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Mindfulness - Aprendendo a Ver e a Não Saber





Aprendendo a ver

Se queres compreender a tua mente senta-te e observa-a...
É apenas isso.... nada a aderir, nenhum ritual ou cerimónia...
São orientações ou um caminho verdadeiramente simples para a compreensão da mente... Observa-a!
Os conteúdos que iremos abordar no próximo curso de Mindfulness é a metodologia para fazer isso mesmo.

Um dos grandes recursos que todos nós possuímos é a capacidade de observar a nossa experiência.
Este distanciamento permite uma maior perspectiva. A disponibilidade e alcance da perspectiva é suportada pelo treino, que expõe o praticante ao seu filme multicolor interior, por vezes tragédia, outras comédia.

A prática de Mindfulness aumenta o acesso dos praticantes a caminhos alternativos de explicação e de crescimento. À medida que ganhamos outras formas de construir o mundo recuperamos a liberdade que está disponível quando afrouxamos o nosso controlo sobre essas construções fixas. Acabamos por descobrir as formas como a insatisfação e sofrimento foram auto-criadas - vemos que elas são, em última análise, passíveis de serem geridas.

Ao aprender a não dar importância ao pensamento discursivo e a ver os produtos da cognição e todos os fenómenos mentais como eventos sem realidade especial e transitórios, ganhamos familiaridade com a tendência das nossas próprias mentes para construir cenários imaginários, que habitamos como se fossem reais. À medida que essa capacidade se aprofunda, aumenta a nossa capacidade de ver como as nossas mentes se envolvem repetidamente nos mesmos processos de construção, muitas das vezes promotores de sofrimento. Tal como na psicoterapia, desenvolvemos a capacidade de ver os nossos padrões mentais e comportamentais. Isso leva-nos, potencialmente, a melhores pessoas.


Aprendendo a não saber

Como Mindfulness nos ajuda a flexibilizar as nossas formas de ver o mundo?
Pelo retorno ao presente momento e pela percepção de que todos os fenómenos mentais são impermanentes, nós, tacitamente, permitimos simplesmente não saber o que o próximo momento vai trazer. Largamos - embora temporariamente - o nosso desejo de conhecer e controlar.
Permitimos não saber.

"In the beginner's mind there are many possibilities,
but in the expert's there are few."

Shunryu Suzuki



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Mindfulness: Uma ferramenta para os nossos dias



Nos últimos anos, a práticas das abordagens baseadas em Mindfulness tem vindo a ganhar largos milhares de praticantes, ajudando-os a tornarem-se melhores pessoas e a resolver/aliviar muitos problemas das suas vida.

Você ficará surpreso com o quão incrivelmente simples é vivenciar uma vida infinitamente mais calma e energética através do poder de mindfulness. Mas para tal acontecer será necessário uma prática regular.


Seguem alguns dos insights benéficos que podem emergir na mente do praticante através do treino de mindfulness:

(1) a maior parte dos nossos pensamentos é condicionada pela experiência e não é necessária e objectivamente verdadeira;
(2) os pensamentos agradáveis e desagradáveis ocorrerão ao longo de nossa vida, quer queiramos quer não;
(3) todos os pensamentos e sentimentos são temporários e;
(4) embora possamos ser agarrados por um pensamento, os pensamentos são ilusórios - como as cintilações numa tela de cinema.

Uma abordagem baseada em mindfulness para tratar a ansiedade, por exemplo, passa pela pessoa ficar menos identificada com os nossos pensamentos: simplesmente notando o evento, tal como está a ocorrer, com aceitação e curiosidade.

Mindfulness conduz ao insight, e o insight conduz à sabedoria. O tipo de insight aqui referido não é o conceito intelectualmente apreendido sobre a sua narrativa pessoal, mas um vislumbre mais visceral e intuitivo da nossa condicionada vida mental e física, construída, mutável e impessoal, alcançável, sobretudo, pela prática regular. É um insight que afrouxa os laços do apego e abre o coração a um contexto mais amplo do que o meramente auto-referencial ou de mim próprio.

À medida que os padrões inconscientes do comportamento se tornam expostos pelo treino mental, através da prática de mindfulness, perdem muito do seu poder de nos enganar e de nos obrigar. A forma como os estímulos dos sentidos são organizados a cada momento na construção da personalidade e da visão do mundo começa a mudar. Eventualmente, episódios recorrentes de uma visão profunda contribuirão para alterações mais duradouras da mente, um processo que os budistas referem como o aprofundamento da sabedoria.
Esse tipo de percepção muda-nos profundamente.



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Mindfulness: uma excelente forma de aliviar a ansiedade






Vivemos uma grande parte da nossa vida com preocupações inúteis. Pequenas tensões aqui e ali que se vão acumulando em stress e por vezes transformando-se numa ansiedade debilitante. Imaginamos os piores cenários sobre o futuro, a agenda sobrelotada, as questões financeiras e recordamos o passado com nostalgia. Permitimos ser consumidos por um frenesim desnecessário.

Seria interessante que em vez de sermos arrastados por esses pensamentos 'negativos', pudessemos estar conscientes (Mindful). Esta situação é possível pela prática de Mindfulness.
Mindfulness é uma prática que nos permite estar plenamente presentes no momento, com o que está a acontecer, 'bom' ou 'mau' ou 'neutro'.

A ansiedade é um desperdício de tempo?

A ansiedade, na sua essência, é uma forma irracional de medo. Capturados pelo medo tendemos a pensar que algo mau pode acontecer a qualquer momento, que não somos bom o suficiente, ou que alguém pode estar a pensar negativamente acerca de nós.

O mundo da ansiedade é um mundo de ficção. Para os nossos antepassados o medo constante era uma necessidade. Quando só os fortes sobreviviam, estar sempre vigilante ao perigo era necessário. Esta capacidade contribuiu para a continuidade da espécie, permintindo lutar/fugir com/dos predadores, procurar abrigo, comida e água.

Nas sociedades contemporâneas, felizmente, as nescessidade básicas estão satisfeitas. Não precisamos de nos preocupar com ameaças à espreita em cada esquina. No entanto, certas partes primitivas do nosso cérebro ainda são fortemente propensas a produzir medo e ansiedade. E agora, o medo é activado não por ameaças reais, tal como no passado remoto, mas por ameçadas percepcionadas. Isto significa que temos a capacidade de transformar um evento real, não ameaçador, num evento altamente nocivo para a nossa saúde mental e física.



Reconhecer a Ansiedade

É fácil entendermos que a ansiedade é contraproducente, mas isso não nos ajuda, por si só, a não senti-la ou a não sermos afetados. A ansiedade inevitavelmente descobre caminhos para nos encontrar, mas em vez de permitir que ela se multiplique devemos ser rápidos a reconhecê-la e a procurar uma 'cura'.


Entrando no modo de Mindfulness

Embora haja uma abundância de estratégias que podemos usar para aliviar a ansiedade, Saliento uma prática, altamente eficaz: mindfulness.

Se usado correctamente, Mindfulness é quase infalível para ajudar a aliviar o stress e as preocupações.

Então o que é?
Mindfulness é uma actividade consciente. É uma proposta para fazer o oposto daquilo que as nossas mentes fazem naturalmente. Ou seja, no quotidiano as nossas mentes vagueiam sem controlo, pensando numa míríade de coisas, saltando de assunto em assunto. Quando praticamos estar conscientes trabalhamos activamente este fenómeno. Procuramos foco na tarefa presente e no momento presente.


A necessidade da prática

Actualmente, com a sobrestimulação sensorial as capacidades de estar consciente e atento estão absolutamente fragmentadas. Tal como a maioria das competências, Mindfulness deve ser desenvolvida e refinada. No entanto, mindfulness é incrível, porque podemos praticá-la quando quisermos, onde quisermos, pelo tempo que desejarmos.

Inicialmente descobrimos que a nossa mente divaga a uma velocidade alucinante. É difícil acalmar a torrente dos pensamentos e das emoções. Isto é completamente natural e expectável. Procuramos seguir a nossa respiração e as sensações que ela tem no nosso corpo por um período de tempo que pode ir de alguns segundos até o tempo que desejar. Suegere-se iniciar com sessões curtas, de alguns minutos várias vezes ao dia. Com o tempo aumentamos as sessões e diminuimos a frequência para uma a duas vezes por dia.

Podemos ver tudo como uma oportunidade para estar consciente. Podemos praticar mindfulness durante as caminhadas e em todas as tarefas rotineiras. Uma vez iniciado o processo ele tornara-se-á mais fácil de praticar, conseguindo períodos de atenção focada cada vez maiores e uma paz e tranquilidade também crescentes.

Procure praticar seguindo uma das meditações guiadas em:
Ver práticas guiadas


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Thich Nhat Hanh - 'Walk With Me'

O actor Benedict Cumberbatch, nomeado para o Óscar por "O jogo de imitação" e vencedor de um Emmy por "Sherlock", disse: "Fui tocado profundamente pelos ensinamentos de Thich Nhat Hanh. Foi uma grande honra trabalhar em 'Walk With Me. "Não tenho dúvidas de que o público em todo o mundo ficará sensibilizado por este filme.

O documentário 'Walk With Me' é uma viagem cinematográfica ao mundo de Mindfulness - a prática de trazer a atenção para o momento presente. É uma visão meditativa e íntima de uma comunidade de monges e freiras budistas que desistiram de todas as suas posses, deixaram as suas casas e partiram com as suas economias de vida para um fim comum - para a prática da arte de mindfulness e os ensinamentos do mundialmente famoso mestre Zen budista Thich Nhat Hanh.

Thich Nhat Hanh, o monge Vietnamita, que Martin Luther King Jr. nomeou para o Prémio Nobel da Paz, é um dos mais populares mestres Zen de todos os tempos e é amplamente reconhecido pela introdução de mindfulness no mundo ocidental.
Além disso, é um activista de direitos humanos, poeta e autor de sucesso. Os seus livros já venderam aos milhões em todo o mundo, e durante os últimos cinquenta anos a sua própria prática de mindfulness tocou os corações e mentes das pessoas à procura de um estilo de vida livre de ansiedade e de stress.

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Filmado nas profundezas do inverno no seu mosteiro em França, e também na estrada com Thich Nhat Hanh e os seus monges na Europa e na América do Norte, capturando a sua viagem de Vancouver até ao Mississippi, Nova York, Washington, San Diego e Londres.
Por meio de entrevistas íntimas e filmagem observacional, "Walk With Me - On The Road Com Thich Nhat Hanh", oferece uma rara visão sobre a vida monástica e as razões profundamente pessoais pelas quais monges e monjas de Thich Nhat Hanh decidiram deixar as suas famílias e seguir os seus passos.
Comovente e honesto, 'Walk With Me' aborda os temas universais de pertença, amor, perda, esperança e a morte; relevante não apenas para os monges e monjas de Thich Nhat Hanh, mas para todos nós.


Ver mais em:
walkwithmefilm
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Rara e Preciosa Alegria


Já se perguntou o quanto experimenta alegria?
Talvez não muito. Talvez a alegria não seja um visitante muito frequente e quando aparece é fugaz.



A Alegria surge quando estamos abertos tanto à beleza, como ao sofrimento inerente à vida.
Como um grande céu que inclui todos os diferentes tipos de clima, a alegria é uma qualidade expansiva de presença.
Ela diz "Sim à vida, não importa o quê!"
No entanto, temos a tendência de substituir a nossa capacidade inata de alegria com o nosso diálogo interior incessante, com as nossas tentativas crónicas para evitar o desconforto e para manter, o mais possível, o prazer, o agradável.
Ao invés da alegria no momento presente, vivemos em recordações e projecções, tentamos chegar a outro lugar, para experimentar algo que pensamos ser melhor, diferente.

Veja o que acontece se se comprometer a amar a vida. Comece por se lembrar de fazer pausas e saborear os prazeres simples. Tenha a intenção de trabalhar suavemente as dificuldades. Abra o seu coração para a vida que ocorre neste momento e permita-se descobrir que a alegria nunca está muito longe.


Saiba que a alegria é mais rara,
mais difícil e mais bela
do que a tristeza.
Depois de ter feito esta
importante descoberta,
deve abraçar a alegria como uma obrigação moral

― André Gide



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Rick Hanson - Faça amizade com o seu corpo

Muitos de nós (eu incluído) tendemos a levar aos limites e gerar muito stress nos nossos corpos. Isso pode ser bom para uma emergência a curto prazo, mas não é uma forma sustentável de correr a maratona, que é a vida humana.
Assim, a prática sugerida é fazer amizade com o seu corpo. Escolha uma forma (ou mais) para tratar o seu corpo como um bom amigo por um minuto, uma hora, ou um dia inteiro - e veja o que acontece. A bondade começa em casa, e nossa casa física é o corpo.

Como trata o seu corpo?

A prática:
Faça amizade com o seu corpo.

Porquê?
Imagine que seu corpo está separado de si e considere as seguintes questões:
Como é que o seu corpo cuidou de si ao longo dos anos? Tais como mantê-lo vivo, dar-lhe prazer e levá-lo de lugar para lugar.
Em troca, quão bem cuidou do seu corpo? Tais como acarinhá-lo, alimentá-lo e fazer exercício ou levá-lo ao médico. Por outro lado, de que forma pode descuidá-lo, alimentá-lo com ‘fast-food’ ou intoxicá-lo com medicamentos ou drogas?

Sente-se crítico com seu corpo? Por exemplo, decepcionado ou constrangido com o seu corpo? Sente desilusão por isso, ou gostaria que fosse diferente?
Se o seu corpo pudesse falar consigo, o que poderia dizer?
Se o seu corpo fosse um bom amigo, como o trataria? Seria diferente de como o trata agora?


Pessoalmente, não posso deixar de ficar tenso quando eu próprio enfrento estas questões. É comum abusarmos do corpo, ignorar as suas necessidades até que elas se intensificam e dessintonizar os seus sinais. E em seguida, largamos o corpo na cama, exausto, no final de mais um longo dia.
As pessoas também podem ficar coléricas com o seu corpo: como se fosse culpa do corpo ter excesso de peso ou estar a envelhecer.

Mas se fizer qualquer uma dessas coisas, poderá acabar por pagar um custo elevado, uma vez que você e o seu corpo não são entidades separadas. As suas necessidades e prazeres e dores são as suas próprias. Um dia, o destino do seu corpo será o seu próprio destino.

Por outro lado, se tratar bem do seu corpo, como um bom amigo, irá sentir-se melhor, ter mais energia, ser mais resistente e resiliente e, provavelmente, viver mais.


Como?
Lembra-se de um momento em que recebeu bem um bom amigo? Qual foi a sua atitude para com o seu amigo, e que tipos de coisas fez com ele ou ela? Como se sentiu interiormente por ser agradável para com o seu amigo?
Em seguida, imagine um dia destes tratar do seu corpo como um outro bom amigo. Imagine amar este amigo – o seu corpo – desde o momento em que acorda, ajudando-o a sair da cama, sendo gentil com ele, ficando conectado a ele, sem pressas… Qual seria a sensação?

Imagine estimar o seu corpo à medida que se move através da manhã - ajudá-lo amavelmente a beber água, dando-lhe um bom banho, e servindo-lhe comida saudável e deliciosa. Imagine tratar do seu corpo com amor.
Como esta abordagem o faria sentir?

Provavelmente experimentaria menos stress, maior relaxamento e calma, mais prazer, maior facilidade, e uma sensação de estar no controlo da sua vida. Além disso, um sentido implícito de ser gentil consigo mesmo, já que num sentido abrangente você não tem só um corpo, você é também o seu corpo; tratá-lo bem é tratar-se bem a si mesmo.
Se o seu corpo pudesse falar, o que lhe poderia dizer depois de ser tratado com amor por um dia?

Então, de verdade, trate bem do seu corpo por um dia (ou mesmo por apenas alguns minutos). Qual o impacto? De que formas o faz sentir-se bem? Observe qualquer relutância em ser gentil com o seu corpo. Talvez a sensação de que isso seria auto-indulgência ou pecaminoso. Explore essa relutância, caso exista, e perceber porque está presente e decidir se faz sentido. Se isso não acontecer, voltar a tratar bem do seu corpo.

Se pudesse falar com o seu corpo o que poderia dizer-lhe? Talvez escrever uma carta ao seu corpo, dizendo-lhe que tomou consciência que não o tem tratado tão bem como poderia no passado e como quer ser melhor com ele no futuro.

Faça uma pequena lista de como cuidar melhor do seu corpo, como parar de fumar, ou sair do trabalho mais cedo, ou ter mais tempo para os prazeres corporais simples. Em seguida, comprometa-se a tratar melhor o seu corpo.

A bondade começa em casa.
A sua casa é o seu corpo.





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O valor de Mindfulness - Estar com as experiências negativas

Sabe-se que o Evitamento está na base de uma pobre saúde mental e de diversas psicopatologias. Além disso, pode reduzir a flexibilidade em lidar com as situações, impactando negativamente na qualidade de vida (Kashdan, Barrios, Forsyth, & Steger, 2006). A estes padrões de comportamentos tem sido dado o nome de evitamento experiencial, que ocorre quando as pessoas usam estratégias para bloquear, alterar ou controlar experiências pessoais angustiantes/negativas, como pensamentos, emoções e sensações fisiológicas (Hayes et al., 1996).

Quando experimentamos pensamentos, emoções ou sensações desagradáveis, a maioria das vezes, temos a tendência natural a evitar essas experiências ​​- por vezes a todo o custo. Isto pode ser denominado de evitamento experiencial. O evitamento experiencial ocorre quando procuramos estratégias para bloquear, alterar ou controlar experiências pessoais angustiantes, como pensamentos, emoções e sensações fisiológicas (Hayes et al., 1996). A ironia é que o evitamento experiencial mantém e agrava o sofrimento psíquico (Hayes et al., 1996).

o "normal" é estar bem e eliminar o mal-estar é a prioridade!

Frequentemente segue-se uma regra arriscada: o "normal" é estar bem e eliminar o mal-estar é a prioridade. Contudo, as tentativas de alcançar o bem-estar são frequentemente ineficazes, pois pensamentos e sentimentos adversos ocorrem mesmo em circunstâncias favoráveis. Todos temos um instinto natural de sobrevivência incorporado no nosso "software" e ele é responsável pela nossa reação aversiva a eventos desagradáveis ​​ou desconfortáveis. Esse instinto diz-nos para evitar coisas que são desagradáveis, porque são susceptíveis de serem perigosas ou nocivas (por exemplo, um sabor amargo que desconhecemos ou um carro que se aproxima). No entanto, este mesmo instinto afeta os nossos processos internos, "desconectando a mente do corpo".

Não declare guerra a si mesmo!

Não importa a intensidade e a forma que tente escapar de si mesmo e de todos os seus pensamentos internos, sentimentos e experiências, você está "preso" em si mesmo. É no seu melhor interesse cultivar a vontade e a capacidade de se conectar consigo - mesmo com as partes que parecem assustadoras ou dolorosas.

Quando tentamos fugir ou negar pensamentos ou sentimentos desagradáveis, estamos a criar um "campo de batalha" interno. Estamos, essencialmente, a declarar guerra interna a nós mesmos - não há vencedores, só perdedores.

Para aqueles que têm pensamentos e sentimentos extremamente angustiantes ou indesejados, a vontade de afastá-los ou negá-los é compreensível. Afinal, quem iria desejar sentir dor e sofrimento? Para o alívio da dor interna ocorrer deverá abrir-se e experimentar os próprios pensamentos e sentimentos que está a tentar tão dificilmente evitar. Isto é muito difícil.

A dor é inevitável, o sofrimento não! 

A dor é inevitável, o sofrimento não. A distinção é muito importante. A dor que vem junto com certos pensamentos, sentimentos e acontecimentos da vida não pode ser evitada. É só quando reagimos à dor inevitável da vida através do bloqueio do corpo e da mente que criamos o nosso próprio sofrimento. Nós criamos sofrimento sem valor intrínseco.

Porquê Aceitar?

Uma componente essencial de Mindfulness é a Aceitação, que acaba por ser o oposto do evitamento. Quando aprendemos a praticar Mindfulness e aplicamos esta abordagem no quotidiano, com uma atitude aberta, curiosa e de aceitação a todas as experiências internas e externas (incluindo as dolorosas), então estaremos num processo de libertação do sofrimento.

Pode ser difícil para muitas pessoas acreditar que abrindo-se para a sua dor irá libertá-las do sofrimento. Se também pensa assim, considere o fato que, com todos os seus esforços para evitar a sua dor, você ainda está a sofrer. Eventualmente terá passado uma grande parte da sua vida aplicando os mesmos princípios para aliviar a dor. Por exemplo, evitando-a ou negando-a, e ainda assim sofre, talvez este seja um sinal de que é o momento de tentar algo diferente. Deve haver outro caminho.

Crane explica que: a prática de mindfulness é um processo de treino que nos permite ver claramente esses padrões habituais de evitamento ... a dor é um aspeto da "tapeçaria" global da nossa vida e ... é evitar esta realidade que cria mais dificuldades emocionais.



Sintonize-se com todas as suas experiências!

A próxima vez que tiver um pensamento, sentimento ou sensação aversivo, desagradável ou indesejado, use-o como uma oportunidade de responder ao evento de forma diferente do que faria normalmente. Observe o evento desagradável, acolha-o na sua experiência, examine-o pelo que ele é, aceite-o completamente (o que não significa aprová-lo), e, em seguida, solte-o.

Quando nos sentamos com pensamentos desagradáveis, sentimentos e sensações (mesmo que apenas por breves minutos) eles perdem a sua força (inicialmente pode acontecer o inverso). São apenas pensamentos - apenas sentimentos - e apenas sensações. Não permita que a sua mente lhes dê mais poder do que eles necessitam. São epifenómenos. Pratiquemos Mindfulness, uma "nova" forma, consciente e diligente, de satisfazer todas as experiências com abertura e aceitação.

As pessoas fazem de tudo, não importa o quão absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma.
Carl Jung

Sinta-se livre de expressar as suas opiniões, bem como a sua valiosa experiência, para que todos possam beneficiar (no espaço reservado para os comentários).


Referências Biliográficas

Crane, R. (2009). Mindfulness-based cognitive therapy. New York, NY: Routledge.

Hayes, S. C., Wilson, K. W., Gifford, E. V., Follette, V. M., & Strosahl, K. (1996). Experiential avoidance and behavioral disorders: A functional dimensional approach to diagnosis and treatment. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 64(6), 1152-1168.

Kashdan, T. B., Barrios, V., Forsyth, J., & Steger, M. F. (2006). Experiential avoidance as a generalized psychological vulnerability: Comparisons with coping and emotion regulation strategies. Behaviour Research and Therapy, 44(9), 1301-20.
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Rick Hanson - Lidar com a 'imperfeição'


A prática

Largar a ansiedade relacionada com a imperfeição.


Porquê?

As 'imperfeições' estão por toda parte, e elas incluem: mal-entendidos, acidentes, ervas daninhas, tráfego intenso, chuva durante um piquenique, manchas de vinho na roupa, lesões, doença, deficiência, dor, problemas, dúvidas, obstruções, perdas... Ou ainda objetos que se partem, desgastam; erros, enganos, obstáculos, falta de clareza; guerra, a fome, a pobreza, a opressão, a injustiça, etc...

Em poucas palavras, uma imperfeição – da forma como eu a refiro aqui - é um distanciamento de um ideal ou padrão razoável (por exemplo, uma nódoa na sua roupa não é ideal, nem é a fome que aflige uma em cada seis pessoas no mundo). Estas discrepâncias do ideal têm custos, e é razoável que tente fazer o que estiver ao seu alcance para os amenizar.


Mas, habitualmente, não sabemos lidar com elas da melhor forma: ficamos com ansiedade, inquietudos, nervosos e incomodados, enfim... com stress - sobre a própria imperfeição, ao invés de reconhecê-la como um aspeto natural, inevitável, e generalizado da vida.

Em vez de lidar com estas condições como elas realmente são - ervas daninhas, lesões, conflitos com os outros - e apenas lidar com elas, somos apanhados num turbilhão de preocupações sobre o que significam, resmungando, sentindo-nos esvaziados, emitindo opiniões e julgamentos, culpabilizando a nós mesmos e aos outros, e com sentimentos de decepção / vitimização e de injustiça.

Estas reações à imperfeição são os principais responsáveis pelo sofrimento (segundos dardos - assim referido na literatura budista – o sofrimento secundário). Elas conduzem a sentimentos negativos ampliados, criam problemas com os outros e consigo, tornando mais difícil tomar medidas adequadas.


Aqui fica uma alternativa: por exemplo, deixar o copo quebrado ser um copo quebrado, sem adicionar julgamento, resistência, culpa, ou preocupação a esse fato.


Como?

Realize os esforços necessários para melhorar as coisas, mas é importante perceber a impossibilidade de que tudo será como deseja, perfeito.

Abra-se a este fato: não pode perfeitamente proteger os seus entes queridos, ou eliminar todos os seus próprios riscos para a saúde, ou impedir as pessoas de fazer coisas estúpidas.

No início desta abertura pode sentir-se triste, mas posteriormente, provavelmente, vai sentir uma lufada de ar fresco, uma liberdade, e uma onda de energia para fazer as coisas que pode fazer.

É verdade que precisamos de normas e ideais, mas também precisamos de as sustentar de forma suave e sem esforço. Caso contrário, elas vão assumir uma vida própria na sua mente, ficando vítima de uma tirania auto-imposta: "devo fazer isso, é mão fazer aquilo, aquela pessoa fez-me isto...".

Note a auto-insistência moralista na sua própria visão de como você, os outros, e o mundo devem funcionar. Saiba se tem tendências para o perfeccionismo.

Além disso, muitas coisas transcendem padrões fixos. Por exemplo, poderá existir alguma vez algo como uma rosa perfeita ou uma criança perfeita? Nestes casos, a ansiedade sobre a imperfeição é absurda – e que se aplica a tentar aperfeiçoar o seu corpo, carreira, relacionamentos, família ou prática espiritual. Talvez seja bom apenas nutri-los, abraçá-los, ajudá-los a florescer, mas desistir de aperfeiçoá-los.

Fundamentalmente, todas as condições, não importa quão imperfeitas, são perfeitamente o que são: a cama é perfeitamente desfeita, o leite é perfeitamente derramado. Eu não quero dizer moralmente ou pragmaticamente perfeito - como se fosse perfeito rasgar uma camisa ou começar uma guerra - mas refiro-me a que todas as condições são, em última instância, elas próprias.

Nesse sentido, qualquer que seja o caso - de fraldas sujas e aborrecimentos quotidianos, até ao cancro e ao avião que se despenha - é o resultado neste instante do perfeito desenrolar de todo o universo. Tente ver este cenário como um vasto processo objectivo em que os nossos desejos pessoais são tão consequentes como um bolha de espuma no Oceano Pacífico.

Nesta perspectiva, perfeição e imperfeição desaparecem enquanto distinções significativas. Existem apenas as coisas ao seu próprio ritmo, em si mesmas, sem os nossos rótulos de bom ou mau, bonito ou feio, perfeito ou não. Então, não há ansiedade sobre a imperfeição; há apenas simplicidade, objetividade, engajamento - e paz.




adaptado por Vítor Bertocchini
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Por que é tão altamente recomendada a prática da meditação?


A meditação deixou de ser considerada como algo esotérico, praticado apenas por monges budistas, cristãos contemplativos e hindus sadhus. A meditação Tornou-se uma parte da nossa cultura popular, porque traz resultados altamente positivos e benéficos e muitas vezes de forma quase imediata.

A meditação é recomendada por médicos como um método eficaz para reduzir o stress e a hipertensão, para controlar a dor física e emocional, entre muitos outros problemas. Também está a entrar com grande energia no mundo empresarial, ensinando os gestores e colaboradores a concentrarem-se de forma eficaz no seu trabalho, a serem menos ansiosos e a abrirem o seu coração.

Na esfera do desporto, os choaches recomendam a meditação para ajudar os atletas a melhorar a sua concentração e superar o nervosismo. Nas escolas, cada vez mais professores aprendem a meditar, como forma de equilibrar a sua vida e a reduzir o stress na sala de aula. Por outro lado, eles estão já a ensinar aos seus alunos esta prática, que os ajuda a desenvolverem um maior foco e a estimular a sua criatividade e intuição.

Por que é tão altamente recomendada a prática da meditação?
Em primeiro lugar, pela razões já descritas anteriormente. Não menos importante, porque a sua prática é fácil, podendo ser realizada por qualquer pessoa, praticamente em qualquer lugar, a qualquer momento, e não requer nenhum equipamento, instrumentos, ou roupas especiais. Tudo o que é necessário é um assento confortável e, de preferência, um ambiente tranquilo. À medida que se adquire experiência, pode praticá-la também em em qualquer local.


A meditação é fácil de aprender e pode ser praticada em menos de dez minutos por dia. Ela pode ser convenientemente utilizada durante as atividades diárias para melhorar a concentração e o foco, e para relaxar as tensões físicas e mentais.


A prática da meditação também melhora a saúde e a vitalidade. Ele ensina técnicas adequadas de respiração, que trazem "oxigénio fresco" e energia vital para as células do corpo e do cérebro, estimulando os órgãos e fortalecendo o sistema imunológico, digestivo e circulatório.

Para aquelas pessoas que são filosoficamente inclinadas, a prática da meditação abre novos caminhos de auto-investigação que pode levar a uma maior compreensão, harmonia e paz interior.
E para aqueles que são espiritualmente abertos, a meditação é a porta que conduz à auto-realização.


A prática da meditação dá a oportunidade de respirar esse ar de paz, de alegria e compreender experiencialmente que, no silêncio da meditação, encontramo-nos a começar a conhecer o Infinito. Com um coração livre e irradiando alegria, abraçamos a vida, o (multi)universo e toda a natureza. A vida agora está cheia de luz; cada curto momento é pleno de vida.


Por favor, partilhe os seus pensamentos, emoções e histórias em baixo. As suas interacções proporcionam uma sabedoria de vida para que todos possam beneficiar.





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Meditação: a importância do foco na respiração

Usamos a respiração como o nosso foco. Ela serve como o ponto de referência fundamental a partir do qual a mente divaga e é atraída de volta. A distracção não pode ser vista como distracção a menos que haja alguma referência. Esse é o quadro de referência contra a qual podemos ver as mudanças incessantes e as interrupções que acontecem constantemente como parte do pensamento normal.


Elefante Selvagem

Os textos antigos, em Pali, comparam a meditação com o processo de domar um elefante selvagem. O procedimento naquela época era amarrar um animal recém-capturado a um poste com uma corda forte. Com isso o elefante não é feliz. Ele grita e pisoteia e puxa a corda por vários dias. Finalmente ele percebe que não pode fugir e acalma.-se Neste ponto, é possível começar a alimentá-lo e a lidar com ele com alguma medida de segurança. Eventualmente, pode dispensar a corda e treinar o seu elefante para várias tarefas. Agora tem um elefante domesticado que pode ser colocado em tarefas úteis. Nessa analogia, o elefante selvagem é a sua mente loucamente activa, a corda é a consciência plena, e o poste é o seu objecto de meditação, a sua respiração.
O elefante domesticado que emerge a partir deste processo é uma mente bem treinada, que pode então ser usada para o trabalho extremamente difícil de perfurar as camadas de ilusão que a realidade esconde. A meditação doma o espírito.


A próxima pergunta que precisamos fazer é: Porquê escolher a respiração como o principal objecto de meditação? Porque não algo um pouco mais interessante?

As respostas a esta questão são inúmeras. Um objecto útil de meditação deve ser aquele que promove consciência. Deve ser portátil, facilmente disponível e barato. Também deve ser algo que não vai envolvê-lo nesses estados de espírito que estamos a tentar livrar-nos, como a ganância, a raiva e a ilusão.

Respirar satisfaz todos estes critérios e muito mais. Respirar é algo comum a todos os seres humanos. Está sempre connosco, sempre disponível, nunca cessando desde o nascimento até à morte, e não custa nada. Respirar é um processo não-conceptual, algo que pode ser experimentado directamente, sem a necessidade do pensamento. Além disso, é um processo vivo, um aspecto da vida que está em constante mudança. A respiração move-se em ciclos de inalação, exalação, inspirar e expirar. Assim, é um modelo em miniatura da própria vida.
A sensação da respiração é subtil, mas é bastante distinta quando aprender a entrar em sintonia com ela. É preciso um pouco de um esforço para encontrá-la. No entanto, qualquer um pode fazê-lo. É preciso treino, mas não é muito difícil. Por todas estas razões, a respiração torna-se num objecto “ideal” de meditação. A respiração é normalmente um processo involuntário, com o seu ritmo próprio, sem uma vontade consciente. No entanto, um simples acto de vontade pode retardá-la ou acelerá-la, torná-la longa ou curta e agitada.

O equilíbrio entre respiração involuntária e manipulação forçada de ar é bastante delicada. E há lições a serem aprendidas sobre a natureza da vontade e do desejo. Então, também, o ponto na ponta da narina pode ser visto como uma espécie de janela entre os mundos interiores e exteriores. É um ponto de nexo e o local de transferência de energia, onde coisas do mundo exterior se move e se torna uma parte do que chamamos de "eu", e onde uma parte do "eu" flui para se mesclar com o mundo exterior. Há lições a serem aprendidas aqui sobre a auto-identidade e como formá-la.

A respiração é um fenómeno comum a todos os seres vivos. Uma verdadeira compreensão experiencial do processo move-nos para mais perto dos outros seres vivos. Mostra-nos a nossa conexão inerente com toda a vida. Por fim, a respiração é um processo do momento presente. Com isso queremos dizer que é sempre ocorre no aqui e no agora. Nós normalmente não vivemos no presente, é claro. Passamos a maior parte do nosso tempo presos em memórias do passado ou a olhar para o futuro, cheio de preocupações e planos. A respiração não tem outra moldura temporal. Quando nós realmente observamos a respiração estamos automaticamente colocados no presente. Somos puxados para fora do pântano das imagens mentais em direcção a uma experiência real no aqui e no agora. Neste sentido, a respiração é uma fatia viva de realidade. Uma observação atenta de um modelo em miniatura da própria vida leva a insights que são amplamente aplicáveis para o resto da da nossa experiência.

"Como encontrar a respiração"?

O primeiro passo para usar a respiração como um objecto de meditação é encontrá-la. O que está procurando é a sensação física, táctil do ar que entra e sai das narinas. Este é normalmente apenas na ponta interior do nariz. Mas o ponto exacto varia de pessoa para pessoa, dependendo da forma do nariz. Para encontrar o seu próprio ponto, tome uma respiração profunda e rápida e note o ponto, apenas dentro do nariz ou no lábio superior, onde tem as mais distintas sensações da passagem do ar. Agora expire e perceba a sensação no mesmo ponto. É a partir deste ponto que vai acompanhar toda a passagem de ar.

Uma vez que encontrou o seu próprio ponto de respiração com clareza não se desvie desse local. Como praticante, concentre a sua atenção sobre esse ponto único de sensações dentro do nariz. Desse ponto de vista, vê todo o movimento de ar com atenção clara e concentrada.

Não faça nenhuma tentativa para controlar a respiração. Este não é um exercício de respiração do tipo que se realiza no yoga. Concentre-se na natural e espontânea circulação do ar. Não tente regulá-la ou enfatizá-la de qualquer maneira. A maioria dos iniciantes têm alguns problemas nesta área. Procurando a maior concentração na sensação, eles inconscientemente acentuam a sua respiração. O resultado é um esforço artificial que realmente inibe a concentração em vez de a ajudar. Não aumente a profundidade da sua respiração ou o seu som. Este último ponto é especialmente importante em meditação em grupo. A respiração ruidosa pode ser um verdadeiro incómodo para aqueles que o rodeiam. Apenas deixe o ar mover-se naturalmente, como se estivesse dormindo. Deixe ir e permita que o processo siga no seu próprio ritmo. Isso parece fácil, mas é mais complicado do que pensa. Não desanime se descobrir que a sua própria vontade é um obstáculo no caminho. Basta usar isso como uma oportunidade.

A respiração, parece tão banal e desinteressante à primeira vista, mas na verdade é um procedimento extremamente complexo e fascinante. Ela é cheia de delicadas variações, se prestar atenção. Há a inalação e a exalação, respiração longa e respiração curta, respiração profunda, respiração superficial, a respiração suave e respiração irregular. Essas categorias combinam-se umas com as outras de maneiras subtis e complexas. Observe a respiração de perto. Estude-a verdadeiramente. Encontrará enormes variações e um ciclo constante de padrões repetidos. É como uma sinfonia. Não observamos apenas o contorno nu da respiração. Há mais para ver aqui do que apenas uma inspiração e uma exalação.

Cada respiração tem um começo, meio e fim. Cada inalação passa por um processo de nascimento, crescimento e morte, e cada exalação também. A profundidade e a velocidade das suas mudanças de respiração de acordo com o seu estado emocional, o pensamento que flui através da sua mente, e os sons que ouve. Estude esses fenómenos. Vai perceber que são fascinantes.

Quando começar este processo espere algumas dificuldades. A sua mente irá vaguear constantemente, correndo por aí como uma abelha e desaparecer em tangentes selvagens. Tente não se preocupar. O fenómeno “mente-de-macaco” é bem conhecido. É algo que todos os praticantes experientes tiveram que resolver.

Quando isso acontecer, basta observar o facto de que tem pensado, tem sonhado acordado,
preocupando-se, ou o que quer que seja. Delicadamente, mas com firmeza, sem ficar aborrecido ou sem se julgar pela distracção, simplesmente volte-se para a sensação física simples da respiração. Em seguida, faça-o novamente na próxima vez, e de novo, e de novo, e de novo.

A atenção plena na respiração é consciência do momento presente. Quando a pratica de forma adequada apenas tem conhecimento do que está a ocorrer no presente. Não olha para trás, nem para a frente. Irá esquecer a última respiração e não irá antecipar a próxima. Quando a inspiração está apenas a começar não vai pensar na fase final dessa inalação. Não vai avançar para a exalação que se seguirá. Ficará ali com o que, de facto, está a acontecer. A inalação está na sua fase inicial e é a isso que presta atenção; a isso e nada mais.

Esta meditação é um processo de reciclagem mental. O estado que está à procura é aquele em que está totalmente ciente de tudo o que está a acontecer no seu próprio universo perceptual, exactamente da forma como acontece, exactamente quando está a acontecer; consciência total, ininterrupta no tempo presente. Esta é uma meta incrivelmente elevada, e não é para ser alcançada de uma só vez. É preciso prática, por isso começamos devagar. Começamos por nos tornarmos totalmente conscientes de uma pequena unidade de tempo, apenas de uma única inalação. E, quando conseguirmos, estamos no caminho para toda uma nova experiência de vida.


Bhante Henepola Gunaratana - Beyond Mindfulness in Plain English: An Introductory guide to Deeper States of Meditation.
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Rick Hanson - Pode esperar um momento?

budismo mindfulness
Ao falar com uma criança que está a aprender a melhorar o seu auto-controlo pode perguntar-se se ela gostaria de andar de bicicleta sem travões. A resposta - mesmo das mais animadas - será provavelmente sempre não.

Elas entendem que sem travões significa um passeio acidentado e perigoso. É a mesma coisa na vida. Se se depara com as críticas no trabalho, um parceiro cujos sentimentos estão feridos, um impulso interno para atacar verbalmente ou uma oportunidade para obter alguma gratificação que vai custar-lhe mais tarde, tem que ser capaz de colocar o pé no travão por um momento - fazer uma pausa. Caso contrário, provavelmente, vai falhar, de uma forma ou de outra.

O nosso cérebro funciona através de uma combinação de excitação e inibição: pedais de aceleração e de travão. Apenas cerca de 10% dos nossos neurónios são inibitórios, mas sem a sua influência vital seria o cérebro que iria ter um acidente. Por exemplo, os neurónios individuais que são sobre estimulados morrem.
Na vida diária, a pausa oferece-lhe o dom do tempo.
► Tempo para deixar que as outras pessoas digam o que têm para dizer sem se sentir interrompido.
► Tempo para que possa descobrir o que está realmente a acontecer, acalmar-se e focado, resolver as suas prioridades e criar uma boa resposta.
► Tempo tanto para trazer razão calorosa para sentimentos explosivos e para permitir que a sinceridade suavize posições duras.
► Tempo para os " melhores anjos da nossa natureza" tomem voo na nossa mente.


COMO? 

Deixe-se não agir. Às vezes ficamos tão envolvidos num interminável "fazedor" que se torna um hábito. Faça para que tudo fique bem consigo mesmo para simplesmente Ser de vez em quando.

Algumas vezes por dia pare por alguns segundos e sintonize o que está a acontecer para si, especialmente sob a superfície. Use esta pausa para dar espaço para a sua experiência, como ventilar um armário longo fechado num quarto grande. Apanhe-se consigo mesmo.

Antes de iniciar uma actividade de rotina, tome um momento para se tornar plenamente presente. Tente isto com as refeições, iniciando o carro, escovar os dentes, tomar um banho ou atender o telefone.

Depois de alguém terminar de falar consigo, demore um pouco mais que o normal antes de responder. Deixe o peso das palavras da outra pessoa - e mais importante, os desejos e sentimentos subjacentes da pessoa - realmente acalmarem. Observe como esta pausa o afecta - e afecta a resposta da outra pessoa. Se uma interação é delicada ou “explosiva”, desacelere-a. Pode fazer isso por si só, mesmo que a outra pessoa mantenha a verbalização frenética.

Sem ser deliberadamente irritante, pode permitir alguns segundos em maior silêncio (ou até mais) antes de responder, ou falar de uma forma mais comedida. Se necessário, interromper a interação por completo, sugerindo que falarão mais tarde, ou (último recurso) dizer à outra pessoa que por agora não há nada a dizer/fazer, tentando marcar outra altura para continuarem e desligar o telefone.




Antes de fazer algo que possa ser problemático - como “passar-se”, fazendo uma grande compra com o cartão de crédito, escrever um e-mail contundente ou falar sobre a pessoa A para pessoa B - pare e preveja as consequências. Tente imaginá-las em cores vivas: o bom, o mau e o feio. Então faça a sua escolha.

Por último, por um minuto ou mais em cada dia (quantos mais melhor), faça uma pausa global. Basta sentar-se, com o corpo e a respiração relaxados. Deixando os pensamentos e os sentimentos irem e virem,  fluindo livremente, não correndo no seu curso.

Não precisa de ir para outro lugar, nada que precisa fazer, ninguém que precisa Ser. Pause o Fazer, afunde-se no Ser.



Por favor, partilhe os seus pensamentos, emoções e histórias em baixo. As suas interacções proporcionam uma sabedoria de vida para que todos possam beneficiar.






adaptado por Vítor Bertocchini
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4 perguntas para libertar-se de pensamentos negativos automáticos

cognitivo-comportamental mindfulness

Com a prática pode aprender a responder a cada uma dessas distorções cognitivas, funcionando de forma mais adaptativa no seu quotidiano.

Já reparou que quando estamos 'deprimidos' os pensamentos automáticos negativos como: "Isto não tem solução", ou "Eu nunca vou fazer isto de forma correcta", ou "Eu não valho nada" tendem a estar presentes.

Se por outro lado estamos animados, pensamentos positivos como: "Isto realmente vai acontecer", ou "Sou bem aceite pela maioria", ou "Sinto que faço a maioria das coisas de forma positiva" são predominantes.

Os pensamentos são poderosos e vale a pena criarmos consciência do que se passa nas nossas mentes, entendendo que os pensamentos não são factos e, às vezes, até mesmo desafiando-os.

Ver 15 Pensamentos Automáticos Negativos


Aqui estão quatro perguntas para ajudar a desafiar os pensamentos convincentes:

1. São reais?
2. Posso saber com absoluta certeza saber que são reais?
3. Como reajo quando acredito nesses pensamentos?
4. Quem seria Eu sem esses pensamentos?


Ao fazer esta prática compreenderá que os pensamentos não são factos. No entanto, esses pensamentos mudam de forma significativa como vemos as coisas e como reagimos. Se os nossos pensamentos vão ter tanta influência sobre nós, certamente vale a pena verificá-los e trabalhá-los.
No entanto, antes que possa tomar a decisão de observá-los, precisa de se tornar ciente deles e “sair” deles por um momento.

Poderá utilizar a seguinte técnica
STOP (Stop, Take a Breath, Observe, Proceed)
Por outras palavras, Pare, Respire, Observe que esses pensamentos estão a acontecer e Prossiga com estas quatro perguntas. Isso é usar a prática STOP para ser possível fazer as quatro perguntas.

Como sempre, por favor, partilhe os seus pensamentos, histórias e questões na secção reservada para os comentário (em baixo). A sua interacção proporciona uma sabedoria vida para que todos possam beneficiar.


adaptado por Vítor Bertocchini de:
http://blogs.psychcentral.com/mindfulness/2010/06/4-questions-to-release-automatic-negative-thoughts-ants/
- Quatro perguntas originalmente concebidas por:
Byron Katie e presentes no seu livro "Loving What Is: Four Questions That Can Change Your Life"





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15 Pensamentos Automáticos Negativos

cognitivo-comportamental mindfulness
Estamos continuamente em julgamento para provar que as nossas opiniões e acções estão correctas. Estar errado é impensável e nós fazemos o possível para demonstrar o nosso acerto. Por exemplo, "eu não me importo o quão mal discutir comigo te faz sentir, eu tenho razão porque eu estou certo." Muitas vezes, estar certo é mais importante do que os sentimentos dos outros, mesmo os dos entes queridos.



TORNE-SE UM OBSERVADOR ACTIVO DA SUA EXPERIÊNCIA

Quando experimentar alguma das distorções cognitivas apresentadas a seguir, comece por realmente perceber que elas estão a ocorrer com maior consciência. Torne-se um observador activo da sua experiência antes de se apressar em atribuir impulsivamente significado negativo aos eventos. Comece a reconhecer a diferença entre as coisas que tem controlo e as coisas que tem pouco ou nenhum controlo. Quando realmente não tem controlo sobre os eventos externos, escolha aceitá-los verdadeiramente e largue a sua necessidade de controlar. Irá começar a ver que tem total controlo sobre seus pensamentos e comportamentos. Quando conscientemente escolher novos pensamentos e comportamentos, ao longo de um período de tempo consistente, a sua experiência emocional interna irá naturalmente mudar para melhor.

A capacidade de observar e aceitar compassivamente os pensamentos sem a participação activa, interpretação ou julgamento é a pedra angular de Mindfulness.



Uma das estratégias da Terapia Cognitivo-Comportamental é procurar que a pessoa aprenda a identificar os seus pensamentos negativos automáticos e passe a desafiá-los, procurando pensamentos alternativos mais funcionais, ou seja, mais adequados às situações ou mais positivos. Uma das premissas básicas do modelo cognitivo, que está subjacente ao modelo mais amplo da psicologia positiva, é que a maneira como pensamos sobre as coisas é determinante na forma como nos sentimos e posteriormente como nos comportamos. Além disso, há momentos em que os pensamentos são inutilmente negativos. Reconhecendo estes Pensamentos Negativos Automáticos é o primeiro passo para aprender a alterá-los (ver 4 Perguntas para Libertar-se de Pensamentos Automáticos Negativos ). Aqui ficam alguns tipos mais comuns de pensamentos automáticos negativos.

As Distorções Cognitivas


Aaron Beck (1976) propôs pela primeira vez a teoria subjacente às distorções cognitivas e David Burns (1980) foi responsável por popularizar nomes e exemplos comuns para as distorções.

1. Filtragem Selectiva

Concentrar-se nos aspectos negativos, enquanto ignora os aspectos positivos. Ignorar informações importantes que contradizem a sua visão (negativa) da situação. Por exemplo Eu sei que ele [o meu patrão] disse que a maioria da minha apresentação foi excelente, mas ele também disse que havia uma série de erros que tinha de ser corrigida ... ele deve pensar que sou um caso sem esperança.

2. Pensamento Polarizado ou Pensamentos de Tudo ou Nada (pensamento dicotómico).

No pensamento polarizado as coisas são a "preto-e-branco." É a tendência para ver o mundo nos extremos, sem meio-termo. Nós temos que ser perfeitos ou somos um fracasso. Coloca-se as pessoas ou as situações em categorias extremadas, não permitindo incorporar a complexidade da maioria das pessoas e das situações.

3. Generalização.

Nesta distorção cognitiva chegamos a uma conclusão geral baseada num único incidente ou uma única evidência. Se algo negativo acontece apenas uma vez, esperamos que aconteça uma e outra vez. Uma pessoa pode ver um único evento desagradável como parte de um padrão interminável de derrotas. Tais pensamentos, muitas vezes, incluem as palavras "sempre" e "nunca". Por exemplo, esqueci-me de terminar esse projecto em tempo útil. Eu nunca faço as coisas de forma correcta. Ele(a) não quis sair comigo. Estarei sempre sozinho(a).

4. Tirar Conclusões Precipitadas.

Sem que, por exemplo, as outras pessoas digam algo sabemos o que estão a sentir e porque agem de uma determinada forma. Em particular, somos capazes de determinar como as pessoas se sentem em relação a nós. A pessoa pode concluir que alguém está a reagir negativamente a ela, mas na verdade não se preocupa em descobrir se está correcta. Outro exemplo é que quando uma pessoa pode antecipar que as coisas vão correr mal, e vai ficar convencida de que sua previsão é já um facto estabelecido.



5. Catastrofização.

Esperamos que o desastre aconteça ou que algo insuportável e inaceitável vai acontecer. Isto também é referido como "aumento ou minimização." Tomamos conhecimento de um problema e usamos questões do tipo “E se…?” "E se ocorre uma tragédia?" "E se isso acontece comigo?". Por exemplo, vou fazer papel de parvo e as pessoas vão rir-se de mim. Uma pessoa pode exagerar a importância de eventos insignificantes (como o seu erro, ou a realização de outra pessoa). Ou pode inapropriadamente diminuir a magnitude de eventos significativos até que eles pareçam pequenos (por exemplo, as próprias qualidades desejáveis de uma pessoa ou as imperfeições de outra pessoa).

6. Personalização.

Personalização é uma distorção em que uma pessoa acredita que tudo o que os outros fazem ou dizem que é algum tipo de reacção directa e pessoal. A pessoa também se compara com os outros tentando determinar quem é mais inteligente, mais bonito, etc. A pessoa que exerce a personalização pode também ver-se como a causa de algum evento externo negativo, pelo qual não tem qualquer responsabilidade. Por exemplo, "Estamos atrasados para o jantar e isso causou que a anfitriã tivesse cozinhado em demasia a refeição. Se eu simplesmente tivesse insistido com o meu marido para sair mais cedo isso não teria acontecido." "A Joana está com um humor terrível. Deve ter sido algo que eu lhe fiz". "É óbvio que ela não gosta de mim, caso contrário, ela teria dito Olá."

7. Falácia de Controlo.

Se nos sentimos controlados externamente tendemos a ver-nos como uma vítima indefesa do destino. Por exemplo, "Eu não posso fazer nada se a qualidade do trabalho é pobre, o meu chefe exigiu que trabalhasse horas extras." A falácia do controlo interno parte da assunção de que somos responsáveis pela dor e pela felicidade de todos ao nosso redor. Por exemplo, "Porque não estás feliz? É por causa de algo que eu fiz? "


8. Falácia da Equidade.

Sentimos ressentimento porque achamos que sabemos o que é justo, mas as outras pessoas não concordam connosco. Como os nossos pais sempre nos disseram: "A vida nem sempre é justa." As pessoas que passam a vida aplicando uma norma de justeza em todas as situações, julgando a sua "justiça", a maior parte das vezes vão sentir-se mal e negativas em consequência disso. Porque a vida não é "justa" - as coisas não vão sempre orientar-se em seu favor, mesmo quando acha que deveriam.

9. Culpabilização.

Nós tendemos a culpabilizar as outras pessoas pela nossa dor, ou seguimos outro caminho e culpamos a nós mesmos por todos os problemas. Por exemplo, "Pare de me fazer sentir mal comigo mesma…" Ninguém pode fazer-nos sentir de qualquer maneira particular - só nós temos controlo sobre as nossas próprias emoções e reacções emocionais.

10. Obrigações/Deveres.

Temos uma lista de regras rígidas sobre como os outros se devem comportar. As pessoas que quebram as regras irritam-nos, e sentimos culpa quando violamos essas regras. Por exemplo, "Eu realmente deveria praticar exercício físico. Eu não deveria ser tão preguiçoso". As obrigações e os deveres podem também ser ofensivos. A consequência emocional é a culpa. Quando uma pessoa dirige declarações de dever em relação aos outros, elas muitas vezes geram raiva, frustração e ressentimento.

11. Raciocínio Emocional.

Confundir os sentimentos por factos. As coisas negativas que sente sobre si mesmo são tidas como sendo verdades absolutas, porque as sente como verdadeiras. Por exemplo, "Sinto-me um fracasso, portanto, sou um fracasso". "Sinto-me feia, portanto devo ser feia". "Sinto-me sem esperança, portanto, a minha situação deve ser desesperada". Acreditamos que o que sentimos deve ser automaticamente verdadeiro. Assumimos que as nossas emoções insalubres reflectem a verdadeira natureza dos fenómenos.

12. Falácia da Mudança.

Acreditamos que as outras pessoas mudam para se adaptarem a nós se apenas as pressionarmos ou as lisonjearmos o suficiente. Precisamos mudar as pessoas, porque as nossas esperanças para sermos felizes parecem depender inteiramente delas.


13. ‘Rotulagem’ Global.

Generalizamos uma ou mais características num julgamento negativo global. Estas são formas extremas de generalizar, e também são referidas como ‘rotulagem’ e ‘etiquetagem’. Em vez de descrever um erro no contexto de uma situação específica, a pessoa vai endossar um rótulo negativo a ela mesmo. Por exemplo, ela pode dizer: "Eu sou um perdedor" numa situação onde ela falhou numa tarefa específica. Quando não gosta do comportamento de outra pessoa, poderá colocar um rótulo pouco simpático, como "Ele é um verdadeiro idiota." ‘Rotular’ envolve descrever um evento com uma linguagem que é muito colorida e emocionalmente carregada.

14. Estar Sempre Certo.

Estamos continuamente em julgamento para provar que as nossas opiniões e acções estão correctas. Estar errado é impensável e nós fazemos o possível para demonstrar o nosso acerto. Por exemplo, "eu não me importo o quão mal discutir comigo te faz sentir, eu tenho razão porque eu estou certo." Muitas vezes, estar certo é mais importante do que os sentimentos dos outros, mesmo os dos entes queridos.

15. Falácia da ‘Recompensa do Céu’.

Esperamos ser recompensados que pelo nosso sacrifício e abnegação, como se alguém estivesse a contabilizar. Sentimos amargura e negatividade quando as recompensa não vêm.

Com a prática, pode aprender a responder a cada uma dessas distorções cognitivas, funcionando de forma mais adaptativa no seu quotidiano.


Iniciar a sua aprendizagem de Mindfulness com instrutor



Referências:
Beck, A. T. (1976). Cognitive therapies and emotional disorders. New York: New American Library.
Burns, D. D. (1980). Feeling good: The new mood therapy. New York: New American Library.







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Pode voltar a casa em si mesmo?

budismo mindfulness
Os minutos que eu passo a meditar são geralmente os melhores do meu dia. Eles fazem-me sentir como voltar a casa. É bom estar em casa!

Pode voltar a casa em si mesmo?

A prática:

Meditar


Porquê?
A meditação está para a mente como o exercício aeróbico está para o corpo. Como no exercício, há muitas boas formas de meditar e poderá encontrar a que mais lhe convier.

Benefícios

Muitos estudos têm demonstrado que meditar regularmente promove uma consciência observadora, não julgadora sustentada, cujos benefícios incluem a diminuição do cortisol relacionado com o stress, insónia, sintomas de doenças auto-imunes, SPM, asma, depressão, angústia emocional geral, ansiedade e pânico, e fortalecimento do sistema imunitário, o controlo do açúcar no sangue em diabetes tipo 2, diminuição de reações impulsivas, auto-compreensão, e bem-estar geral.
neuronal cell bodies and synapses
No seu cérebro, a meditação regular aumenta a massa cinzenta (corpos de células de neurónios e sinapses):

Ínsula - Lida com a interocepção (sensação do seu próprio corpo); auto-consciência em geral; empatia pelas emoções dos outros
Hipocampo - tem um papel chave nas memórias pessoais, memória visual-espacial, estabelecendo o contexto dos acontecimentos, e acalmando tanto a amígdala (o alarme do cérebro) como a produção de hormonas do stress, como o cortisol
Córtex pré-frontal (CPF) - Suporta as funções executivas, auto-controlo e atenção focada.

A meditação regular também:
Aumenta a ativação no CPF esquerdo, o que eleva o humor positivo;
Aumenta o poder e o alcance das ondas cerebrais gama, o que promove a aprendizagem e talvez um sentido de integração na consciência.
[num retiro de três mês] Preserva o comprimento dos telómeros, as ‘tampas’ nas extremidades de moléculas de DNA - telómeros mais longos estão associados com menos doenças relacionadas com a idade e maior longevidade;
Aumenta a natural redução cortical devido ao envelhecimento na ínsula e CPF.


A meditação é o treino por excelência da atenção. Sendo a atenção como um aspirador – sugando o seu conteúdo para o seu cérebro através do que é chamado de ‘neuroplasticidade dependente da experiência’ – ganhar maior controlo sobre a sua atenção é fundamental para mudar o seu cérebro e, assim, a sua vida, para melhor.

Os minutos que eu passo a meditar são geralmente os melhores do meu dia. Eles fazem-me sentir como voltar a casa. É bom estar em casa.


Como?

A melhor de meditação de todas é... aquela que você vai fazer. Então descubra o que gosta e comprometa-se a praticar. Há toneladas de livros, palestras, até vídeos sobre meditação, além de excelentes professores disponíveis. Aqui vou oferecer um resumo terra-a-terra e super conciso.
Pode ver os cursos que oferecemos

Relaxe. Descanse. Tome a intenção de meditar.
Sintonize-se para uma sensação de presença com você mesmo. Saiba se está a meditar em relação a algo transcendental (como em oração) ou não (se esta distinção é relevante para si); Seguidamente vou descrever uma meditação "secular".

Encontre algo para ancorar a atenção, como as sensações da respiração, uma obra ou frase (por exemplo, "paz") ou uma imagem. Use a âncora que o estimule o suficiente para manter-se no presente; sinta-se livre para praticar a meditação em andamento ou usar um programa áudio para guiá-lo. Meditar com os outros pode ajudá-lo a manter o foco.

Comece a dar atenção total à âncora, deixando de lado tudo o resto. Centrado nela, tornando-se absorvido nela, mesmo que por apenas algumas respirações ou alguns minutos.

Então, com uma consciência contínua da sua âncora, deixe a sua atenção ampliar para incluir o seu corpo... pensamentos... sentimentos... e a atmosfera da sua mente. Lembre-se que não está procura que a sua mente fique ‘em branco’ ou ‘quieta’. Em vez disso, deixe que as coisas surjam e desvaneçam, apenas não se envolva com elas. Sem stresse ou tensão, gentilmente abra-se para se relaxar e se aquietar, e para uma presença cada vez mais estável, experimentando sendo um corpo a respirar em paz.

Medite o tempo que quiser. Mesmo um minuto é bom - e dez, vinte ou quarenta e cinco minutos poderá ser ainda melhor. Eu sugiro que se junte a mim em estar comprometido com a prática de meditação todos os dias por pelo menos um minuto.

Perto do final de cada meditação deixe os benefícios penetrarem no seu ‘interior’.

Se tende para a dissociação ou fica inundado com sentimentos dolorosos quando procura relaxar consigo mesmo, então pode precisar de acumular mais recursos internos antes de meditar. Além disso, tente não ser auto-crítico; este não é um teste de desempenho! A meditação é uma habilidade e como qualquer outra, vai melhorar ao longo do tempo, e os benefícios da prática aumentam.

Acima de tudo, encontre o prazer em meditar. Siga essa alegria em ‘casa’.




adaptado por Vítor Bertocchini
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Porquê é tão difícil prestar Atenção? A Curiosidade pode ser a chave para a Concentração

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Como Dorothy Parker escreveu: "A cura para o tédio é a curiosidade. Não há cura para a curiosidade"
Há uma nova medicação em ensaios clínicos que provavelmente vai revolucionar a nossa capacidade de prestar atenção. Interessado(a) em aprender mais? Sim, todos nós estamos. O paradoxo aqui é que agora, por causa deste interesse, está a prestar atenção. Nós, naturalmente, prestamos atenção quando estamos interessados.

E se juntássemos a ciência subjacente a como os nossos cérebros aprendem melhor pudéssemos despertar o nosso interesse natural para nos treinarmos a prestar atenção? Ainda tenho a sua atenção?

Há mais de 100 anos atrás, Edward Thorndyke descreveu um processo neuronal agora conhecido como aprendizagem baseada na recompensa. Muitos de nós aprendemos na escola através do reforço positivo e negativo. Nada novo. Então, porque deveria preocupar-se? Acontece que as suas raízes são muito mais profundas do que isso. Na verdade, este processo pode ser rastreado até à literatura psicológica budista que é a base para a atual "revolução mindfulness", veiculada pelos media.

Pode estar a pensar, sim, eu tentei meditar, e não funcionou, ou que era muito difícil. Para ser honesto, quando eu participei no meu primeiro retiro de meditação encontrei exatamente a mesma coisa. Tinha-me licenciado recentemente em Princeton e estava bem na faculdade de medicina. Sabia como concentrar-me e fazer as 'coisas'. No entanto, apenas um ou dois dias antes do retiro de silêncio de uma semana, dei por mim a chorar incontrolavelmente no ombro do organizador do retiro, porque eu realmente não o poderia realizar. No conseguia estar concentrado por mais do que alguns minutos seguidos.

Dez anos mais tarde, quando estava a estudar a ciência por trás de mindfulness, deparei-me com os escritos psicológicos antigos que me mostraram que estava a fazê-lo de forma errada, e, ironicamente, como o nosso processo natural de aprendizagem baseado na recompensa poderia ser aproveitado para aprender a prestar atenção de uma maneira que não nos deixa drenado e derrotado dentro de 10 minutos. [1]

Aqui está como funciona.
Há duas formas de prestarmos atenção:
1. forçar a concentração;
2. ficarmos interessados.

A primeira forma foi o que eu fiz quando estava a começar a aprender mindfulness. A instrução era para colocar a atenção na respiração, e quando a minha mente vagueava, trazê-la de volta. Parecia simples, mas a minha mente não estava definitivamente interessada. Foi a coisa mais aborrecida do mundo. Então, apenas resistia e forçava, porque isso é tudo o que conhecia. O que, naturalmente, me deixou exausto e frustrado dentro de um par de minutos. Claramente, não é uma boa solução.

E a segunda opção? A de estar interessado? Quão difícil é isso? Se se lembrar da primeira frase deste post pode ver por si mesmo como estamos naturalmente envolvidos, sem esforço, quando estamos interessados ​​em algo. Aqui está um exemplo: quando começar a ler um bom livro, o que acontece? Presta atenção. Se for realmente bom, vai encontrar-se completamente envolvido, lendo-o até perder a noção do tempo. Pode estar tão absorvido que pode lê-lo nos transportes públicos, imperturbável pelo ruído ou comoção em torno de si. Tenho certeza que já viu isso acontecer muitas vezes. Todos nós temos essa capacidade.

Aqui é onde a aprendizagem baseada na recompensa entra.

Existem três componentes básicos:
1. 'Gatilho' ou Fator Despoletador;
2. Comportamento e;
3. Recompensa.

Do ponto de vista evolutivo, isto representa como nós sobrevivemos ao longo do tempo. Vemos uma fruta ou uma baga que parecem saborosos, levamos à boca, e se for comestível, somos recompensados ​​(ou seja, o gosto é bom). Aprendemos a comer mais do mesmo. Se trincarmos e é amargo, a tentação será cuspir imediatamente. Esta recompensa negativa ensina-nos a não comer estes frutos. E para cimentar essas memórias nas nossas mentes, cada vez que aprendemos algo, os nossos cérebros libertam um pouco de dopamina num caminho de recompensa neuronal (o mesmo neurotransmissor que é afetado por medicamentos como Ritalina, usado na Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção,  bem como outros estimulantes, como a cocaína). Pense nisto como um pouco de cola que solidifica a associação entre a baga e "sim, esta é comestível" ou "não comer isso novamente". Este sistema ainda nos ajuda a lembrar onde as bagas estão para que possamos voltar para apanhar mais.

Onde entra a curiosidade? 
Quando algo desencadeia a nossa curiosidade naturalmente ficamos interessados e também nos traz uma sensação de bem-estar. Assim, a atenção curiosa tem uma recompensa natural. Compare isso com a obrigatoriedade em concentrar-se em algo. Assim, se conseguir praticar tocando na sua capacidade natural de prestar atenção de uma forma curiosa, pode dar um bom uso à sua aprendizagem baseada na recompensa. Isto é o que a prática de mindfulness é: ​​largar as nossas noções preconcebidas ou juízos de como algo "sempre" é, e estar curioso sobre o que realmente está acontecer agora.

Do ponto de vista mecanicista, o que resta para ser descoberto é a distinção entre as vias de recompensa baseados na dopamina e aquelas que envolvem mindfulness. Experimentalmente estas são bastante distintas. Há uma qualidade agitada na experiência que vem associada com a dopamina. Vejo isso nos meus pacientes viciados em cocaína ou outros estimulantes. Com curiosidade não há esta agitação ansiosa, não precisamos de saltar páginas de um livro apenas porque não podemos esperar para ver como a história termina. É um estado aberto, descontraído, mas alegre. Não corremos para chegar seja onde for. (ver vídeo no TEDx). [2-6]

Na verdade, quando temos participantes nas nossas investigações, recorrendo a scanners cerebrais e estão apenas curiosos, um dos centros de "Mim" do cérebro (córtex cingulado posterior) 'fica muito tranquilo' (ver figura). De salientar que esta via não parece envolver caminhos da dopamina tradicionais.

Legenda da figura: Exemplos de atividade cerebral no córtex cingulado posterior em a) um praticante iniciante que foi instruído a prestar atenção à respiração, b) um praticante experiente, que foi orientado a prestar atenção à respiração, e c) um praticante experiente, que foi instruído a prestar atenção à respiração e, em particular, a qualquer sentimento relacionado com interesse, admiração e alegria. Adaptado de Brewer Davis e Goldstein de 2012..

Do ponto de vista clínico, embora os resultados sejam preliminares, o treino da mente parece ser útil até mesmo para as pessoas com PHDA (para uma sinopse, ver este post do New York Times por Daniel Goleman). [7-9] O próximo passo será descobrir como isso acontece no cérebro.

Mas, entretanto, simplesmente ser capaz de diferenciar entre emoção e curiosidade pode ser realmente útil. Excitação está dependente das circunstâncias externas (ou seja, precisamos estar, por exemplo, numa montanha russa), vem e vai em rajadas curtas, e deixa-nos inquietos, a querer mais. A curiosidade é uma capacidade natural, inerente que se constrói sobre si mesma e encerra uma gratificação natural.

Assim, da próxima vez que estiver em situações onde procura concentrar-se em terminar esse projeto 'traquinas', ou mesmo quando se esforça para manter o foco numa história que um(a) amigo(a) está a contar-lhe, veja se pode entrar nos seus próprios processos de aprendizagem naturais à base da recompensa: note o 'gatilho', fique curioso (comportamento), e recompense-se (note a alegria da curiosidade, etc.).

Como Dorothy Parker escreveu: A cura para o tédio é a curiosidade. Não há cura para a curiosidade.


Referências:
1. Brewer, J.A., J.H. Davis, and J. Goldstein, Why Is It So Hard to Pay Attention, or Is It? Mindfulness, the Factors of Awakening and Reward-Based Learning. Mindfulness, 2013. 4(1): p. 75-80.
2. Brewer, J.A. and K.A. Garrison, The posterior cingulate cortex as a plausible mechanistic target of meditation: findings from neuroimaging. Annals of the New York Academy of Sciences, 2014. 1307(1): p. 19-27.
3. Brewer, J.A., K.A. Garrison, and S. Whitfield-Gabrieli, What about the "Self" is Processed in the Posterior Cingulate Cortex? Frontiers in Human Neuroscience, 2013. 7.
4. Brewer, J.A., et al., Meditation experience is associated with differences in default mode network activity and connectivity. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 2011. 108(50): p. 20254-9.
5. Garrison, K., et al., Effortless awareness: using real time neurofeedback to investigate correlates of posterior cingulate cortex activity in meditatorsí self-report. Frontiers in Human Neuroscience, 2013. 7.
6. Garrison, K.A., et al., Real-time fMRI links subjective experience with brain activity during focused attention. Neuroimage, 2013. 81C: p. 110-118.
7. Zylowska, L., et al., Mindfulness meditation training in adults and adolescents with ADHD: a feasibility study. J Atten Disord, 2008. 11(6): p. 737-46.
8. van der Oord, S., S. Bögels, and D. Peijnenburg, The Effectiveness of Mindfulness Training for Children with ADHD and Mindful Parenting for their Parents. Journal of Child and Family Studies, 2012. 21(1): p. 139-147.
9. van de Weijer-Bergsma, E., et al., The Effectiveness of Mindfulness Training on Behavioral Problems and Attentional Functioning in Adolescents with ADHD. Journal of Child and Family Studies, 2012. 21(5): p. 775-787.


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adaptado por Vítor Bertocchini de: http://news.stanford.edu/news/2015/june/hiking-mental-health-063015.html
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