decisões - torna-se mais espesso.
A "conectividade funcional" entre essas regiões - ou seja, quantas vezes elas são activadas ao mesmo tempo - também muda. A ligação entre a amígdala e o resto do cérebro fica mais fraca, enquanto que as ligações entre as zonas associadas com a atenção e a concentração ficam mais fortes.
A magnitude dessas mudanças correlacionam-se com o número de horas de prática de meditação que a pessoa tenha feito, diz Adrienne Taren, uma investigadora que estuda a a atenção plena na Universidade de Pittsburgh.
"A imagem que temos é que a prática de mindfulness aumenta a nossa capacidade de recrutar regiões do córtex pré-frontal, de ordem superior, com o objectivo de regular a actividade cerebral de ordem inferior", diz ela.
Por outras palavras, as nossas respostas mais primitivas ao stresse parecem ser substituídas por outras mais reflexivas.
Muitas actividades podem aumentar o tamanho de várias partes do córtex pré-frontal - jogos de computador, por exemplo - mas é a desconexão da nossa mente a partir do seu "centro de stresse" que parece dar origem a uma série de benefícios para a saúde física, bem como mental, diz Taren.





"Definitivamente, não estou a afirmar que mindfulness pode curar o VIH ou prevenir doenças cardíacas. Mas nós vemos uma redução dos biomarcadores de stresse e inflamação. Marcadores como proteína C-reactiva, interleucina-6 e cortisol, altamente associados com a doença ".

Sinta a dor
As coisas ficam ainda mais interessantes quando os investigadores estudam especialistas de mindfulness com dor. Meditadores avançados relatam sentir significativamente menos dor do que os não meditadores. No entanto, os exames dos seus cérebros mostram um pouco mais de actividade nas áreas associadas com a dor do que os não-meditadores.

"Estas descobertas não se encaixam nos modelos clássicos de alívio da dor, incluindo as drogas, onde sob o seu efeito assistimos a menor actividade nessas áreas", diz Joshua Grant, um pós-doutorando no Instituto Max Plank para a Cognição Humana e Ciências do Cérebro, em Leipzig, na Alemanha. Os meditadores especialistas em mindfulness também mostraram reduções "maciças" na actividade em regiões envolvidas na avaliação de estímulos, emoção e memória, diz Grant.
Mais uma vez, duas regiões que normalmente estão funcionalmente ligadas, o córtex cíngulado anterior (associado com o desconforto da dor) e partes do córtex pré-frontal parecem tornarem-se "desacoplados" nos meditadores.

"Parece que os praticantes zen foram capazes de remover ou diminuir a aversão da estimulação - e, portanto, a sua natureza geradora de stresse - alterando a conectividade entre as duas regiões do cérebro que estão normalmente em comunicação uma com a outra", diz Grant. "Eles certamente não parecem ter bloqueado a experiência. Pelo contrário, parece que se abstiveram de participar em processos de pensamento que tornam a experiência mais dolorosa".


Sentir-se Zen
É importante notar que, embora este estudo tivesse testado meditadores experientes, eles não estavam num estado meditativo - o efeito da diminuição da dor não é algo que temos que trabalhar para alcançar, num estado de transe; em vez disso, parece ser uma mudança permanente na sua percepção.

"Pedimos-lhes especificamente para não meditar", diz Grant. "Há apenas uma diferença enorme nos seus cérebros. Neste nível de especialização, o córtex pré-frontal não é maior do que o esperado. De facto, o seu tamanho e actividade começam a diminuir de novo", diz Taren. "É como se essa maneira de pensar se tornasse o padrão, automática - não requer qualquer concentração".

Ainda há muito para descobrir, especialmente em termos do que está a acontecer quando o cérebro apreende o momento presente, e o que outros efeitos a prática de mindfulness pode ter nas pessoas. A investigação sobre esta forma de meditar ainda está na sua infância, e a imprecisão das imagens do cérebro significa que os investigadores tenham que fazer suposições sobre o que diferentes regiões do cérebro estão a realizar.

Tanto Grant e Taren, e outros, estão envolvidos em estudos sem precedentes, que visam isolar os efeitos da atenção plena de outros métodos de alívio do stresse e controlar exactamente como o cérebro muda ao longo de um longo período de prática de meditação.

"Estou realmente animado sobre os efeitos de Mindfulness", diz Taren. "Tem sido óptimo assistir ao seu afastamento de ser algo espiritual e em direcção à ciência e evidência clínica".
Talvez seja pela conotação de “new age”, quasi-espiritual da meditação, que até há pouco tempo tem obstaculizado a meditação mindfulness de ser considerada como um antídoto para o nosso mundo cada vez mais frenético. A investigação está a ajudar a superar essa percepção, e dez minutos de atenção plena poderão em breve tornar-se uma parte plenamente aceite  da nossa “dieta” diária de saúde, em específico na redução de stresse, tal como como ir ao ginásio ou escovar os dentes.

Texto adaptado de What Does Mindfulness Meditation Do to Your Brain? da Scientific American.


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Programa de meditação mindfulness - MBSR - reduz a ansiedade


O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), caracterizado pela preocupação que é difícil controlar e sintomas como falta de sono, tensão muscular e irritabilidade, é relativamente comum, com uma taxa de prevalência cada vez maior. Em Portugal, esta perturbação psiquiátrica poderá atingir pelo menos 16,5 %, segundo os primeiros resultados do estudo epidemiológico nacional de saúde mental de 2010.
Embora a farmacoterapia e a psicoterapia sejam estratégias de tratamento comuns, 30 a 60% dos pacientes não melhoram ou melhoram pouco após tratamento. Além disso, os indivíduos, especialmente homens, com TAG podem não procurar ajuda psicológica/psiquiátrica devido ao estigma associado.

As intervenções baseadas em mindfulness têm tido um interesse crescente, pois são de baixo custo, apresentam uma boa aceitação e são uma opção de tratamento acessível para uma variedade de sintomas psicológicos e médicos, incluindo a ansiedade. O treino de Mindfulness ensina aos participantes técnicas de meditação que aumentam o conhecimento e a vivência de experiências do momento presente, incluindo os pensamentos, emoções e sensações corporais, com uma atitude gentil e de aceitação.

Por exemplo, uma investigação conduzida por Roemer e colaboradores concluiu-se que os pacientes com TAG têm níveis mais baixos de mindfulness traço (característica mais estável na pessoa) e mais dificuldades na regulação das emoções do que as pessoas "saudáveis" e sugeriram que o treino mindfulness pode ser útil.


A meditação mindfulness tem sido, assim, uma estratégia terapêutica cada vez mais utilizada para transtornos de ansiedade, mas estudos os anteriores apresentam algumas limitações metodológicas, incluindo a falta de um grupo de comparação activo.

A investigação, Randomized Controlled Trial of Mindfulness Meditation for Generalized Anxiety Disorder: Effects on Anxiety and Stress Reactivity, conduzida por Hoge e colaboradores em 2013 foi o primeiro estudo controlado e aleatório, comparando o programa manualizado de Redução de Stresse Baseado em Mindfulness (MBSR) com um controlo activo no transtorno de ansiedade generalizada (TAG), uma doença caracterizada pela preocupação crónica e sintomas de hiperestimulação fisiológicas.

93 pessoas diagnosticadas com TAG (DSM-IV) foram aleatoriamente distribuídas para uma intervenção em grupo de 8 semanas, com o programa MBSR ou com a Educação para a Gestão de Stresse (SME), entre 2009 e 2011.

Resultados
Os participantes que completaram pelo menos uma sessão de MBSR (n = 48) ou SME (n = 41) mostraram que ambas as intervenções levaram a  reduções significativas (p <0,0001)  nos resultados da ansiedade. No entanto, o programa MBSR ficou associado com uma redução significativamente maior na ansiedade avaliada com várias medidas. O programa MBSR também ficou associado a reduções maiores do que a SME na ansiedade e angústia nas respostas ao desafio do stresse social e a um maior aumento das auto-afirmações positivas.

Conclusões
Estes resultados sugerem que O programa MBSR pode ter um efeito benéfico sobre os sintomas de ansiedade na TAG, também pode melhorar a reactividade ao stresse e as respostas de coping tal como medido por um desafio de stresse em laboratório.

Experimente
Para ter uma breve noção do que é a meditação mindfulness, pode tentar uma meditação guiada por Sagarapriya, fundador do centro Budadharma e um dos instructores mais experientes em Portugal. Ela está disponível gratuitamente em: Prática Guiada Completa

Muitos experts e praticantes consideram que a aprendizagem e a prática de técnicas de mindfulness com um grupo é especialmente útil. O treino de Redução de Stresse Baseado em Mindfulness, desenvolvido por Jon Kabat-Zinn, da Universidade de Massachusetts Medical School, é realizado em grupo e está agora disponível no próximo curso intensivo, orientado por Andrés Martín, presidente do Instituto Espanhol, esMindfulness.


Bibliografia
Roemer L, Lee JK, Salters-Pedneault K, Erisman SM, Orsillo SM, Mennin DS. Mindfulness and emotion regulation difficulties in generalized anxiety disorder: preliminary evidence for independent and overlapping contributions. Behav Ther. 2009 Jun;40(2):142–154.



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