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6 Qualidades Inestimáveis - Paramitas



Paramita é uma palavra sânscrita que significa atravessar para a outra margem. Paramita também pode ser traduzida como “perfeição”, realização “perfeita”, ou chegar mais longe, além dos condicionamentos. Através da prática destas seis paramitas, podemos atravessar o mar de sofrimento (samsara) para a costa da felicidade e do “despertar” (nirvana); atravessamos da ignorância e da ilusão para a “iluminação”. Cada uma das seis paramitas é uma qualidade, uma virtude ou atributo - a semente inata da “perfeita” realização dentro de nós. As paramitas são a própria essência da nossa verdadeira natureza.


1/ Generosidade (Dana)
Dando de si mesmo, dando tempo e apoio sempre que necessário, quando necessário, sem pensar em retorno.


2/ Ética (Sila)
Comportamento ético, moral e virtuoso. Fazer o que é certo, no momento certo. Mantendo-se disciplinado e no caminho certo.


3/ Paciência (Kshanti)
A tolerância com todas as pessoas, situações e experiências fora do nosso conforto.
Aceitação e tolerância.


4/ Diligência (Virya)
Perseverança entusiástica, energia, força e diligência para permanecer no caminho, mesmo quando se torna difícil e desconfortável.


5/ Meditação (Dhyana)
Concentração e auto-reflexão. Contemplação em coisas fora da nossa compreensão imediata.


6/ Sabedoria / Discernimento (Prajna)
A sabedoria é uma parte de todas as paramitas anteriores. É a base onde elas assentam. A sabedoria vem com o tempo. Não pode ser apressada, embora todos nós somos sábios dentro de nossa própria compreensão de cada momento. Neste sentido irá evoluir à medida que tomar cada passo da sua vida. Tornar-se-á sábio quando vir a sua verdade, a suas falhas, sucessos, esforços, e assim por diante como apenas o que são, momentos impermanentes do seu ser. “Abrir mão” destes é o fruto da sua sabedoria.

Estas são qualidades que procuramos trabalhamos em todas as actividade que promovemos.








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10 equívocos comuns sobre o Budismo

budismo mindfulness
Se entrar num templo budista é provável que veja um comportamento que parece potenciar a idolatria (a adoração de ídolos). Devotos exibem reverência...
Se o tema do budismo é relativamente novo para si, então a sua mente estará talvez como uma ardósia limpa, sem ideias pré-existentes sobre os seus ensinamentos. Mas muito provavelmente supomos que tem pelo menos alguns preconceitos sobre os budistas, o Buda, ou as práticas budistas. São construções que foi possivelmente fazendo a partir de um comentário no noticiário noturno, de uma foto no jornal, do facebook ou de uma observação que ouviu enquanto assistia a um documentário sobre a Ásia. Embora as intenções dos média sejam geralmente boas,  estão, muitas vezes, distorcidas e repletas de ideias sobre o budismo, podendo não corresponder à sua essência.

Tem sido notado que certos equívocos aparecem repetidamente em comentários e perguntas dos alunos. Eu consigo lembrar-me das ideias que eu tinha quando me iniciei no estudo do Budismo. Por exemplo, depois de ler um ou dois livros que enfatizavam a importância de eliminar a avidez/desejo se quiser alcançar o estado de Buda.

budismo mindfulness

Seguidamente, apresentamos dez equívocos comuns sobre o budismo e que emergem regularmente naqueles que  são iniciantes (e às vezes até mesmo experientes) estudantes do budismo. Talvez encontre alguns que partilhe.

1. O budismo é apenas para os Asiáticos


De facto, o budismo é originário da Índia, tendo posteriormente se espalhado, primeiro, ao vizinho Sri Lanka e depois a outros países Asiáticos. Todas as formas tradicionais do budismo (como Tibetano, Vietnamita, e o Budismo Japonês) são nativas da Ásia. A maioria das pessoas têm imagens mentais dos monges e monjas budistas como sendo decididamente asiáticas. Levando essa linha de raciocínio um pouco mais longe, algumas pessoas presumem que qualquer coisa relacionada com o budismo é apenas adequado para a "mentalidade oriental" (o que quer que isso signifique) e impróprio para os ocidentais.

No entanto, o budismo não pertence a nenhum continente, nação ou grupo étnico. Enquanto existir sofrimento sob a tirania das emoções negativas, hábitos destrutivos e pensamentos distorcidos, os ensinamentos budistas sobre mindfulness, sabedoria e compaixão podem oferecer métodos eficazes para alcançar a felicidade duradoura e paz de espírito.

Na verdade, milhões de homens e mulheres na Europa e as Américas têm adoptado o budismo como o seu caminho espiritual e começaram a adaptar os seus rituais e formas em função das suas necessidades. E uma grande parte dos mestres budistas no Ocidente actuais nasceram e cresceram no Ocidente. É claro que, nos Estados Unidos da América, muitos Americanos Asiáticos ainda praticam o budismo - mas agora muitos americanos de outras 'raças' e grupos étnicos o fazem também. Rapidamente o budismo está a tornar-se universal.


2. Para os budistas, o Buda é Deus


Porque as grandes religiões ocidentais são centradas num Deus, muitas pessoas, compreensivelmente, acham que os budistas consideram o Buda como o criador do mundo e o Ser Supremo que julga as nossas acções, distribuindo recompensas e punições, desempenhando um papel importante na determinação do nosso destino, e geralmente, tendo uma participação activa no modo como as nossas vidas se desenrolam.

Mas nenhum desses conceitos se aplica ao budismo. O Buda histórico foi um ser humano como todos os outros. Através do treino espiritual ele foi capaz de penetrar nas camadas mais profundas do apego, da cólera, da ignorância e do medo da sua própria mente e coração, e percebeu a origem do sofrimento, tendo também descoberto o caminho que conduz à cessação do sofrimento. Ele sentiu-se, então, movido a conduzir os outros a saírem do seu sofrimento auto-criado e passou muitos anos a partilhar os seus insights, ideias e métodos.

No entanto, existe, definitivamente, um aspecto devocional nas práticas budistas. As imagens de Buda são adoradas com ofertas, e algumas tradições do budismo reverenciam certos Budas e Bodhisattvas. Embora estes budistas não adorem estes Budas e Bodhisattvas exactamente da mesma maneira que os judeus e cristãos adoram Deus. Eles tratam estas figuras com uma grande devoção, mas além disso, eles acreditam que estes seres transcendentes podem, ocasionalmente, intervir na vida dos humanos, especialmente ajudando a capacitar transformação espiritual.


3. Os budistas são adoradores de ídolos


Se entrar num templo budista é provável que veja um comportamento que parece potenciar a idolatria (a adoração de ídolos). Devotos exibem reverência, com as suas palmas das mãos juntas na frente de um altar, decorado com flores, incenso e outras ofertas, caracterizando uma estátua do Buda (às vezes acompanhada de outras figuras estranhas). De repente, então, essas pessoas curvam-se, em alguns casos, estendendo os seus corpos no chão na direcção do altar. Embora esta cena - chamada de oferecer prostrações - pareça uma adoração a ídolos, uma imagem bem diferente emerge. Quando se curva ou conscientemente se exerce as prostrações (não como um ritual vazio), está a demonstrar humilhação do seu pseudo ego e honrar o 'Buda'.


4. Porque os budistas acham que a vida é sofrimento, discutem muito o tema da morte


Este equívoco é particularmente um dos mais populares e mais persistentes sobre o budismo. Qual é a fundamentação para a sua existência? Afinal de contas, a primeira das Quatro Nobres Verdades, no coração dos ensinamentos do Buda, é conhecida como a verdade do sofrimento.

Este mal-entendido pode ser dissipado se, em grande medida, entendermos que o Buda, como um médico, não só diagnostica o sofrimento, como também ensina a cessação do sofrimento, bem como o caminho que leva a esta cessação. A compreensão da verdade do sofrimento meramente informa e motiva a seguir o caminho que conduz ao fim do sofrimento - a alegria indizível e a paz que nasce quando se alcança o despertar. Resumindo, os budistas não estão morbidamente fixados no sofrimento. Pelo contrário, os budistas estão preocupados, principalmente, com uma felicidade duradoura e no alcançar da liberdade que não depende das circunstâncias imprevisíveis da vida. Se precisa de prova, basta olhar para o rosto sorridente do Dalai Lama,  actualmente o budista mais proeminente no Ocidente.


5. Os budistas pensam que tudo é uma ilusão


Os ensinamentos budistas têm como objectivo eliminar todas as perspectivas falsas, enganosas e enviesadas acerca da realidade, porque essas visões constituem uma importante fonte de sofrimento.

Para expressar este ponto, certos textos budistas Mahayana, por exemplo, comparam o mundo das aparências (onde vive a maioria das pessoas) com um insubstancial sonho, miragem ou ilusão. Infelizmente, algumas pessoas interpretam erradamente esta metáfora para significar que nada existe realmente, que as coisas são apenas uma invenção da nossa imaginação, e não importa o que realmente faça porque nada faz sentido.

Mas o Budismo considera esta interpretação excessivamente negativa e um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento espiritual. As pessoas que caem sob a crença desta perspectiva estão em perigo de se comportar de forma imprudente e ignorando as leis de causa e efeito ("afinal, tudo é apenas uma ilusão"), criando apenas mais sofrimento para si e para os outros.

As coisas não são ilusões, as coisas são como ilusões. Elas parecem existir de uma determinada forma, mas, de facto, existem de uma outra forma. Por exemplo, numa ilusão de óptica uma linha pode parecer maior do que outra linha, mas na realidade ser mais curta. Da mesma forma, a realidade pode parecer ser uma colecção de objectos materiais sólidos e separados. Na verdade, porém, são um fluxo em constante mutação, em que tudo está inter-relacionado e nada está  separado ou é independente, como parece ser. A nível relativo, no quotidiano, as coisas existem. Caso contrário, como poderíamos ter escrito este artigo, e como poderia estar a lê-lo?

Este engano estará presente até que remova os véus dos distorções que obscurecem a sua sabedoria, e até lá não pode perceber a realidade directamente, da forma como ela é realmente.


6. Os budistas não acreditam em nada


Este equívoco está intimamente relacionado com o que se referiu no item "os budistas pensam que tudo é uma ilusão".
Para entender os aspectos profundos das quatro nobres verdades, a principal doutrina do budismo, é fundamental compreender o que é conhecido como as 'duas verdades'. 'As 'duas verdades' referem-se à perspectiva filosófica budista fundamental que considera que existem dois níveis de realidade. Um é o nível empírico, fenomenal e relativo àquilo que nos parece ser, onde funções como causas e condições, nomes e rótulos, e assim por diante podem ser validamente compreendidos. O outro é um profundo nível de existência, para além do primeiro, o qual os filósofos budistas descrevem como o fundamental, ou final, a natureza da realidade, e que muitas vezes é tecnicamente referido como "vazio". A realidade absoluta não manifesta - Shunyata, Paramatman, Tao, Natureza de Buda, etc. - é a base suprema de toda a realidade. O seu alcance é experimentado como Nirvana ou libertação ou auto-realização. O oposto deste estado é o mundo dos fenómenos, Maya, a verdade relativa, Ilusão, Samsara, "a roda do renascimento", sujeito à ignorância (avidya) da sua verdadeira natureza, o desejo, a infelicidade, e assim por diante.

Os budistas acreditam na vacuidade - ou, mais precisamente, procuram experimentar a vacuidade - mas isso não significa que eles não acreditem em nada. Adoptar uma rejeição tão extrema de tudo é uma grande armadilha no caminho espiritual.

Ao investigar a natureza última da realidade, os pensadores budistas tomaram as palavras do Buda, não tanto como uma autoridade suprema, mas sim como pistas para ajudar o seu próprio insight, pois a autoridade última deve sempre residir na própria razão do indivíduo e da sua análise crítica. É por isso que encontramos várias concepções de realidade na literatura budista. Cada uma é baseada num nível diferente de entendimento da natureza última.


7. Somente os budistas podem praticar o budismo


Algumas pessoas que se deparam com o Budismo através de um livro ou de um professor descobrem que os seus ensinamentos ajudam a dar sentido à sua vida. Mas elas refream-se de os praticar, porque pensam que têm que se tornar budistas - e elas realmente não querem ir tão longe. Talvez essas pessoas já pertencem a uma outra tradição religiosa e não se sentem confortáveis ​​com a ideia de abandoná-la. Ou talvez elas ainda não queiram identificar-se com qualquer movimento particular ou "ismo". Se é uma dessas pessoas, ouça os ensinamentos budistas e seguia-os, se quiser, mas permaneça fiel à sua própria tradição. Afinal, cada religião tem as suas próprias qualidades ​​e valores notáveis.

Se considera que certos ensinamentos budistas são particularmente interessantes, simplesmente, coloque-os em prática, tanto quanto puder. O facto é que muitos cristãos e judeus nos dias de hoje, incluindo ministros bem conhecidos, rabinos e sacerdotes, praticam formas de meditação budistas, porque eles acham que as técnicas e os ensinamentos apoiam e aprofundam a sua compreensão e apreciação da sua própria tradição. Vários católicos praticantes foram reconhecidos como mestres zen! Se feita 'correctamente', a meditação budista pode torná-lo ainda melhor seguidor de sua própria religião - ou um ateu melhor, se é isso que deseja.


8. Os budistas estão apenas interessados ​​em contemplar os seus umbigos


Sem dúvida que, o budismo coloca uma grande ênfase na introspecção silenciosa. Direccionar a sua atenção para dentro e domar a sua mente selvagem e fragmentada, sugerem os ensinamentos. Muitas pessoas, até mesmo os budistas experientes, interpretam que isso significa que eles têm de virar as costas para o mundo exterior e se concentrar exclusivamente na sua prática. Mas esta imagem é apenas parte da realidade.

Em certas tradições do Budismo Mahayana, o Bodhisattva compassivo é considerado como o modelo final. O problema é que não se pode esperar ajudar os outros de uma forma eficaz se ainda se está preso nas suas próprias emoções negativas e padrões habituais, tais como a ignorância, ganância, inveja, raiva e medo. Então, se quer ajudar os outros ou apenas ajudar-se a si mesmo, precisa de iniciar com o mesmo procedimento: dirigir-se para o seu interior através da meditação e outras práticas e trabalhar com a sua própria mente e coração. Eventualmente, se a sua motivação altruísta é forte, naturalmente, irá partilhar a sabedoria e compaixão que foi cultivando com as pessoas ao seu redor.

Nas últimas décadas, alguns budistas criaram movimentos de acção social. Estes são conhecidos pelo termo geral de 'Budismo Engajado (socialmente)'. Se quiser exemplos de mestres budistas proeminentes comprometidos com a acção social, não precisa de procurar muito. Dois bons exemplos - Thich Nhat Hanh, que foi indicado para o Prémio Nobel da Paz em 1968 pelo seu activismo em prol da paz durante a Guerra do Vietname, e o Dalai Lama, que foi premiado com o prémio em 1989 pelo seu trabalho incansável em nome do povo tibetano.


9. Os budistas nunca ficam com raiva


A prática da meditação pode ser entendida a partir de vários pontos de vista diferentes. De acordo com alguns professores na tradição Zen, por exemplo, a ideia de que medita para conseguir alguma coisa limita a sua prática e leva-o para longe do momento presente. De acordo com o ponto de vista que as tradições Theravada e Vajrayana partilham, no entanto, as pessoas envolvem-se na meditação por uma variedade de razões, uma das mais importantes é a de superar obstáculos internos, como o ódio e a raiva. Os budistas, por isso, tem a reputação de ser calmos, mesmo moderados, e imperturbáveis quando confrontados com a adversidade. Muitas pessoas, mesmo alguns budistas, consideram s monges e as freiras como sendo especialmente incapazes de ter raiva.

Mas tenha em mente que simplesmente tornar-se um budista, ou colocar as vestes de um monge ou freira não significa que de repente quebra todos os hábitos destrutivos de uma vida (ou, como diriam os budistas, de incontáveis ​​vidas). O desenvolvimento espiritual leva tempo, e se espera mudanças dramáticas simplesmente porque adoptou uma nova religião ou decidiu usar roupas diferentes é uma visão irrealista.

Se é sincero nas suas práticas budistas pode começar a observar algumas mudanças num período relativamente curto de tempo - digamos, seis meses ou um ano. Pode ainda ficar com raiva, mas talvez não fica com raiva tão frequentemente ou tão violentamente ou por tanto tempo. Se notar esses sinais positivos de mudança, pode alegrar-se com eles. Eventualmente, existe a possibilidade de descobrir que as situações que costumavam causar-lhe perturbação agora apenas aumentam a sua compreensão, amor e tolerância. Isso é quando sabe que está realmente a fazer progressos.


Finalmente, é preciso mencionar que se finge estar calmo e tranquilo, enquanto está a 'ferver por dentro com raiva' não é definitivamente uma prática budista recomendada. Nem é, claro, uma prática recomendável descarregar a sua raiva nos outros. O primeiro passo é reconhecer que está com raiva; o próximo passo é trabalhar com a sua raiva, usando uma das várias práticas budistas que podem ajudar a suavizá-la e, finalmente, a neutralizá-la. Se necessário, pode expressar a sua raiva de uma forma clara e responsável. Mas se apenas a pretender abafá-la é como tentar parar uma panela de água a ferver pressionando firmemente na sua tampa: mais cedo ou mais tarde o panela vai explodir!



10. "É apenas o meu Carma; Não há nada que possa fazer com ele"


O termo carma surge muitas vezes nas conversa casuais do dia-a-dia, e diferentes pessoas têm diferentes ideias sobre o que significa. Para algumas pessoas, karma parece ser imprevisível - algum tipo de sorte. Para outros, o termo significa destino, e a sua atitude perante a vida, portanto, tende a ser bastante fatalista: "É o meu carma de me enervar facilmente", eles podem dizer. "Esta é apenas a forma como eu sou; O que posso fazer?"

O budismo vê o carma (que significa literalmente 'acção') simultaneamente como mais previsível e mais dinâmico do que as perspectivas da palavra que se acabou de descrever. O relevante a reter é que cada um de nós se engaja continuamente em acções agora e que conduzirão a resultados cármicos no futuro, e cada um nós experimenta continuamente os resultados cármicos agora de acções que criou no passado. Por outras palavras, o seu carma não é um destino fixo, imutável que deve aceitar passivamente, como se fosse único e imutável, que o universo reservou para si. Em vez disso, a sua situação cármica muda constantemente, dependendo de como agir, falar e pensar no momento presente. Ao alterar o seu comportamento e transformar a sua mente e o seu coração através da prática budista, pode definitivamente transformar a qualidade da sua vida (e a vida das pessoas mais próximas).

Adaptado do livro 'Buddhism For Dummies' de Jonathan Landaw e Stephan Bodian
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Mindfulness - Budismo

budismo mindfulness
Embora geralmente considerado como uma religião, o budismo é basicamente um método de cultivar a mente.

Em muitas tradições budistas o objectivo do treino de mindfulness é dissipar a ignorância (avidya), da qual resulta o apego (upādāna) e o sofrimento (dukkha) e para perceber a impermanência do "Eu". Cultivando uma consciência não discursiva podemos obter insight (vipassana) da nossa própria natureza essencial, em última análise, chegando à conclusão de que não existe um "Eu" permanente (anatta/anatman), que todos os objectos são em última análise, desprovidos de uma identidade independente (sunyata) e que todos os fenómenos surgem a partir de um campo interdependente, de cooriginação (pratityasamutpada). Essas realizações poderão resultar na cessação do sofrimento pessoal e na génese da compaixão.



Embora geralmente considerado como uma religião, o budismo é basicamente um método de cultivar a mente. É verdade que, com a sua tradição monástica, e ênfase nos aspectos éticos, possui muitas das características que os ocidentais associam com uma religião. No entanto, o budismo não é teísta, uma vez que afirma que o universo é governado por leis impessoais e não por qualquer deus criador; o Buda era um professor e não um deus; e considera a devoção não como uma obrigação religiosa, mas como um meio de expressar gratidão ao seu fundador e como um meio de auto-desenvolvimento. Assim, não é uma religião a partir desses pontos de vista.

A um budista não é esperado que tenha fé ou  que acredite em qualquer coisa simplesmente porque o Buda disse, ou porque está escrito nos livros antigos, ou porque tem sido transmitido pela tradição, ou porque os outros acreditam. A pessoa pode adotar a doutrina de Buda como uma hipótese de trabalho e ter confiança nela; mas não se espera que se aceite qualquer coisa, a menos que a sua razão aceite. Isso não significa que tudo possa ser demonstrado de forma racional, pois muitos pontos estão fora do espectro do intelecto e só podem ser conhecidos pelo desenvolvimento das faculdades superiores. Mas o facto é que não há necessidade de aceitação cega em nada na doutrina do Buddha.

O budismo é um modo de vida baseado no treino da mente. O seu único objectivo final é o de mostrar o caminho para completar a libertação do sofrimento pela realização do incondicionado, um estado além do alcance da mente destreinada normal. O seu objetivo imediato é irradicar as raízes do sofrimento na vida quotidiana.

Toda a atividade humana é dirigida, imediatamente ou remotamente, para a realização da felicidade de uma forma ou outra; ou, para expressar a mesma coisa em termos negativos. Toda a atividade humana é dirigida à libertação de algum tipo de insatisfação. A insatisfação, então, pode ser considerada como o ponto de partida da atividade humana, com a felicidade como o seu objetivo final.

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Pratityasamutpada - Originação interdependente

budismo mindfulness
Há então um encadear incessante dos fenómenos, todos eles condicionados, para a formação de novos fenómenos...

Nos ensinamentos búdicos o conceito de causalidade interdependente, ou pratityasamutpada, baseia-se no conceito de impermanência.
Todas as coisas são impermanentes e sempre em constante fluxo - cada coisa única no universo está sempre em mudança, em decomposição, a crescer, a morrer, etc.

Originação interdependente (ou surgimento dependente) diz-nos que nada existe independentemente de outras coisas. Esta é uma dimensão crucial na lei natural universal e que torna possível a libertação. O Buda aplicou esta verdade geral de interdependência causal ao problema do sofrimento humano.

Pratityasamutpada refere-se ao conjunto dos mecanismos de interacção que regem os fenómenos nas suas relações causais. Este princípio da condicionalidade afirma que tudo o que acontece, em qualquer plano de existência, acontece em consequência (ou em decorrência) de condições e na ausência dessas condições cessa.


Numa formulação clássica será: 

 “Isto estando, aquilo acontece;
 Surgindo isto, aquilo surge;
 Isto não estando, aquilo não acontece;
 Cessando isto, aquilo cessa.

Há então um encadear incessante dos fenómenos, todos eles condicionados, para a formação de novos fenómenos. “Isto estando, aquilo acontece”, significa que os fenómenos são sempre os efeitos decorrentes de causas e condições específicos.

O que é a Equanimidade?



emocoes mindfulness
a forma ideal de equanimidade abraçada pelo Budismo inclui, também, o ter uma atitude igual para todos os seres, sem os limites que temos o hábito de desenhar entre amigos, estranhos e aqueles que consideramos "pessoas difíceis".
Na tradição Budista o termo equanimidade (Upeksha em sânscrito, Upekkha em Pali) é uma construção complexa e que tem sido alvo de várias definições ao longo do desenvolvimento do pensamento Budista.
Na sua essência é a palavra para "olho" e "ver", com um prefixo sugerindo 'contemplação' ou observação, sem interferências.

Na literatura Budista Theravada (que será o nosso principal foco neste artigo devido à prevalência deste ramo especial do Budismo nas intervenções clínicas actuais baseadas em mindfulness), existem dois principais usos do termo equanimidade.


Primeiro, pode referir-se a "sentimento neutro", uma experiência mental que não é nem agradável nem desagradável e que não envolve nem intensificar nem diminuir os estados mentais (Bodhi, 2000). Este primeiro uso do termo equanimidade corresponde à noção psicológica ocidental de "valência neutra” e é comummente experimentado ao longo de qualquer dia do nosso quotidiano.


O segundo significado de equanimidade, corresponde a um estado mental ou característica que não são facilmente alcançados e, normalmente, requer alguma forma de prática. É "um estado mental que não pode ser influenciado por preconceitos e preferências" (Bodhi, 2000), uma serenidade face a todo o tipo de experiências, independentemente do prazer ou da dor estejam ou não presentes" (Thanissaro Bhikkhu, 1996). Este estado de equanimidade manifesta-se como "uma reacção equilibrada na alegria e na tristeza e que protege contra a agitação emocional" (Bodhi, 2005).

 Em resumo, reformulando esta definição em termos modernos, a equanimidade é um estado mental sereno ou uma tendência disposicional para todas as experiências ou objectos, independentemente da sua valência afectiva (agradável, desagradável ou neutro) ou fonte. Aqui usa-se o termo sereno na sua definição comum, como um estado calmo, estável e tranquilo.

A equanimidade envolve também um nível de imparcialidade (ou seja, não sendo parcial ou tendencioso), de tal forma que se pode experimentar pensamentos ou emoções desagradáveis sem reprimi-los, negá-los, julgá-los ou ter aversão. Da mesma forma, num estado equânime pode-se ter experiências agradáveis ou recompensadoras, sem se estar super-animado ou tentar prolongar essas experiências ou tornar-se viciado nelas.

Grabovac, Lau e  Willett (2011) descrevem a equanimidade como uma "abordagem de experiências agradáveis, desagradáveis e neutras com igual interesse."
Deve notar-se que isso vai contra as nossas tendências habituais para procurar o agradável e evitar o que é desagradável. Na perspectiva Budista, essas duas tendências são formas de desejo (Taṇhā em Pali, literalmente "sede"), que constitui a origem de todas as formas de sofrimento e insatisfação (dukkha) (Bodhi, 2000; Analayo, 2003).

Além disso, deve-se notar que a forma ideal de equanimidade abraçada pelo Budismo também inclui ter uma atitude igual para todos os seres, sem os limites que temos o hábito de desenhar entre amigos, estranhos e aqueles que consideramos "pessoas difíceis". Noutras palavras, "considerar todos os seres como iguais no seu direito a ter felicidade e a evitar o sofrimento" (Tsering, 2006) e "tratá-los sem discriminação, sem preferências e preconceitos" (Bodhi, 2000). Este aspecto da equanimidade pode ser cultivado com métodos específicos de prática contemplativa.


Bibliografia 

- Analayo. (2003). Satipatthana: The Direct Path to Realization. Cambridge, UK: Windhorse Publications.
- Bodhi, B.(2000). A Comprehensive Manual of Abhidhamma: The Philosophical Psychology of Buddhism. Onalaska, WA: Buddhist Publication Society Pariyatti Editions
- Bodhi, B. (2005). In the Buddha’s Words: An Anthology of Discourses from the Pali Canon. Somerville, MA: Wisdom Publications.
-Grabovac, A. D., Lau, M. A., & Willett, B. R. (2011). Mechanisms of mindfulness: A Buddhist psychological model. Mindfulness,2(3), 154–166.
-Thanissaro Bhikkhu (1996).Wings To Awakening: An Anthology From The Pali Canon. Barre, MA: Dhamma Dana Publications.
-Tsering, G. T. (2006). Buddhist Psychology. The Foundation of Buddhist Thought, vol. 3. Somerville, MA: Wisdom Publications.


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Pura Consciência - Matthieu Ricard

A pura consciência, sem conteúdo, é algo que muitos dos que meditam regular e seriamente já experimentaram - não é apenas uma espécie de teoria Budista. E qualquer um que se dê ao trabalho de estabilizar e clarificar a sua mente será capaz de experimentá-la também. É através deste aspecto incondicionado da consciência que podemos transformar o conteúdo de mente através do treino

Mas a meditação também significa cultivar qualidades humanas básicas, tais como a atenção e a compaixão e novas formas de experimentar o mundo. O que realmente importa é que a pessoa muda gradualmente. Ao longo de meses e anos, torna-se menos impaciente, menos propenso à cólera, menos dividido entre esperanças e medos. Torna-se inconcebível prejudicar voluntariamente outra pessoa.



Desenvolvemos uma propensão para o comportamento altruísta e um conjunto de qualidades que nos aporta os recursos para lidar com os altos e baixos da vida. O ponto aqui é que poderá olhar para os seus pensamentos e emoções fortes com uma pura atenção plena, que não está relacionada com os seus conteúdos. Tomemos o exemplo da cólera malévola, com a qual, muitas vezes, nos identificamos. A cólera pode preencher a nossa paisagem mental e projectar esta realidade distorcida sobre nós próprios, sobre as pessoas e eventos. Quando somos oprimidos pela cólera não conseguimos nos dissociar dela.

Perpetuamos um círculo vicioso de aflição ao reacender a cólera cada vez que vemos ou lembramos a pessoa que nos fez sentir de tal forma. Ficamos dependentes da causa do sofrimento. Mas se conseguirmos dissociar-nos da cólera e olhar para ela com atenção plena, que está ciente que a cólera não é cólera, podemos ver que é apenas um conjunto de pensamentos/emoções. A cólera não corta como uma faca, queima como o fogo ou esmaga como uma rocha, nada mais é do que um produto da nossa mente. Em vez de "ser" a cólera, percebemos que não somos a cólera, da mesma forma que as nuvens não são o céu. Então, para para lidar com a cólera olhamos para e mantemos a nossa atenção sobre ela. Se pararmos de adicionar madeira a uma fogueira e apenas assistirmos, o fogo extinguir-se-á. Da mesma forma, a cólera irá desaparecer, sem ser forçosamente reprimida ou ter in/explodido. 

Não há dúvida de que todos experimentamos emoções. Trata-se, então, de uma questão de não ser escravizado por elas. Deixar as emoções surgir, mas libertas dos seus componentes aflitivos: distorção da realidade, confusão mental, apego e sofrimento para si e para os outros. Há uma grande virtude em descansar de vez em quando na pura consciência do momento presente e ser capaz de evocar este estado quando as emoções aflitivas surgem, para que não fiquemos identificados com e não sejamos seduzidas por elas. É difícil no início, mas torna-se bastante natural à medida que se familiariza com tal abordagem. Sempre que a cólera surge, aprende-se a reconhecê-la de imediato.

 “Se conhecer alguém que é um carteirista, mesmo que ele se mistura na multidão, irá reconhecê-lo à distância e manter um olhar atento sobre ele.”

Matthieu Ricard

Budismo: Apego



A pele, como revestimento, realiza várias funções: protege o corpo contra a invasão de corpos estranhos, regula a temperatura corporal, sensorializando o frio, o calor, a pressão; nela há terminações nervosas e órgãos sensoriais para a percepção da viscosidade, dureza, aspereza, maciez, umidade; a camada externa de células mortas (a queratina), sempre descamando e se renovando, é um revestimento bastante impermeável à perda de água e resistente ao atrito.

Por um lado, a pele serve fisicamente de proteção; mas por outro, é objecto de cobiça dos sentidos, mantendo a mente apegada às ilusões do mundo sensorial, reparar o quanto investimos na nossa aparência física, pois que muito do nosso relacionamento com os outros e com a nossa auto-imagem é influenciado pela percepção e valorização da imagem corporal. Não há nada de errado em cuidarmos de nossa aparência física. Manter o corpo limpo e com aparência saudável é bom. O problema é o apego. Subjacente ao apego à nossa aparência está a raiz da ignorância: por detrás da relação com a nossa auto-imagem, principalmente a facial (“espelho, espelho meu”), está a noção de um “eu” que se identifica com o corpo. E nesta identificação, o rosto ganha um lugar marcante. Por isso os salões de beleza e centros de estética facial crescem como cogumelos e têm tanto sucesso. O “valor de mercado” da nossa aparência facial no mundo social é grande: afecto e auto estima são negociados, em variados graus, através do modo como vemos e somos vistos nas nossas aparências. A a um nível mais profundo, todas as vezes que nos olhamos no espelho, lá está reflectida essa noção: “Isto sou eu!”. E esta noção de uma identidade eu-ego-corpo é uma delusão, uma construção criada pela ignorância sobre a natureza insubstancial dos agregados corpo-mente.

A verdade é que não vamos abandonar tão facilmente o apego ao sensorial e à nossa auto-imagem. Investimos muito nisto até agora, o ego identifica-se com esses desejos sensoriais, criando raízes profundas de apego na mente. Mas podemos gradualmente mudar a nossa compreensão. Começando pela percepção e reflexão sobre o quanto sofremos com as inevitáveis perdas da nossa auto imagem corporal: lesões, cicatrizes, rugas, enbranquecimento dos cabelos, envelhecimento.

Desta visão distorcida surge a lamentação: a boa aparência e a pele sensual trazem ganhos de prazer; sem isto como vamos viver? É certo, se não trouxesse alguma gratificação, não investiríamos recursos, como dinheiro, tempo e energia. Não há nada de errado no experienciar certo prazer gerado pelo contacto dos sentidos com os objetos correspondentes: imagens (consciência visual), sons (consciência sonora), aromas (consciência olfactiva), gostos (consciência gustativa), tactos (consciência corporal ou táctil, através da pele) e pensamentos agradáveis (consciência mental). A questão é: o quanto dependemos disto? Que grau de clareza temos sobre essas dependências? Quando experimentamos sensações desprazerosas, perdas ou ausências desses ganhos sensoriais, o que acontece com a nossa mente? Permanecemos equânimes, emocional e mentalmente equilibrados? A verdade é que quase sempre sofremos: irritação, raiva, desapontamento, tristeza, frustração, queda na auto-estima, depressão.

Podemos retardar, mas não impedir esses processos: são inevitáveis porque tudo que é condicionado é impermanente (anicca). Compreendendo e aceitando esta lei fundamental, podemos gradualmente ir substituindo essa dependência por valores mais profundos, como a sabedoria, a compaixão, o afecto sem expectativa de retorno. Na Meditação da Atenção Plena (Mindfulness) treinamos o cultivo da visão clara da realidade (vipassana), percebendo e aceitando a verdade da impermanência.
Podemos aplicar para a nossa aparência o mesmo treino, cultivado com a respiração: reconhecer, aceitar, investigar, não se identificar.



Arthur Shaker

Budismo e Interdependência

O princípio do co-surgimento interdependente informa-nos que para algo existir deve participar numa relação. O praticante atinge o nirvana através da compreensão da natureza ilusória do samsara. Então o nirvana e o samsara formam duas partes do mesmo todo. Essas partes não poderiam existir separadamente uma da outra. As duas partes formam um continuum que se manifesta mais num extremo do que no outro, mas nunca como um único extremo. Isso explica as razões do budismo enfatizar continuamente a sempre presente Natureza de Buda (potencial para a iluminação ou para a compreensão da verdade), que não existe em oposição à não-iluminação, mas em conjunto com ela. Assim, o self, existe da mesma forma que o não-self, ainda que em níveis diferentes, mas os dois participam do mesmo todo. A explicação do motivo pelo qual há o não-self deriva de um nível de realidade última, enquanto a necessidade da existência do self emerge a um nível convencional. A realidade última refere-se aos 5 agregados (forma, sensação, percepção, formação mental e consciência) e à ideia de que nenhum self lhes subjaz, enquanto a realidade convencional refere-se a designações linguísticas, que fazem parecer que existe uma realidade correspondente, é uma realidade aparente. Os Budistas nem totalmente rejeitam nem totalmente negam uma realidade em detrimento da outra, mas reconhecem que ambas existem na vida humana. Tanto a aceitação do self como a sua rejeição provam inextricavelmente as duas realidades co-existentes em que eles ocorrem.

A doutrina budista de anatman, que nega a distinção entre o self e o não-self, ressalta a unidade do universo e fornece um princípio ético para a sustentabilidade. De acordo com o princípio budista de interconexão, diversas aparências e fenómenos estão todos interligados na unidade da existência. Todos os seres, animais, plantas e minerais existem em interdependência. A interconexão com o nosso ambiente deve incutir em nós respeito, humildade, atenção e compaixão. O Buda ensinou que o nosso apego à noção de um self fixo, substancial e permanente impede-nos de alcançar a libertação espiritual. Ao romper os laços com o nosso self ilusório ficamos conscientes do nosso entre-ser com tudo o que existe.

Budismo - Verdade Absoluta vs Verdade Relativa

Para entender os aspectos profundos das quatro nobres verdades, a principal doutrina do budismo, é fundamental compreender o que é conhecido como as 'duas verdades'. 'As duas verdades referem-se à perspectiva filosófica budista fundamental que considera que existem dois níveis de realidade. Um é o nível empírico, fenomenal e relativo àquilo que nos parece ser, onde funções como causas e condições, nomes e rótulos, e assim por diante podem ser validamente compreendidos. O outro é um profundo nível de existência, para além do primeiro, o qual os filósofos budistas descrevem como o fundamental, ou final, a natureza da realidade, e que muitas vezes é tecnicamente referido como "vazio". A realidade absoluta não manifesta - Shunyata, Paramatman, Tao, Natureza de Buda, etc - é a base suprema de toda a realidade. O seu alcance é experimentado como Nirvana ou libertação ou auto-realização. O oposto deste estado é o mundo dos fenómenos, Maya, a verdade relativa, Ilusão, Samsara, "a roda do renascimento", sujeito à ignorância (avidya) da sua verdadeira natureza, o desejo, a infelicidade, e assim por diante.

Ao investigar a natureza última da realidade, os pensadores budistas tomaram as palavras do Buda, não tanto como uma autoridade suprema, mas sim como pistas para ajudar o seu próprio insight, pois a autoridade última deve sempre residir na própria razão do indivíduo e da sua análise crítica. É por isso que encontramos várias concepções de realidade na literatura budista. Cada uma é baseada num nível diferente de entendimento da natureza última. 


Budismo - O Caminho Óctuplo

A palavra que o Buda usava para meditação era bhavana, desenvolvimento mental, uma tarefa que envolve, entre outros, a concentração correcta (o oitavo passo) e a atenção correcta (sétimo passo)...
emocoes mindfulness
No budismo considera-se que a quarta nobre verdade dá origem ao que é conhecido como o "caminho óctuplo". São oito factores que não são vistos como consecutivos, mas sim complementares. São eles:

1) compreensão ou visão correctas;
2) intenção correcta;
3) fala correcta;
4) conduta correcta;
5) meios de subsistência correcto;
6) esforço correcto;
7) consciência correcta;
8) concentração correcta.
Segundo Stoddart (2004), os dois primeiros passos do caminho óctuplo dizem respeito à sabedoria, do terceiro ao quinto envolvem a moralidade e os três últimos a realização.
O caminho óctuplo, com três partes — sabedoria, realização e moralidade — exemplifica assim os três elementos que estão necessariamente presentes em todas as  religiões: a verdade, o caminho espiritual e a virtude (Stoddart, 2004).

A compreensão ou visão correctas dizem respeito a uma profunda compreensão das quatro nobres verdades.

A intenção correta (também apresentada em livros budistas como pensamento correto) diz respeito ao atingir um estado de consciência onde não há obstruções nos processos de pensamento. Thich Nhat Hanh explica que o processo de pensar é a fala da mente e como o pensamento conduz à acção, esta etapa é fundamental para que o budista possa ter uma acção correta.

A intenção correta diz respeito à ausência de todas as obstruções emocionais. (...) um estado de consciência límpido (...) livre das considerações limitadoras do auto-interesse, sem tensões. (...) a mente deveria ser pura e livre da 'sede' carnal, da malevolência, da crueldade e coisas semelhantes." (Saddhastissa, 1977)

A fala correcta, segundo Hanh (2001) envolve falar sempre a verdade, não dizer coisas contraditórias, não falar com crueldade e não exagerar nem retocar os factos. Uma fala caracterizada pela presença de sabedoria e bondade.

A conduta ou acção correcta, segundo Hanh (2001) teria como base a ideia da atenção plena baseada no princípio da não-violência tanto para si mesmo como para os outros. Saddhatissa (1977) enfatiza a ideia de compreensão dos motivos subjacentes às acções, não sendo possível a acção correcta sem uma compreensão clara e profunda do que motiva qualquer acção. Por meios de subsistência correctos entende-se a noção de encontrar uma profissão ou meio de ganhar a vida que não entre em conflito ou transgressão com a ideia de compaixão, de respeito a si mesmo e ao outro.

O sexto passo, o esforço correcto, enfatiza um aspecto importante do budismo, o da força de vontade. Ao lado do elemento sabedoria, aquele que Buda mais teria preconizado teria sido o da vontade. Toda e qualquer meta para ser realizada depende de um imenso empenho. Alcançar a iluminação, meta do budismo, requer o uso determinado da vontade. Buda forneceu uma série de orientações a respeito desse factor, ligadas à ideia de tempo e de equilíbrio. Ele sugeria um caminhar lento e constante no caminho ao invés dos exageros. Ou seja, o esforço correcto está ancorado na compreensão correcta.

Em relação aos dois últimos factores, consciência correcta e concentração correcta, Smith (2004) considera-os como os mais ilustrativos dos ensinamentos do Buda, ligados à importância da prática da meditação.
A palavra que o Buda usava para meditação era bhavana, desenvolvimento mental, uma tarefa que envolve tanto a correcta concentração (o oitavo passo) quanto a correcta atenção (sétimo passo). (...)
"Nenhum mestre deu tanto crédito à influência da mente sobre a vida quanto o Buda. (...) O Buda aconselha tanto a auto-análise contínua que parece desencorajadora, mas ele achava que ela era necessária por acreditar que a libertação da existência inconsciente é apenas alcançada pela consciência refinada. (...) A correcta atenção tem como objectivo testemunhar todos os eventos físicos e mentais, inclusive as nossas emoções, sem reagir a eles, sem condenar alguns nem se prender a outros.
(Smith & Novak, 2004).

Esses dois fatores juntos levariam à percepção de que todos os estados físicos e mentais são fluídos e não duradouros; que o apego a estes estados está na raiz de grande parte do sofrimento que experimentamos; que temos pouco controlo sobre esses estados mentais e sensações físicas, assim como pouca consciência das nossas reacções. O aprofundamento da prática nesses dois factores permitiria ao indivíduo uma crescente autonomia em relação aos seus estados mentais e domínio da própria consciência ou factores mentais em jogo nas percepções que o sujeito tem de si mesmo e do mundo.

O caminho óctuplo fornece, assim, os parâmetros básicos que orientam o praticante, tanto numa relação interna à própria prática da meditação, como num espectro mais amplo, ou seja, fornecem os critérios para a acção no mundo. Eles estabelecem uma dimensão de reflexividade à própria prática e à acção no mundo.


Referências

- Hanh, T. N. (2001). A essência dos ensinamentos de Buda. Rio de Janeiro: Rocco.
- Saddhatissa, H. (1977). O caminho do Buda. Rio de Janeiro: Zahar Editores.
- Smith, H. & Novak, P. (2004). Budismo: uma introdução concisa. São Paulo: Cultrix.
- Stoddart, W. (2004). O budismo ao seu alcance: princípios e expansão. Rio de Janeiro: Nova Era.

Características centrais do Budismo



budismo mindfulness

“O Budismo não é uma religião que deva ser aceite cegamente, deve ser compreendido e constantemente questionado. O Buda disse, ‘aceitai as minhas palavras somente após terem examinado o seu sentido por vós mesmos; não as aceiteis apenas em nome do respeito que tendes por mim’. Embora com o decorrer do tempo o Budismo tenha sido, algumas vezes, afectado pela tradição, rituais, etc., o seu criador não formulou mais do que um método a ser experimentado.” (Saddhatissa, 1977, p. 18) 
Uma das características distintivas que merece ser salientada em relação ao Budismo é que Buda nunca pretendeu ser mais do que um ser humano. Buda, que significa o Desperto, é o nome que Sidarta Gautama ficou conhecido após ter alcançado o estado de iluminação ou de completa compreensão. O primeiro sermão de 'Buddha Shakyamuni' foi dado aos cinco ascetas que estavam no Parque das Gazelas em Sarnath, Benares. Nesse sermão, Buddha expôs os ensinamentos fundamentais do budismo: as quatro nobres verdades.

Ele explicita as quatro nobres verdades, a base de uma nova religião, sendo elas:
1) a verdade da existência do sofrimento;
2) a verdade de que há uma causa para esse sofrimento;
3) a verdade de que o sofrimento pode cessar;
4) a verdade do caminho que conduz ao cessamento do sofrimento.

Neste conjunto, a quarta nobre verdade é axial, já que ela apresenta um conjunto de instruções práticas que efectivam o cessamento do sofrimento. Essas práticas são conhecidas no budismo como "O caminho óctuplo". São ao mesmo tempo, pode-se dizer, a base ética do budismo e, em decorrência, um padrão de referência para os praticantes monitorizarem a sua conduta e desenvolvimento. A ideia de auto-
monitorização pode ser entendida como uma característica distintiva do budismo. Segundo Buda não se deve ser budista por se ter fé nele, mas pela verificação, através da experiência pessoal, que esse caminho é válido.
Essa característica do Budismo como método permite que ele possa ser visto tanto como uma religião, como uma filosofia ou como uma psicologia prática ou como uma mistura de todos.


Referências
Saddhatissa, H. (1977). O caminho do Buda. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

Budismo e Sofrimento

Somos educados e educamos na demanda do prazer, tentanto evitar a todo o custo o sofrimento. Todavia, este padrão de funcionamento torna-se, mais cedo ou mais tarde, numa armadilha.

A vida é, em parte, constituída por sofrimento. Portanto, quando o sofrimento surge – como perda, desapontamento, como frustração, como solidão ou depressão, ou como a especulação sobre o que deveríamos ser ou fazer – observamos uma verdade básica da natureza que todos os seres humanos, quer estejam num mosteiro ou fora dele, precisam enfrentar de tempos em tempos nas suas vidas

Vocês irão descobrir que quando o sofrimento surge, vocês têm duas opções. Podem tentar fugir do sofrimento ou investigá-lo (Ajahn Brahmavamso).

Isso exige coragem e força para nos mantermos firmes apenas observando. Algo que poderemos notar é que o sofrimento passa e ele sempre passa dando lugar a outros estados emocionais, como a felicidade. Esse é o jogo do samsara (a deambulação perpétua de uma vida para uma outra vida), o jogo do dia e da noite, do calor e do frio. Essa é a dualidade básica das experiências. Não há escapatória disso neste mundo ou em qualquer outro mundo. Esta dualidade das experiências estará sempre connosco.
O Buda disse que obter aquilo que não queremos é sofrimento e não obter aquilo que queremos também é sofrimento. Podemos perguntar: “Exatamente o que é que eu quero?” Na prática meditativa poderemos utilizar esta questão introspectiva como se fosse um mantra. “O que é que eu quero?” (Ajahn Brahmavamso)

Meditação na Atenção Plena

No  sutra ‘Anapanasati’ (o discurso sobre a Atenção Plena à respiração)(1), é apresentado uma meditação na qual o Buda utiliza o cultivo da Mindfulness (atenção plena). Quando se dirige a atenção calmamente para a respiração, surge uma familiaridade cada vez maior com os movimentos da inspiração e da expiração. O praticante começa a familiarizar-se com a própria mente, onde as distracções e o pensamento discursivo da mente já não são tão apelativos. Este é o aspecto de 'familiaridade' da atenção plena.

Cultivando a atenção plena à respiração, o praticante torna-se estável e permanece constantemente consciente do que está a realizar no momento presente, recordando-se de manter a mente conectada à respiração. Este é o aspecto 'mnésico' da atenção plena.

Familiarizar-se com a respiração, recordar de retornar a ela quando a distração ocorre, atinge-se finalmente o estado contínuo de não esquecimento. Quando se estabiliza nesse estado, um continuum de atenção plena torna-se a base para desenvolver uma não distração ininterrupta da mente. Posiciona-se a mente na respiração e ela permanece ali, naturalmente e sem esforço. Isso é a “força”, o terceiro aspecto da atenção plena.

Uma vez que a qualidade natural de equilíbrio e imobilidade da mente esteja presente, surge a clareza da mente. Esta clareza percebe e discerne todos e cada um dos fenómenos dos quais tem consciência completamente e de forma direta (2).



Referências
1. “Anapanasati Sutta,” Mindfulness of Breathing. Disponível em: http://dharma.ncf.ca/introduction/sutras/breathing.html
2. Mipham, S. (2003). Turning the Mind into an Ally. New York : Riverhead Books.

O Ego na origem do sofrimento


O corpo é a raiz e o suporte do ego. 
E do ego procedem as formas que damos às realidades. 
Dessa mesma fonte procede a imagem com que representamos o Absoluto.

O ego e o seu pedestal, o corpo, são as razões da nossa ligação às formas e da conexão do ser a formas. Devido ao ego não conseguimos conceber que algo possa existir sem que esteja intrinsecamente ligado a uma forma.
Esta é a epistemologia do ego: tudo o que és, és porque tens uma forma. Esta é a lei do sentir e compreender de todos os seres vivos. Esta epistemologia empurra-nos a construir imagens do Absoluto.

No entanto o Budismo advoga que a maior ilusão é achar que “eu sou” algo ou que algo “é meu”, agarrando-me a tudo e a todos, querendo estabilizar o que é dinâmico, gerando apego que conduz a um conjunto de emoções negativas, como por exemplo a raiva, o ódio e a cólera, e que é apenas uma tentativa de salvar esse ego ilusório, através dos mais variados mecanismos de defesa. Portanto, é característica do ego ilusório tentar atingir assim a felicidade duradoura nesta vida.

Precisamente desse ego ilusório nasce o sofrimento humano.

A grande ilusão (ignorância), segundo Buda, é pensar que se tem um ego (eu) substancial e permanente. Tudo é impermanência e insubstancialidade e o sofrimento acontece porque queremos agarrar os objetos do desejo (pessoas e coisas, especialmente o dinheiro e os amores) e parar o que é dinâmico, reter o que escorregadio.

Para o budismo, portanto, o sofrimento não existe fora de nossa própria relação intrínseca com ele.

Bem-Estar e Budismo

Equilíbrio Mental e Bem-Estar

Particularmente desde a Segunda Guerra Mundial, a Psicologia clínica concentrou-se principalmente no diagnóstico e no tratamento da doença mental, e só recentemente é que a atenção científica se voltou para a compreensão e o cultivo da saúde mental positiva (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). A tradição budista, por outro lado, tem-se preocupado ao longo dos últimos 2.500 anos, com o cultivar de estados excepcionais de bem-estar mental, bem como identificar e tratar problemas da mente (Smith, 1991).

Embora os registos dos discursos do Buda e mais tarde a literatura comentarial dentro da tradição budista não se debrussem sobre o tema da "saúde mental" como tal, eles discutem a natureza e as causas dos desequilíbrios mentais e técnicas para alcançar o bem-estar mental.

 


Bem-Estar e Budismo

O objectivo da prática budista é a realização de um estado de bem-estar que não depende da presença de estímulos de prazer, sejam externos ou internos (Wallace, 1999). Segundo o budismo, o bem-estar desse movimento em direção a bem-estar é uma parte fundamental do ser humano. Como o Dalai Lama comentou:
“Acredito que o propósito da nossa vida é procurar a felicidade. Quer se acredite em religião ou não todos nós estamos em busca de algo melhor na vida. Então, eu penso que o próprio movimento da nossa vida é dirigido para a felicidade." (Dalai Lama & Cutler, 1998).

A ideia fundamental do budismo é o reconhecimento da natureza impermanente de todos os fenómenos (Nanamoli & Bodhi, 1995). Erradamente, agarrarmo-nos a objectos e eventos como verdadeiras fontes de felicidade e isto produz uma vasta gama de problemas psicológicos, na raiz dos quais está a reificação de nós mesmos como um ego imutável, unitário e independente (Ricard, 2006).

Primeiro, será importante reconhecer essas formas de mal interpretação de nós próprios e do mundo e então começarmos a identificarmos as reais fontes de bem-estar genuíno (Wallace, 2005; Wallace & Hodel, 2006). As verdadeiras causas desse bem-estar estão enraizadas numa forma saudável de vida, são alimentadas através do cultivo do equilíbrio mental, e chegando à fruição de uma experiência de sabedoria e de compaixão. Desta forma, o alcançar de um verdadeiro bem-estar está relacionado com a compreensão e com a virtude.

O Budismo promove um estado ideal de bem-estar que resulta da libertação da mente das suas tendências aflitivas e obscuridades e da realização do potencial máximo de cada um em termos de sabedoria, compaixão e criatividade. Nesta perspectiva o bem-estar é fundamentalmente diferente do bem-estar hedónico, que deriva dos prazeres orientados para todos os tipos de estímulos (Bodhi, 2005; Wallace, 1993). A aquisição de bens materiais, segurança financeira, poder e fama pode levar à felicidade, mas é apenas transitório. Tais prazeres são dependentes de estímulos, a partir do meio ambiente, a partir de interações com outras pessoas ou de vários tipos de actividades físicas e mentais. Mas quando os estímulos cessam, o prazer associado diminui (Ricard, 2006).

Esta antiga crítica budista de prazer dependente de estímulos tem sido apoiada por pesquisas actuais, com a constatação de que a riqueza não prediz a felicidade duradoura (Diener, Sandvik, Seidlitz, & Diener, 1993; Inglehart, 1990). Por exemplo, até mesmo os vencedores da loteria ganham apenas um temporário aumento de bem-estar subjetivo e, em seguida, retornam à linha de base (Argyle, 1986; Brickman, Coates, e Janoff-Bulman, 1978).

Além disso, de acordo com a teoria budista, agarrando-nos a tais estímulos como a verdadeira fonte de felicidade podemos facilmente dar origem a ansiedade, pelo menos intermitente, se não for crónica, ao enfrentarmos a possibilidade, probabilidade ou certeza de que os estímulos não vão durar (Tsong-kha-pa, 2000). De acordo com um ditado budista, à medida que as pessoas se apegam a esses objectos, situações e actividades como a fonte de felicidade, apenas pode haver dois resultados: ou os objectos, situações e actividades desaparecem ou as pessoas desaparecem.



Referências Bibiográficas:

- Argyle, M. (1986). The psychology of happiness. London: Methuen.
- Bodhi, B. (Ed.). (2005). In the Buddha’s words: An anthology of discourses from the Pali canon. Boston: Wisdom.
- Brickman, P., Coates, D., & Janoff-Bulman, R. (1978). Lottery winners and accident victims: Is happiness relative? Journal of Personality and Social Psychology, 36, 917–927.
 - Dalai Lama, & Cutler, H. C. (1998). The art of happiness: A handbook for living. New York: Riverhead Books
- Diener, E., Sandvik, E., Seidlitz, L., & Diener, M. (1993). The relationship between income and subjective well-being: Relative or absolute? Social Indicators Research, 28, 195–223
- Ricard, M. (2006). Happiness: A guide to developing life’s most important skill. New York: Little Brown.
- Seligman, M., & Csikszentmihalyi, M. (2000). Positive psychology: An introduction. American Psychologist,  55, 5–14.
- Smith, H. (1991). The world’s religions. San Francisco: Harper.
- Wallace, B. A. (1993). Tibetan Buddhism from the ground up. Boston: Wisdom
- Wallace, B. A. (2005b). Genuine happiness: Meditation as the path to fulfillment. Hoboken, NJ: Wiley.
- Wallace, B. A., & Hodel, B. (2006). Contemplative science: Where Buddhism and neuroscience converge. New York: Columbia University Press


National Geographic - História do Budismo





A história do budismo desenvolve-se desde século VI a.C. até ao presente, começando com o nascimento de Siddhartha Gautama. Durante este período, a religião evoluiu à medida que encontrou diferentes países e culturas, acrescentando ao fundo indiano inicial elementos culturais oriundos do Helenismo, bem como da Ásia Central, do Sudeste asiático e Extremo Oriente. No processo o budismo alcançou uma expansão territorial considerável ao ponto de influenciar de uma forma ou de outra quase todo o continente asiático. A história do budismo caracteriza-se também pelo desenvolvimento de vários movimentos e cismas, entre os quais se encontram as tradições Theravada, Mahayana e Vajrayana.A história do budismo desenvolve-se desde século VI a.C. até ao presente, começando com o nascimento de Siddhartha Gautama. Durante este período, a religião evoluiu à medida que encontrou diferentes países e culturas, acrescentando ao fundo indiano inicial elementos culturais oriundos do Helenismo, bem como da Ásia Central, do Sudeste asiático e Extremo Oriente. No processo o budismo alcançou uma expansão territorial considerável ao ponto de influenciar de uma forma ou de outra quase todo o continente asiático. A história do budismo caracteriza-se também pelo desenvolvimento de vários movimentos e cismas, entre os quais se encontram as tradições Theravada, Mahayana e Vajrayana.


Fonte: Wikipédia

Meditação na Tradição Budista





Paulo Borges. Tentando praticar desde 1983, tem orientado desde 1999 vários seminários e cursos de introdução teórica e prática ao budismo e à meditação budista. É presidente da União Budista Portuguesa e do Círculo do Entre-Ser e professor de Filosofia na Universidade de Lisboa. É tradutor de textos budistas, como “Estágios da Meditação”, de Sua Santidade o Dalai Lama (Lisboa, Âncora Editora, 2001), o “Livro Tibetano dos Mortos” (Lisboa, Ésquilo, 2006) (com Rui Lopo), “A Via do Bodhisattva”, de Shantideva (Lisboa, Ésquilo, 2007), “O Caminho da Grande Perfeição”, de Patrul Rinpoche (Lisboa, Ésquilo, 2007). Entre outras obras é co-autor, com Matthieu Ricard e Carlos João Correia, de “O Budismo e a Natureza da Mente” (Lisboa, Mundos Paralelos, 2005) e de “Descobrir Buda. Estudos e ensaios sobre a via do Despertar” (Lisboa, Âncora Editora, 2010).

Discovery Channel - A Vida de Buda





Quinhentos anos antes de Cristo um jovem príncipe saiu numa jornada. Ele viajaria através da dor e sofrimento para alcançar a Iluminação ou Nirvana - estado desperto da mente em que cessam todos os karmas. Símbolo da paz, símbolo de compaixão, símbolo de não-violência. Ele foi o Buda. Ele cresceu em um palácio rodeado por luxúria. Na sua adolescência, seus direitos especiais lhe garantiram todo tipo de vícios. Mas ele desistiu de tudo isso para ganhar a sabedoria final. Ele viajaria pelos corredores escuros de sua mente para chegar cara a cara com seus demônios internos. Ele fundou a primeira religião do mundo, seguida hoje por mais de 400 milhões de pessoas, uma religião onde a meditação é usada para alcançar um estado de completa paz e felicidade.

Felicidade Interna Bruta


Há tantos séculos que a humanidade se debate com a questão da Felicidade, como objecto de reflexão e de estudo e em termos práticos pouco se tem alcançado, principalmente desde a década de 70 do século XX. Numa perspectiva transgeracional temos sido autores, actores, agentes e vítimas da ganância, avidez, ódio, egoísmo...
Perante uma das maiores crises temos a obrigação de mudar a nossa relação ética com tudo e todos que nos rodeiam e de pressionar quem governa.

Exemplos como o do Butão demonstram claramente que o caminho a seguir é simplesmente este:

O Butão é o primeiro país do mundo a pensar a felicidade como um indicador de orientação para políticas públicas. 

O Butão, país da Ásia entre a Índia e o Tibete, criou uma visão alternativa para medir as riquezas de um país na década de 1970. Em vez de somente medir  as riquezas materiais, passou a medir também a Felicidade, o Bem-Estar da população e o Desenvolvimento Sustentável. Criou então o índice Felicidade Interna Bruta (FIB), pois o Produto Interno Bruto (PIB) não dava mais conta
desses conceitos. Os Butaneses combinaram a espiritualidade Budista, com a prática meditativa, e a Economia num modelo único, que é um exemplo para muitas nações tidas como mais desenvolvidas


Vale a pena ver:





Pavan K. Verma , o embaixador da Índia no Butão e um importante comentador social, disse que a difusão da idéia do remoto Butão reflecte a inadequação da actividade económica como uma medida de sucesso.
"Há uma procura para além da realização material. Há muitos aspectos da vida social em países tão diversos como a China e o Reino Unido, que se estão a fragmentar, como as relações familiares e da vida da comunidade. Está-se a tornar um mundo atomizado e individualista..."


O cálculo do FIB inclui o padrão de vida económica, educação de qualidade, saúde, expectativa de vida e longevidade comunitária, protecção ambiental, acesso à cultura, bons critérios de governação, gestão equilibrado e bem-estar psicológico.







Por Vítor Bertocchini