9 formas de estragar a felicidade

Ao estudar as pessoas com depressão e ansiedade os psicólogos notaram que os seus padrões de pensamento tendem a reflectir um certo número de 'Distorções Cognitivas' e de 'Crenças irracionais'.

'Distorções Cognitivas' e 'Crenças Irracionais'


Podem ser destacadas as seguintes.

1. Pensamento de Tudo ou Nada: Este é, possivelmente, a avó de todas as distorções, juntamente com o n º 2. Aqui temos a tendência de ver as coisas em categorias de preto ou branco. Por exemplo, se eu "sou um estudante e obtenho uma nota baixa numa disciplina, eu posso acreditar que isso significa que eu " nunca vou ser um bom aluno.

2. Catastrofização: quando nós consideramos absolutamente os piores resultados que se possam imaginar, e convencemo-nos de não apenas a sua possibilidade, mas também a sua probabilidade.

3. Leitura da mente: quando eu sei o que as pessoas estão a pensar de mim e o que elas estão a pensar e, normalmente, é muito negativo. Mas como posso saber com certeza, poderei estar enganado?

4. Cartomancia: A maioria de nós acha que é difícil dizer o que vai acontecer amanhã, muito menos o resto das nossas vidas, mas nós acreditamos fortemente que sabemos como as coisas vão acabar, como esta reunião vai decorrer ou aquela relação ou como será o compromisso de falar em público.

5. Personalização: Quando acreditamos que temos culpa em algo que aconteceu assumimos a responsabilidade, realmente não é assim.

6. Deveres e obrigações: tendência a se sentir que deve e tem que fazer isto ou aquilo de forma perfeita e os outros devem também seguir essa obrigação. "Isto não deveria estar a acontecer, é injusto” ou “as pessoas deveriam tratar -me melhor”.

7. Desvalorizar o Positivo: quando nos concentramos no que está errado e minimizamos ou mesmo negligenciamos completamente as nossas conquistas legítimas e boas qualidades.

8. Baixa tolerância à frustração: Esta é muitas vezes esquecida. É o pensamento e a crença de que eu não posso suportar algo, que eu não deveria ter que me sentir desta forma, quando, na verdade, embora possa ser desagradável, sou capazes de suportar.

9. Avaliação do Eu e dos Outros: Esta é a tendência a fazer julgamentos globais de nós mesmos e dos outros. É bom para julgar este ou aquele comportamento em particular, mas não faz sentido avaliar a totalidade dos outros e de nós mesmos. Embora isso muitas vezes é o que causa mais dor e o que temos a tendência de fazer automaticamente. "falhei o meu exame, portanto, sou um fracasso total e, geralmente, uma má pessoa."

Reconhece algum destes modos de pensar a partir de sua própria experiência?


Mudar as nossas respostas

Quando tomamos tempo para nos tornar conscientes dos nossos pensamentos, o qual é passível de ser treinado, por exemplo através da prática meditativa, mais rapidamente notaremos uma mudança nos nossos emergentes estados de espírito ou pensamentos distorcidos.

Outra coisa importante acontece: nós deixamos de ser arrastados pela torrente dos nossos pensamentos e sentimentos, de nos sentirmos sobrecarregados e desamparados e à mercê do mundo.

Pode ou não pode ser possível fazermos muito sobre a situação, mas tudo podemos fazer sobre a nossa resposta aos eventos. 

O simples facto de pararmos e nos perguntarmos o que está a acontecer na minha mente quando eu notar que eu fiquei mal, leva-nos a agir diferentemente do passado e ajuda a retardar o processo de pensamento negativo antes que ele se amplifique e eu me tornar excessivamente perturbado com o que está a ocorrer, muitas vezes sem saber como cheguei lá.

Verdadeiramente, nós os principais agentes de perturbação de nós mesmos, sem ter consciência disso, mas se praticarmos estas ideias e usarmos estas ferramentas, podemos começar a ver o processo, pela primeira vez, da forma como os meus estados de espírito são criados, que por sua vez começa a nos permitir fazer algo sobre isso.

A meditação é uma fantástica ferramenta neste processo!  

O meu primeiro retiro | c/ Sagarapriya


PRÓXIMO RETIRO O meu 1ºRetiro em 2015

O retiro será realizado em Barcelos, entre os dias 11 de Abril (depois das 19h) a 13 de Abril (até 17h Domingo).
O evento é aberto a todos e não implica nenhum conhecimento teórico ou prático de meditação. Este retiro foi concebido para todos que, ao darem os primeiros passos na meditação, descobriram algo que lhes tocou e por isso querem aprofundar essa experiência.


Porquê fazer um retiro?
Fazer um retiro é uma oportunidade singular para clarificar o que é realmente essencial para cada um de nós. Criamos condições exteriores e interiores que permitem afastarmo-nos da agitação e dispersão da nossa rotina, de forma a podermos realmente descontrair e abrir. O ambiente envolvente, as práticas de harmonização corpo-mente, as refeições vegetarianas, o diálogo, o silêncio, facilitam a procura de simplicidade e todo o processo de redescoberta de nós mesmos.
Em retiro apreendemos a vida de uma forma mais leve e receptiva. Ao estarmos mais atentos e cientes, naturalmente lidamos com nós próprios, os outros e o mundo, com mais compaixão e sabedoria.

Programa
O programa aborda duas vertentes, uma mais contemplativa e outra mais relacional - inclui meditação, palestras, um pouco de yoga e passeios. Teremos momentos de silêncio e momentos de diálogo e convívio. Os participantes desfrutarão de um pequeno bosque, um belo espaço arborizado, onde serão feitas várias actividades, como por exemplo as meditações em andamento. A alimentação é ovolacto-vegetariana.

Sexta-feira
- Chegada (depois das 19h)
- Pequena recepção com chá e bolachas  e outros
- Curta palestra

Sábado
- Acordar - 7h30m
- Aquecimento | yoga suave
- Meditação - 45m
- Pequeno-almoço 9h15m
- Espaço livre
- Contacto com a natureza
- Palestra
- Almoço
- Espaço livre e sesta
- Prática deitada, sentada e em andamento
- Jantar
- Perguntas e respostas

Domingo
- Acordar - 7h30m
- Aquecimento | yoga suave
- Meditação - 45m
- Pequeno-almoço 9h15m
- Espaço livre
- Contacto com a natureza
- Palestra
- Almoço
- Espaço livre e sesta
- Prática deitada, sentada e em andamento
- Despedida

Orientação: Sagarapriya
Sagarapriya tem, ao longo de quase duas décadas, praticado com mestres de várias tradições budistas, tanto no Ocidente como na Ásia. Nos últimos dez anos tem ensinado extensivamente budismo e meditação e alargado a sua formação em "Mindfulness", "Focusing" e mais recentemente em "Comunicação Não-violenta". Progressivamente todas estas influências têm sido integradas numa perspectiva enraizada na sabedoria milenar budista, que se expressa numa linguagem contemporânea e através de metodologias de auto-conhecimento pertinentes ao nosso tempo.
+ informações

Notas:
- É necessária inscrição prévia através do preenchimento do formulário que se encontra no fim desta página.
- Convém trazer roupas largas, uma almofada e um tapete.
- O evento é aberto a todos e não implica nenhum conhecimento teórico ou prático de meditação.
- O retiro só se realizará com um mínimo de 15 participantes.

Para mais informações:
e-mail: eventos.spmbe @ gmail.com
Vítor Bertocchini
Sagarapriya
Uma conversa à volta da questão: será que há um verdadeiro Eu, e uma resposta passa por entender a natureza do sofrimento do "eu" que coloca a questão.



Praticamos custos escalonados para permitir que cada pessoa escolha de acordo com as suas possibilidades financeiras. 


Princípios que podem ser úteis ao processo de decisão: contribua com o montante que deixar o seu coração a sorrir. Para tal acontecer, esse montante deve assegurar o equilíbrio entre a sua necessidade de subsistência e a sua necessidade de contributo e partilha.

Condições de estadia: 
Quartos com excelentes condições (individual ou duplo), todos com wc e banho privativo e com luz natural. Camaratas disponíveis para quando quartos esgotarem.
Existe um bosque onde, dependendo do tempo metereológico, se procurará fazer actividades.
Inscrições limitadas.

Como chegar:
Chegando a Barcelos, seguir as indicações em direcção ao estádio de futebol.
Na rotunda ao lado do Estádio, sair em direcção de Ponte de Lima.
Depois de aproximadamente 100m virar à direita, após 10m virar à esquerda para a rua do Seminário.
Seguir sempre em frente durante 2km até encontrar um grande portão.



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Mindfulness - MBSR e MBCT


As Terapias baseadas em Mindfulness são uma aplicação clínica dos princípios encontrados no Budismo e outras práticas espirituais, envolvendo o elemento-chave da aceitação sem julgamento da dor física ou sofrimento psíquico, reduzindo, assim, a tendência para ruminar sobre essas experiências e para catastrofizar.

O interesse em aplicar mindfulness como uma terapia desenvolveu-se na prática Ocidental no final de 1970; no início, a técnica de redução de stress baseada em mindfulness (MBSR) foi aplicada no tratamento de dor crónica.

Jon Kabat- Zinn, o fundador do MBSR, define mindfulness como "a consciência que emerge ao prestar atenção de propósito, no momento presente, e de forma não julgadora à experiência que se desenrola momento a momento" (Kabat- Zinn, 2003, pp.145 -146).


A combinação dos elementos de MBSR com abordagens da psicologia cognitiva e terapia cognitivo-comportamental, levou ao desenvolvimento da terapia cognitiva baseada em mindfulness (MBCT), e centrou-se principalmente no tratamento da depressão maior.

Ao longo das últimas décadas, as Terapias baseadas em Mindfulness têm sido aplicadas no tratamento de uma variedade de distúrbios físicos e psicológicos. Revisões detalhadas recentes do uso de MBSR , MBCT e outras abordagens baseadas em Mindfulness no tratamento da depressão, ansiedade, psicoses, dependência, sintomas de dor físicos e como forma de promover a auto-consciência e crescimento pessoal, podem ser encontradas na literatura científica.



Bibliografia:

Kabat-Zinn, J. (2003). Mindfulness-Based Interventions in Context: Past, Present, and Future. Clinical Psychology: Science and Practice, 10, 144–156.

Foco - O Motor Oculto da Excelência | Daniel Goleman



emocoes mindfulness

O autor do bestseller internacional "Inteligência Emocional" regressa com uma análise pioneira do recurso mais escasso dos nossos dias e o segredo para a excelência na vida pessoal e profissional: a atenção. Ao longo de mais de duas décadas, o psicólogo e jornalista Daniel Goleman tem-nos mostrado o que há de inovador, surpreendente e importante nas ciências humanas.



Este livro aborda as especificidades da ciência da atenção, promovendo um debate há muito adiado sobre este pouco conhecido e subvalorizado recurso mental que assume uma importância enorme para a maneira como vivemos a nossa vida.

O funcionamento da atenção assemelha-se muito à de um músculo: se a utilizarmos mal, definha; se a trabalharmos bem, desenvolve-se. Numa época de distracções inesgotáveis, Goleman argumenta persuasivamente que agora, mais do que nunca, devemos aprender a apurar o nosso foco se queremos lidar com, e ser bem-sucedidos num mundo complexo.

A importância das pausas



Daniel Goleman: Eu sei que disse que as crianças, para aprenderem, necessitam de atenção concentrada, sustentada, mas há limites.

Por quanto tempo qualquer cérebro pode manter a atenção óptima?
E acho que o dia na escola deve ter este factor em consideração para que tenha um ritmo moderado, de modo a que o cérebro das crianças tenha a oportunidade de se recuperar para o próximo período de aprendizagem. E o que está a acontecer é que a glicose, a energia do cérebro, diminui.

É por isso que o intervalo é tão importante. É por isso que o tempo de inactividade é tão importante.

Todos nós precisamos de um período para nos restaurar, por exemplo, uma coisa que restaura o cérebro, ao que parece, é concentrarmo-nos na respiração. É uma actividade neutra, não é preciso muito esforço mental, mantém-nos focados, mas é também um momento em que o cérebro está em repouso.

Fazer uma caminhada, brincar, todas essas actividades são uma parte do repertório humano por uma boa razão. Verdadeiramente, elas estão a ajudar o cérebro a restaurar-se, por isso, os professores e educadores em geral, na minha opinião, fariam bem em estar cientes de como o cérebro precisa de um ritmo próprio e como é importante programar os períodos regulares de repouso ao longo do dia. E não é só as crianças que delas necessitam, são também os professores e os pais.
Continua c/ Daniel Goleman:

"Amigos da respiração" - Daniel Goleman


Daniel Goleman: Uma das formas que as crianças podem aprender aumentarem a sua concentração e a fortalecerem as suas competências atencionais, particularmente a concentração na escola é algo que eu vi demonstrado numa sala de aula da segunda classe numa escola pública em Manhattan, numa área muito pobre de Nova York.

Fiquei espantado porque a atmosfera da sala de aula era muito calma, muito focada. As crianças estavam muito alertas, muito atentas ao professor. Qual é o segredo aqui? Perguntei-me.
Então percebi. O professor disse que todos os dias fazem um exercício chamado "amigos da respiração".

Uma a uma, as crianças vão a uma caixa e retiram o seu boneco de peluche favorito. Em seguida, elas encontram um lugar no chão para se deitarem e colocam esse animal na sua barriga, assistindo à respiração a subir, contando um, dois, três, e vê-la a descer, um, dois, três.

Circuito neurológico da atenção
Este é o treino do circuito neurológico da atenção. Este é o tipo de treino que ajuda as crianças a não se concentrarem apenas sobre o que o professor está falar, mas verifica-se que o mesmo circuito ajuda a gerir as suas emoções geradoras de stress. Então, elas recebem um treino "dois em um": recebem treino da atenção e treino de auto-gestão interior.

Algo tão simples como apenas observar a sua respiração e trazer de volta a sua mente quando ela vagueia é a repetição básica do músculo da focalização.


Continua c/ Daniel Goleman:

A distracção é o novo normal - Daniel Goleman



Daniel Goleman: A premissa central do seu livro é que hoje, mais do que nunca na história da humanidade, a nossa capacidade de concentração é desafiada pelas novas tecnologias, pelas coisas que nos distraem.

Vemos os casais, ao jantar, a olharem mais para os seus telemóveis do que um para o outro. Vemos mães a cuidar de uma criança, segurando a criança num braço e a olhar para um telemóvel na outra, e o facto é que os alunos e os professores estão mais distraídos do que nunca.

O novo normal
É um novo normal e ainda assim a base da aprendizagem é ser capaz de prestar atenção. É preciso atenção sustentada para compreender o que o professor está a dizer. É necessária uma atenção ininterrupta contínua para ler uma passagem de um livro. E, num momento em que estamos a criar as crianças num ambiente onde a coisa normal a fazer é distrair-se constantemente, temos de fazer um esforço maior do que qualquer outro momento da história para ajudar as crianças a aprender uma coisa muito simples, que é a base da aprendizagem - prestar atenção.

Continua c/ Daniel Goleman: